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CAMPO ABERTO – Gisele Loeblein – Queda previsível

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Quando se trata de números, o senso comum é de que apenas o crescimento interessa. Então, uma olhada rápida pelo primeiro levantamento da Emater para a próxima safra de verão do Estado pode trazer desânimo, já que há recuo de 10% projetado para a colheita de 2018. Consequentemente, o faturamento também será reduzido. Mas uma análise mais profunda pode reconhecer pontos positivos – e outros nem tanto – nos dados apresentados na Expointer.

É preciso lembrar que o volume do ciclo passado foi recorde, com a soja batendo 18,57 milhões de toneladas. Ou seja, a base de comparação é alta. Mesmo que os preços das commodities estivessem elevados, ficaria difícil superar. E o que ocorre neste momento é um cenário de preços defasados, que desestimula agricultores de todas as culturas, mas em especial do arroz e do milho.

Os arrozeiros vivem situação particularmente complicada. Em 2017, o preço pago pela saca não foi suficiente para cobrir o custo. Há ainda excesso de oferta do produto que, somado à redução de consumo, ajuda a puxar os preços para baixo. Para a Emater, o recuo em área plantada para o cereal é pequeno, praticamente estável (-0,33%) em relação ao ciclo atual. No caso do milho, a área é a que mais irá encolher (11,65%). Reflexo da desvalorização do grão. Com custos em alta, o produtor está querendo dar o tiro certeiro, apostando na soja, que, apesar de também estar com valores inferiores, tem liquidez garantida.

Banho das campeãs

Com uma produção de 66,14 quilos de leite, uma vaca da Granja Tang, de Farroupilha, venceu o concurso leiteiro do gado holandês na Expointer. Tang Sali Boxton 8158, três anos, foi a campeã na categoria jovem. Itamar Tang, proprietário do animal, não dispensou o tradicional banho de leite na pista de julgamento (na foto, com os proprietários da campeã na categoria adulta). Para chegar ao resultado, foram realizadas cinco ordenhas. As duas melhores foram eliminadas e as três restantes, somadas.

– Ela produziu mais do que a campeã adulta. Isso significa que estamos investindo de maneira certa, e mostra qualidade e potencial genético do animal – disse o proprietário.

"Delegacia é decisão irretornável"

ENTREVISTA

josé ivo sartori

Governador do Estado

Em entrevista à coluna, na 40ª Expointer, o governador do Estado, José Ivo Sartori, falou sobre a proposta de modernização do parque – anunciada em 2012, mas que ainda não saiu do papel. Também falou sobre a Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato. Confira trechos:

O projeto de modernização do parque Assis Brasil vai andar ou a ação judicial levará ao rompimento do contrato?

A questão judicial é sempre uma incógnita, embaraça qualquer possibilidade de modificação. Porque não se pode unilateralmente tomar uma atitude. Nosso sonho era de que hoje já tivéssemos hotel, centro tecnológico, tivéssemos resolvido o problema do alague. Se a Justiça não nos der possibilidade de fazer qualquer outra coisa, ficamos impedidos. E o projeto voltaria à estaca zero, porque não pode fazer nada. Mas a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) está estudando. As assessorias jurídicas estão vendo, porque nosso interesse é fazer diferente. E, com certeza, deixar passar primeiro a Expointer.

Vocês estudam a possibilidade de privatizar a área destinada ao parque?

Está fora de cogitação. Concessão também não está estabelecida, porque isso é uma questão jurídica, tem que ser estudada, analisada. Como vem vindo já um trabalho coletivo, com certeza, vamos evoluir nessa parceria e nessa maneira de trabalhar conjuntamente.

Que estrutura terá a delegacia especializada ao combate de crimes rurais que será criada amanhã?

Desde o começo do nosso governo, procuramos ter uma política diferenciada em relação ao abigeato. Especialmente na fronteira. Fizemos todas as incursões possíveis com o governo federal para melhorar essa realidade. Já no final de 2015, 2016, não recordo, investimos cerca de R$ 40 milhões no fortalecimento do controle do abigeato. Essa questão da delegacia especializada é uma decisão irretornável. É o começo de uma caminhada, todo mundo tem de ter paciência, não vai melhorar de uma hora para a outra, mas sabemos que essa área da carne é muito perigosa. O abigeato é um problema também porque essa carne chega no mercado consumidor sem fiscalização e sem controle sanitário.

Como estará a estrutura da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) ao final do seu governo?

O grande problema é o passivo trabalhista. Todo mundo ganha todas as ações. Uma única ação passava de R$ 200 milhões. Baixou para 40% do valor. Não é mais capacidade do Estado armazenar mesmo. Na última safra, foram 35 milhões de toneladas de grãos, e se mostrou um problema de armazenagem. Mas isso é uma questão que a área privada tem de perceber, porque isso vai crescer.

A vaca Cablis 760 Doroty Jordan, do produtor Claudio Schiefelbein, de Fortaleza dos Valos, GANHOU o título ADULTO do gado holandês, com 52 quilos de leite. É o quarto ano que a Agropecuária Dois Irmãos leva o prêmio.

Movido a inovação

Pioneira no lançamento de um trator movido a biometano, a New Holland apresentou ontem, na Expointer e na Farm Progress Show, nos EUA, a segunda geração do equipamento. Se antes a autonomia era de até oito horas, agora é de um dia inteiro. Há ainda a visão de 360 graus e a conexão com o celular.

– A tecnologia é destinada aos mercados europeu, americano e brasileiro. A produção será em território americano, incialmente – diz Alexandre Blasi, diretor mercado Brasil da marca.

O produto ainda não está disponível comercialmente, mas entrará em breve no mercado. Para a Expointer, a projeção é manter o volume de negócios de 2016, podendo crescer até 5%.

CAMPO ABERTO

gisele.loeblein@zerohora.com.br

zerohora.com/giseleloeblein

Fonte : Zero Hora