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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein Por que a filantropia da Emater importa

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  • – Foi a Emater que colocou uma profissão na minha vida. Ela é tudo para o pequeno agricultor.
    Foi com esse depoimento, do produtor Antonio Carlotto, de São José do Sul, que se dimensionou o caráter social do trabalho desenvolvido pela Emater no Estado na cerimônia formal em que se confirmou a validação do certificado de entidade beneficente de assistência social por mais três anos. O ato, realizado ontem no Palácio Piratini, e que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, foi mera formalidade – o governo federal já havia garantido a renovação da filantropia, como havia adiantado a coluna.
    Mas são histórias como a de Carlotto que reforçam o motivo pelo qual a Emater precisa manter a filantropia. Ele era diarista e procurou a instituição porque estava em dificuldades financeiras. Os técnicos apresentaram a ele um projeto de produção de orgânicos.
    O trabalho, iniciado em 2013, hoje está rendendo frutos. Além do morango, que é o carro-chefe, o agricultor produz também verduras e legumes vendidos em diferentes canais: para a merenda escolar, na vizinhança e em feiras.
    No ano passado, 222 mil famílias foram amparadas pela Emater em 493 municípios em que está presente.
    – O certificado representa a força de trabalho mantida. Se precisássemos começar a pagar os tributos, teríamos de reduzir o quadro de pessoal – afirma Clair Kuhn, presidente da Emater.
    O benefício isenta a necessidade da contribuição patronal que, se tivesse de ser desembolsada, representaria, no caso da Emater, cerca de R$ 40 milhões ao ano. Daqui a três anos, o certificado precisará ser renovado novamente.
    Decreto de maio de 2014, determina prazo de três anos para entidades que tenham receita bruta anual superior a R$ 1 milhão. Para aquelas com renda igual ou inferior a R$ 1 milhão, o período é maior, de cinco anos.
    – A Emater presta um serviço imensurável. Tem importância, é um trabalho social porque tira as pessoas da pobreza – garante Terra.
    Segundo o ministro, houve um avanço na criação de um conceito de assistência social no campo a partir do caso gaúcho, que poderá ser aplicado para órgãos de outros Estados.


    NOVOS PARÂMETROS
    A colheita de 80 a 90 sacas de soja por hectare, que em anos anteriores era difícil de ser alcançada, nesta safra não tem sido tão rara no Rio Grande do Sul. É que a produtividade do grão está em alta – para se ter uma ideia, a média estadual no ano passado foi de 50 sacas.
    – Vi lavouras onde estão colhendo mais de cem sacas por hectare – afirma Alencar Rugeri, assistente técnico estadual da Emater.
    O desempenho da soja na Metade Norte já tem feito as apostas sobre a colheita total subirem: a última previsão da Emater era de 16,8 milhões de toneladas, mas já se fala em chegar à casa das 18 milhões de toneladas.
    – Foi superada a expectativa quando começou a se colocar as máquinas na lavoura – confirma Luis Fernando Fucks, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado.
    Nesta safra, a preocupação vem dos preços. Segundo Fucks, no Noroeste a saca de 60 quilos caiu abaixo de R$ 60:
    – Já passou do sinal vermelho. O produtor está ganhando no excesso de produtividade. Mas se os Estados Unidos colherem uma safra cheia, teremos um problema sério de preço.
    O consultor em agronegócios Carlos Cogo confirma que os valores estão em queda. Nos últimos 40 dias, caíram 15%. No momento, não há condição favorável nem do dólar, nem do preço da soja na Bolsa de Chicago.
    A colheita chegou a 35% da área, de acordo com a Emater. Os dados mostram variações de produtividade, mas médias superiores às estimadas, entre 65 e 75 sacas por hectare – com extremos entre 48 e 94 sacas.


    No radar
    SECRETÁRIOS da Agricultura do país fizeram coro a entidades do setor e solicitaram, nesta semana, ao ministro Blairo Maggi que haja uma redução dos juros no próximo Plano Safra.


    Olhar de fora
    A União Europeia decidiu realizar auditorias no sistema de fiscalização e controle de carne no Brasil. As datas de quando isso ocorrerá ainda serão definidas, mas a iniciativa foi acertada ontem, em reunião entre o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luis Eduardo Rangel, e o diretor da DG Santé, órgão de controle sanitário da UE, Koen Van Dyck.
    As auditorias serão feitas por técnicos do bloco e “servirão para reafirmar a solidez e a segurança do nosso sistema de fiscalização e controle”, afirmou o ministério em nota.
    Foi combinado ainda que a pasta encaminharia documento detalhado com todos os esclarecimentos solicitados pelos europeus. Os técnicos da UE também apresentaram uma agenda comercial, que inclui a visita de técnicos brasileiros a empresas que desejam exportar para o Brasil.
    Para tentar tirar os produtores rurais da reforma previdenciária, a Frente Parlamentar da Agricultura Familiar partirá para o corpo a corpo. A ideia é abordar os partidos da base que demonstraram desconforto com a PEC 287.


    Leite mais leve no estado
    Projeto de lei aprovado pela Assembleia Legislativa dá um refresco à indústria de leite do Estado. O PL 271 deve favorecer a produção gaúcha, segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS). Ele aumenta de 12% para 18% a alíquota do ICMS nos operações de leite UHT no mercado interno.
    Para empresas locais, o governo dará contrapartida de crédito presumido, para “zerar a conta”. As indústrias de outros Estados, no entanto, terão de pagar o tributo.
    – Era um pedido do setor, para proteger a indústria gaúcha no mercado interno – diz Alexandre Guerra, presidente do Sindilat-RS.
    A mudança passará a valer a partir de janeiro do próximo ano.


    Para mexicano ver
    Com o objetivo de retomar a confiança no produto e na tentativa de convencer os mexicanos a abrirem as portas também para a carne suína, a Associação Brasileira de Proteína Animal realiza ação na próxima terça-feira na embaixada brasileira na Cidade do México. O encontro será com líderes, importadores, jornalistas e representantes do governo. Serão apresentados dados sobre o produto brasileiro. Embora importadores tenham informado que o embargo à carne havia sido retirado, o governo brasileiro ainda não confirma a liberação.

    PARA TENTAR TIRAR OS PRODUTORES RURAIS DA REFORMA PREVIDENCIÁRIA, A FRENTE PARLAMENTAR DA AGRICULTURA FAMILIAR PARTIRÁ PARA O CORPO A CORPO. A IDEIA É ABORDAR OS PARTIDOS DA BASE QUE DEMONSTRARAM DESCONFORTO COM A PEC 287.

Fonte : Zero Hora