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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein O IMPACTO DO PARECER NAS DEMARCAÇÕES NO RS

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    Assunto delicado, o processo de demarcação de terras indígenas no Brasil ganhou novo capítulo a partir do parecer assinado pelo presidente Michel Temer. Dos pontos estabelecidos pelo documento, o que traz alteração profunda diz respeito ao marco temporal. Na prática, os indígenas poderão requerer terra desde que ocupassem a área pretendida à época em que foi promulgada a Constituição de 1988.
    Isso tem impacto direto sobre as solicitações pendentes. No Rio Grande do Sul, por exemplo, dos 28 processos em andamento, cinco teriam seu pedido rejeitado, segundo levantamento feito pelo deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS). As áreas são nas cidades de Nonoai, Água Santa, São Valério do Sul, Faxinalzinho, Benjamin Constant do Sul e Cacique Doble e reivindicadas pela etnia caingangue.
    A modificação foi bem recebida por entidades de produtores.
    – Certamente inibirá os processos de abertura de novas áreas e dará mais tranquilidade jurídica aos proprietários de áreas rurais – defende Paulo Ricardo Dias, presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Mas os novos parâmetros foram alvo de críticas por parte de instituições que trabalham com indígenas. Entres os questionamentos, o momento escolhido pelo presidente para assinar o parecer. Perto da votação em plenário da Câmara para autorizar a investigação de Temer pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o mandatário estaria em busca do apoio dos ruralistas e, por isso, optou por atender agora essa reivindicação antiga.
    – A bancada encontrou um momento favorável na conjuntura (política) para pressionar o governo, fazer essa chantagem de prometer votos e assegurar que a denúncia do Temer não vá (adiante) – afirma Roberto Liebgott, coordenador da regional Sul do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
    Heinze rebate, garantindo que não existe nenhum tipo de acordo:
    – O documento estava pronto desde abril. Mas houve o protesto dos índios e, depois, vieram as delações da JBS.

  • GRANDEZAS INVERSAS

    A safra de grãos cresceu a patamares históricos no Rio Grande do Sul neste ano, mas o mesmo não pode ser dito do rendimento financeiro dos agricultores. Levantamento dos índices de inflação do agronegócio feito pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mostra que, em 12 meses, os preços recebidos pelo produtor caíram 24,1%, o maior recuo desde o início da série histórica iniciada em 2010.
    – Isso vem ao encontro do relatório feito no ano passado, que mostrava que 2017 seria um ano de margens apertadas, e corrobora a máxima safra cheia, bolso vazio. A queda nos preços é maior do que a ampliação do volume produzido.
    O recuo nos valores é de um quarto. A safra não aumentou tudo isso – diz Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.
    Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Rio Grande do Sul (Aprosoja), Luis Fernando Fucks confirma que tem sido “muito apertado para o produtor fechar o ano”:
    – Tivemos três anos de safras boas, mas isso não foi suficiente para capitalizar o produtor. A safra foi cara e o preço não é remunerador.
    Os resultados da pesquisa também reforçam a tese da Farsul de que não existe relação entre o valor pago aos produtores e a inflação dos alimentos (veja gráfico acima).

  • MARFRIG PODE REABRIR FRIGORÍFICO

    Fechada em dezembro do ano passado, depois de vaivém que se arrastou por quase dois anos, a unidade de abate de bovinos da Marfrig em Alegrete, na Fronteira Oeste, poderá ser reativada. Representantes da empresa, incluindo o presidente, Martin Secco, estiveram no Rio Grande do Sul nesta semana. No local, trabalhavam 648 pessoas. A capacidade de abate era de 700 cabeças por dia.
    O secretário da Agricultura, Ernani Polo, confirma o encontro. Diz que a empresa apresentou três questões para serem trabalhadas – mas que não seriam condicionantes para a reabertura. Uma é a solicitação de mais prazo para a compensação de crédito presumido (desde o final do ano passado, tem de ser feita no mesmo mês). A Secretaria da Fazenda fará análise para ver se é possível alguma alteração – e caso ocorra, será estendida a todo o setor.
    Segundo Pedro Piffero, dirigente da Federação da Agricultura do Estado, os representantes da Marfrig sinalizaram interesse em fazer todos os ajustes necessários para, “no máximo, em setembro abrir a planta”. Oficialmente, a empresa confirmou, por meio de em nota, estar avaliando a possibilidade de reabertura.

  • DENTRO DO CALENDÁRIO

    O plantio de trigo está praticamente encerrado no Rio Grande do Sul, faltando apenas áreas localizadas nos Campos de Cima da Serra, cujo período preferencial termina no próximo dia 31. O espaço semeado chegou a 95%, segundo levantamento da Emater, ficando bem próximo à média para o período, de 96%.
    Depois de uma arrancada de ciclo marcada pelo excesso de chuva e pelo atraso nos trabalhos para o cultivo, foi possível recuperar o tempo perdido.
    Nesta semana, houve ocorrência de frio e geada que, no atual estágio de desenvolvimento, no entanto, não deve trazer prejuízos. As baixas temperaturas, na verdade, ajudam a proteger as plantas contra problemas como o oídio e a ferrugem.

  • Fonte : Zero Hora