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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein O EFEITO CHINA NO RIO GRANDE DO SUL

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    Asemana começou de um jeito diferente para a indústria de proteína animal do Estado. A decisão da China de retomar as compras do produto brasileiro mantendo a restrição apenas para as 21 plantas sob investigação teve duplo efeito.
    O primeiro foi de alívio, já que os chineses são grandes compradores de carne, sobretudo de aves. O segundo, de expectativa, uma vez que Hong Kong, outro importante importador, poderá seguir os mesmos passos e levantar a suspensão.
    – O posicionamento da China nos coloca em um cenário favorável. Hong Kong deve, nos próximos dias, se posicionar e retirar a suspensão. Aí, a coisa se encaminha para a suinocultura – estima Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do Estado (Sips).
    Hong Kong é o segundo principal mercado para este tipo de carne no país e tem peso maior para o Rio Grande do Sul do que a China – porque compra também carne com osso.
    Na indústria de aves, a sensação é igualmente positiva. O Estado tem cinco plantas habilitadas a vender para os chineses. O país asiático foi destino de 12% dos embarques brasileiros.
    – É uma retomada importante, porque temos empresas aptas a exportação que mudaram todo o plano de produção para atender a esse mercado – pondera José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    Apesar de o Estado ter apenas um frigorífico bovino habilitado à venda para a China, a suspensão das restrições daquele país é vista com alívio, conta Zilmar Moussalle, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Carnes e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sicadergs):
    – Os chineses são hoje um dos maiores compradores. O ritmo dos abates começará a voltar ao normal, para que os contratos sejam cumpridos.
    Há, no entanto, uma diferença entre estar apto e vender de fato. A Operação Carne Fraca lançou uma suspeita sobre o produto brasileiro e, em um primeiro momento, ainda pode haver uma certa lentidão nas encomendas.
    – A gente sabe que haverá retração tanto no mercado interno quanto no externo, mas com retomada rápida. É um período transitório. A coisa deve se estabilizar – opina Santos.
    O ano será de surpersafra e também de superfretes. O custo para levar o grão produzido até o porto de Rio Grande crescerá na casa de dois dígitos, mostra levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    – É um aumento muito grande. Nada subiu 26%, e houve queda nos preços das commodities – pontua Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.
    Afrânio Kieling, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística, diz que diversos fatores oneraram a atividade. O roubo de cargas, a má conservação das estradas, que gera custo adicional de manutenção, e os pedágios mais caros.
    – Com a recessão, as empresas foram reduzindo, segurando as tarifas. Só que chegaram em um momento em que não têm mais como segurar – complementa.
    A Farsul defende mudança estrutural, que envolva outros modais.
    – O Estado já teve sistemas hidroviário e ferroviário como grandes opções, mas que hoje estão em um plano de coadjuvantes – afirma Fábio Avancini Rodrigues, diretor da entidade. TRAJETO ONEROSO

  • NO RADAR

    A COMISSÃO Europeia deu sinal verde para que a Dow Chemical e a Dupont finalizem o processo de fusão, anunciado em dezembro de 2015. O valor de mercado das companhias, a partir do negócio, é estimado em US$ 120 bilhões.

  • A PARALISAÇÃO DOS SERVIDORES DO INSTITUTO RIO GRANDENSE DO ARROZ NÃO ESTÁ DESCARTADA, PARA PRESSIONAR O GOVERNO PELA GRATIFICAÇÃO DOS CONCURSADOS 121 PESSOAS. HOJE, HAVERÁ ASSEMBLEIA DA CATEGORIA.

  • MINISTRO LEMBRA QUEM É O CHEFE

    Durante cerca de três horas, todos os superintendentes do Ministério da Agricultura estiveram reunidos, ontem, com o titular da pasta, Blairo Maggi.
    O ministro só deu uma escapadinha para conceder entrevista coletiva.
    Durante a conversa , o tom não foi ríspido. Mas Maggi fez questão de deixar claro que, apesar de alguns superintendentes ainda serem indicações políticas, devem defender os interesses do Ministério da Agricultura e não de seus grupos políticos.
    A chamada do chefe veio depois da Operação Carne Fraca, que apura a corrupção de fiscais.

  • SUÍNOS VOLTARÃO A TER ALÍQUOTA REDUZIDA

    O governo do Estado acabou cedendo ao pedido que vinha sendo feito há meses pelos produtores de suínos. Ontem, no final do dia, decidiu manter a alíquota reduzida, de 6%, para a venda interestadual de animais vivos, em reunião da qual participaram o governador José Ivo Sartori, o vice-governador José Paulo Cairoli e os secretários da Fazenda, Giovani Feltes, e da Agricultura, Ernani Polo.
    O decreto que concedia o benefício havia vencido em 31 de dezembro. Desde então, os produtores independentes vinham pagando a tarifa cheia, de 12%.
    – Eles tinham uma dificuldade de mandar para fora com essa tarifa. Estava ficando pesado – explica Polo.
    Dessa vez, o governo fará projeto de lei para implementar a redução.
    Em 2016, a venda de suínos vivos para fora do RS chegou a 350 mil animais, 16,66% a mais do que no ano de 2015.
    Colaborou
    Karen Viscardi

  • Fonte : Zero Hora