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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein O custoso caminho da recuperação da imagem

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  • A abertura de um novo mercado para a carne costuma levar, em média, em torno de 10 anos. É preciso fazer muito esforço e gastar muita sola de sapato para garantir ao comprador que o Brasil reúne as condições necessárias para negociar seus produtos. Uma retomada, após um embargo, costuma ser menos longa, mas igualmente ou ainda mais trabalhosa. É preciso recuperar a confiança. Por enquanto, ainda é difícil prever quanto tempo levará para que os países que já anunciaram restrições normalizem as compras do Brasil.
    A grande expectativa do setor é de que, uma vez feitos todos os esclarecimentos pelo governo federal, as suspensões comunicadas sejam revertidas.
    – O estrago está feito e o restabelecimento da confiança depende de muita coisa, de esclarecimentos da polícia, de todos os envolvidos na questão. Já tivemos experiências de embargo, mas sem essa dimensão – afirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que reúne as indústrias de aves e de suínos.
    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, estimou que os estragos causados pela Operação Carne Fraca devem fazer com que o Brasil perca 10% do mercado externo de carne. Isso representa prejuízo anual de US$ 1,5 bilhão.
    – Para retomar, é bem sofrido. Temos um outro caso de cinco plantas de aves suspensas pela China. O calcanhar já está gasto e ainda não conseguiram retomar as vendas – reforça Turra.
    Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos e Derivados do Estado (Sips), diz que é impossível fazer uma projeção de quanto tempo levará a recuperação “porque ainda não se tem todos os reflexos no mercado internacional, o quadro ainda não está estabelecido”.
    – São coisas pontuais, que não representam a produção brasileira – completa, em relação aos problemas detectados pela operação.
    Mais otimista, o presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), José Roberto Pires Weber, estima que o país terá condições de reverter a situação em médio prazo – de um a dois meses.
    – Vai precisar de muito trabalho de convencimento. Vamos ter alguma dificuldade, mas não tanta porque estamos vendo que o que atrapalhou um pouco foi a Polícia Federal. Foram liberadas informações erradas.
    Há um fator que poderá ajudar o Brasil no trabalho de recuperação da imagem: é a necessidade dos mercados pelo nosso produto – o país é o maior exportador de carne bovina e de frango.
    – A médio e longo prazo se contorna porque há uma dependência comercial desses países – entende o consultor Fernando Velloso.


    Caipirinha no pão
    A posição estratégica, logo na entrada do pavilhão da agricultura familiar da 17ª Expoagro Afubra, aguçou os sentidos e despertou a curiosidade dos visitantes para um produto muito pecualiar: a geleia de caipirinha. Produzido pela agroindústria Casa do Sabor, de Paraí, na Serra, que participa pelo sexto ano da feira, o produto fez sucesso.
    A ideia de utilizar uma das mais típicas bebidas brasileiras como ingrediente surgiu há cerca de um ano, conta a produtora Arlete Pellegrini, 54 anos.
    Atraídos pela novidade, os consumidores têm uma pergunta frequente na ponta da língua.
    – Eles querem saber o que vai na geleia. É maçã, para dar consistência, limão e cachaça – conta Arlete.
    Outra dúvida frequente é se a geleia é ou não alcóolica. E a resposta é: não, porque durante o cozimento evapora.
    Cerca de 150 empreendimentos de mais de 70 municípios estão no pavilhão da agricultura familiar. Apesar do entusiasmo dos produtores, o sinal ruim de internet ainda é um limitador das compras feitas com os cartões.


    Perfil orgânico

    Para conhecer o consumidor de produtos orgânicos no Estado, seis universidades uniram forças para realizar uma pesquisa que ouviu 2.732 pessoas em 80 municípios. Um dos dados revelados é de que mais de 40% dos gaúchos passaram a incluir esse itens nas compras. E mais de 75% afirmam que são compradores frequentes.
    – A ideia é realizar esse estudo a cada dois, três anos. Foi um somatório de esforços para entender um pouco o consumidor gaúcho – explica Marlon Dalmoro, professor do Programa de Pós-Graduação em Sistemas Ambientais Sustentáveis da Univates.
    Dalmoro e o professor Wagner Junior Ladeira, do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), são coordenadores do projeto Barômetro Orgânico, responsável pelo levantamento.
    Outra constatação é a de que vegetais, hortaliças e frutas são os produtos mais comprados (veja mais detalhes da pesquisa no quadro ao lado).
    – Isso se deve ao fato desses itens serem de mais fácil acesso e de o consumidor enxergar neles o típico produto orgânico – complementa Dalmoro.
    Além de Univates e Unisinos, participaram do levantamento Universidade Federal do Pampa, Universidade de Santa Cruz do Sul, Universidade de Cruz Alta e Faculdade Anglicana de Tapejara.
    A renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social da Emater deve sair até o fim do mês, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. Na semana passada, quando adiantou a informação à coluna, o ministro Osmar Terra havia dito que a publicação deveria sair até hoje.


    México dá sinal verde
    O Brasil está apto a exportar arroz em casca para o México. A boa notícia foi dada ontem pelo Ministério da Agricultura daquele país a representantes da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) e do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
    Maior produtor nacional, o Rio Grande do Sul vinha batalhando por essa conquista.
    – Na primeira semana de abril, iremos para o México, tratar de detalhes – explica Tiago Barata, diretor comercial do Irga.
    Os mexicanos compram entre 600 mil e 700 mil toneladas de arroz por ano, a maior parte dos Estados Unidos. Nos últimos anos, vêm tentando diversificar os fornecedores. Já compram cerca de 150 mil toneladas da Tailândia e em torno de 90 mil toneladas do Uruguai.


    A RENOVAÇÃO DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DA EMATER DEVE SAIR ATÉ O FIM DO MÊS, SEGUNDO O MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E AGRÁRIO. NA SEMANA PASSADA, QUANDO ADIANTOU A INFORMAÇÃO À COLUNA, O MINISTRO OSMAR TERRA HAVIA DITO QUE A PUBLICAÇÃO DEVERIA SAIR ATÉ HOJE.

Fonte : Zero Hora