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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein UM CABO DE GUERRA CHAMADO PLANO SAFRA

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    O Ministério da Agricultura sabe o formato que quer dar ao novo Plano Safra. O Ministério da Fazenda conhece o que pode oferecer. E é aí que entra complicada equação de equilíbrio entre uma coisa e outra.
    O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, afirmou ontem, em audiência pública na Assembleia Legislativa, que o pacote para o ciclo 2017/2018 contará com montante entre R$ 182 bilhões e R$ 190 bilhões – regulando com o ciclo atual, em que foram anunciados R$ 183,8 bilhões. Mais do que isso, deverá contemplar a tão solicitada redução de juro. Ainda sem abrir o valor exato, ele afirma que se trabalhará com percentual de 2% a 3% acima da inflação – a projeção para o ano é de 4,06%, segundo o boletim Focus. A pasta quer ainda manter os limites de custeio e priorizará programas como o voltado para a armazenagem (PCA).
    – Precisamos ter equilíbrio, porque somos governo e sabemos o momento que passa a economia do Brasil, mas a agricultura tem argumento para baixar a taxa de juro, manter os recursos e não ultrapassar o teto dos gastos. Por quê? Porque a taxa Selic veio de 14% para 11,25% e a inflação caiu – diz Geller.
    O problema é que a Fazenda enxerga o plano pela ótica dos números. E considera – e muito – a matemática imposta pela proposta de emenda constitucional que estabelece limite para os gastos. A partir dela houve redução de R$ 11,4 bilhões para R$ 8,7 bilhões na quantia a ser utilizada pelo governo para a equalização de juros do Plano Safra.
    – Esse é o desafio. Fazer uma safra pujante para o setor com menos recursos. A nossa ideia é a manutenção do juro para que se mantenha o volume de recursos. Se houver diminuição da taxa, reduzirá o valor – argumenta Ivandré Montiel da Silva, secretário-adjunto de Política Agrícola e Meio Ambiente do Ministério da Fazenda.
    Vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS), Alexandre Velho diz que diante desse cenário de queda de braço entre um ministério e outro, nem se chegou a sugerir número específico para a taxa de juro.
    – A gente quer que baixe pelo menos um ponto percentual. Também estamos pedindo prazos e juros menores para a irrigação – explica a dirigente.
    – Defendemos que a agricultura precisa ter um volume de juro subsidiado – completa Sérgio Feltraco, diretor-executivo da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).
    Agora é esperar até a segunda quinzena de maio, quando deve sair o Plano Safra, para ver qual o ponto de equilíbrio encontrado ou se alguém levará a melhor neste cabo de guerra.

    DESAFIO DO MILHO
    Para o milho ficar mais competitivo, é preciso produzir mais. Essa é a visão do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, que ontem participou do Fórum Mais Milho, em Passo Fundo. Para ele, só a elevada produtividade é capaz de bater deficiências do país, como infraestrutura logística, incluindo a armazenagem do grão.
    Sobre o impacto do preço (que vem caindo e está abaixo do mínimo no Mato Grosso), no ânimo do produtor, o ex-ministro da Agricultura observa:
    – Este ano tende a chegar no preço mínimo. Mas no mercado internacional, o valor não caiu. O que significa que o mercado global está correspondendo às expectativas. Há demanda e quem vai abastecer são o Brasil e os Estados Unidos.
    Nos próximos 30 anos, serão necessárias 380 milhões de toneladas a mais de milho para atender ao consumo mundial. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que o Brasil responderia por 40% desse volume.
    Ontem, o Ministério da Agricultura comunicou que serão liberados R$ 500 milhões para leilões de milho e outros R$ 300 milhões para contratos de opção (para MT e RO).

  • OPOSIÇÃO VENCE ELEIÇÃO

    Depois de disputa acirrada, o Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-RS) escolheu a nova diretoria. A vencedora foi a chapa 2, da oposição, que tem como presidente Air Fagundes (foto). Ele assume em novembro para um período de três anos.
    Foram 3.494 votos, contra 2.837 da chapa 1, da situação.
    Fagundes diz que buscará aproximação com o atual conselho de administração, para “uma transição harmoniosa”.
    Ele pretende retomar a figura de delegados no Interior e dar atenção aos novos profissionais.


    A CHINA REABILITOU TRÊS FRIGORÍFICOS BRASILEIROS QUE EXPORTAM CARNE DE FRANGO. AS UNIDADES SÃO DA SEARA, BRF E COPACOL. AS COMPRAS, SEGUNDO A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL, HAVIAM SIDO SUSPENSAS APÓS A OPERAÇÃO CARNE FRACA.

  • NO RADAR

    TERMINOU sem interessados a venda da unidade de Santa Rosa da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). Na próxima semana, a diretoria decide se volta ou não a fazer licitação. A filial faz parte de um primeiro lote (com seis unidades no total) que será vendido, com objetivo de fazer caixa para pagar acordo trabalhista. No dia 24, a busca será por compradores para a planta de Nova Prata.


    R$ 1,0411
    é o valor de referência projetado para o litro de leite padrão no mês de abril, segundo o Conseleite. A quantia fica um pouco acima da consolidada para o mês de março, R$ 1,0332. De acordo com Alexandre Guerra, presidente da entidade, esse é um indicativo de estabilidade de preços no Estado.

  • MARÉ VERMELHA

    No segundo dia de ações do Abril Vermelho, trabalhadores rurais sem-terra e assentados ocuparam o pátio da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), na Capital. À tarde, integrantes do MST foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, e pelo secretário-adjunto da SDR, Iberê de Mesquita Osri. Reivindicaram medidas como a desapropriação de áreas de terra, melhorias nos assentamentos e recuperação de estradas. Também cobram agilidade na desapropriação de locais já em negociação, como a da CEEE, em Charqueadas, ocupada desde novembro. Atualmente, mais de 2 mil famílias estão acampadas no Estado. Novas reuniões devem ocorrer hoje.

    Fonte : Zero Hora