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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein – PLANO SAFRA FOI O POSSÍVEL, NÃO O IDEAL

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    A avaliação é unânime entre as entidades do setor: o Plano Safra da agricultura empresarial, anunciado ontem pelo governo federal, foi o possível, não o desejado. A principal expectativa frustrada é em relação ao juro. Produtores esperavam um corte maior, alinhado à redução da inflação e da taxa de juro básico entre o ano passado e agora.
    Os recursos foram ampliados, para R$ 190,25 bilhões (R$ 188, 3 bilhões em crédito rural, R$ 550 milhões para seguro e R$ 1,4 bilhão para comercialização). Conforme antecipou a coluna, houve diminuição de um ponto percentual no juro dos financiamentos de custeio e de investimento e de dois pontos percentuais nas linhas do Inovagro e do Programa Para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA).
    – Apesar de estar consistente com a situação do país, não temos muito a comemorar. Esperávamos mais. Os juros não tiveram redução a ponto de impactar o custo, que está em alta – opina Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz-RS).
    Vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira acompanhou a divulgação do novo pacote em Brasília e têm opinião semelhante:
    – Acredito que as dificuldades do governo sejam tão grandes que não puderam fazer nada melhor. Mas acho que o plano precisa passar por remodelação.
    O dirigente ressalta que faltou dinheiro para financiar o atual ciclo – apenas 62% do montante anunciado no ano passado foi efetivamente tomado (veja nota).
    – Não foi o plano que sonhávamos, mas pelas circunstâncias, o possível – corrobora Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).
    Durante a cerimônia, o ministro Blairo Maggi deu a entender que chegou a buscar melhores condições – o esforço dele diante do Ministério da Fazenda é reconhecido.
    – Brigo para ter o máximo, mas não reclamo das condições que tenho para trabalhar – afirmou.
    Ajustes foram feitos até o último minuto. Tanto que, no painel colocado na cerimônia, o valor que aparecia era de R$ 188 bilhões. Com a inclusão de v alores de seguro e comercialização, o montante cresceu, aos 45 minutos do segundo tempo.

  • DESCOMPASSO

    Valor anunciado não é, necessariamente, igual a financiamento efetivado. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mostra que, faltando menos de um mês para o fim do Plano Safra atual, só 62% do montante foi emprestado (veja gráfico).
    E isso significa que o produtor não quer financiar a safra? De acordo com o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, não. Mostra apenas que há um descompasso entre dinheiro divulgado e liberado.
    A explicação vem da origem dos recursos do Plano Safra: poupança e depósitos compulsórios feitos pelos bancos. O governo entra com pagamento de taxas administrativas e equalização de juro – quando fica abaixo do rendimento da poupança. Esses depósitos tiveram redução.
    Na prática, os bancos teriam elevado as exigências para liberação de crédito. Com isso, muitos produtores buscaram outras fontes de financiamento.
    – A participação do crédito rural é cada vez menor, não supre um terço das necessidades dos produtores, que cada vez mais usam recursos próprios – disse João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

  • ESPAÇO PARA INVESTIMENTOS

    Entre os pontos que agradaram no Plano Safra está o que destina recursos para o investimento em armazenagem de cerealistas, reivindicação antiga das empresas. Serão R$ 300 milhões com as mesmas condições de juro do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), voltado às cooperativas.
    – Há dois anos estávamos sem linha específica e sinalizávamos para o governo a dificuldade que tínhamos até no transporte da safra – comenta Vicente Barbiero, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Rio Grande do Sul.
    Projetos engavetados deverão ser retomados, estima Barbiero, beneficiando também as empresas que fabricam silos. Diante de sucessivas safras recordes colhidas, investimentos em estruturas para guardar a produção são fundamentais.

  • NO RADAR

    A Conab divulga hoje novos dados da safra. Devem apontar se a estimativa de redução de área de trigo, que era de 10%, será mantida ou muda. A chuva promete encolher ainda mais o espaço da cultura, mas esse reflexo só deverá aparecer no próximo mês.

  • FALTA PÔR NO PAPEL

    No discurso, as mudanças no crédito fundiário já ocorreram. Na semana passada, o governo anunciou, no Plano Safra da agricultura familiar, aumento do valor a ser financiado de R$ 80 mil para R$ 140 mil.
    Para que a modificação vigore, é necessário decreto com regulamentação, que ainda não saiu. Presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, o deputado Heitor Schuch (PSB) teve encontro com a equipe técnica do governo, para tratar desse assunto. Os detalhes estão sendo elaborados e devem serão apresentados ao Conselho Monetário Nacional, no fim do mês.
    – O casamento está marcado, precisa da noiva, mas ela ainda está na costureira – compara Schuch.

  • – 37 mil pessoas participaram de ações da programação do Dia do Vinho, realizada entre 19 de maio e 4 de junho. Ao todo, foram 14 eventos em 10 municípios no sul, sudeste e nordeste do país.
    – SANTA CATARINA E RIO GRANDE DO SUL REALIZAM AUDIÊNCIAS PÚBLICAS PARA DEBATER O PROJETO DE LEI QUE CRIA A POLÍTICA NACIONAL DE ERVA-MATE. NO ESTADO, O DEBATE SERÁ AMANHÃ NO SINDICATO RURAL DE ERECHIM.

    Fonte : Zero Hora