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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NOVO RECORDE NA PRODUÇÃO DO RS

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    Principal fonte de informações sobre a produção agrícola do Estado, a Emater presente em 495 municípios gaúchos apresenta hoje na Expodireto um retrato mais aproximado da colheita desta safra. Os números finais são guardados a sete chaves. Mas a coluna conversou com fontes e há algumas coisas que já podem ser ditas sobre o balanço.
    A primeira é a de que a safra será mesmo recorde, no total de grãos produzidos. Contribuiu para isso uma conjunção de fatores: o trigo teve boa produção e o arroz deve recuperar o patamar da normalidade – depois da quebra do ano passado. Além disso, o bom desempenho do milho e da soja tem surpreendido positivamente.
    No primeiro levantamento de safra feito pela Emater, a previsão era de uma colheita de soja de 15,84 milhões de toneladas – ante 16,18 milhões de toneladas do ciclo 2015/2016. A projeção foi feita em um momento diferente.
    – A gente tinha uma perspectiva de pouca chuva, e isso não se concretizou. Os números de agora serão melhores, sim – diz uma das fontes ouvidas.
    Ou seja, houve uma revisão para cima. Já se fala na possibilidade de colheita na casa de 17 milhões de toneladas para a soja. Tudo isso embalado pelo clima, que ajudou a florescer as lavouras Estado afora.
    – Que a safra é recorde, isso é líquido e certo. Não teve praga, não teve doença, choveu bem. Acho que fica nesse patamar de 17 milhões de toneladas – aponta outro técnico.
    Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS), Luis Fernando Fucks, as condições para o desenvolvimento das lavouras foram, de fato, ideais:
    – Neste ano, tivemos uma situação boa em todo o Estado, até nas áreas de várzea. Aposto em uma colheita de soja de 16,75 milhões de toneladas.
    A produção de milho, inicialmente prevista de 4,84 milhões de toneladas, também deve ser revisada.
    – O volume de milho tem surpreendido para cima. Acho que chegaremos a 5 milhões de toneladas. Os resultados foram acima do esperado em áreas com irrigação e nas de sequeiro onde não houve problemas – observa Claudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Estado (Apromilho-RS).

  • TARJA PRETA NO IRGA

    Servidores do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) planejam aumentar a mobilização contra o quadro de precariedade financeira do instituto e a promessa que se arrasta de gratificação para funcionários que ingressaram na autarquia em concurso realizado há três anos. A situação tem levado a instituição a perder pesquisadores para a iniciativa privada.
    Na sexta-feira, durante dia de campo em Camaquã, houve protesto silencioso. Uma tarja preta na manga da camisa, abaixo do símbolo do Estado foi usada.
    O presidente do Sindicato dos Servidores do Irga, Gilberto Acosta, diz que há dois anos não é honrada promessa de conceder gratificação de 50% sobre o vencimento básico desse grupo de servidores, hoje a maior parte do quadro de ativos, que serviria apenas para igualar à situação dos funcionários mais antigos. A proposta de gratificação está parada no Grupo de Assessoramento Estadual para Política de Pessoal (GAE) do Piratini. Segundo a Secretaria da Fazenda, onde funciona o colegiado, o processo está sob análise.

  • ENTROU NA VITRINE

    Tem estreia na Expodireto-Cotrijal deste ano. A empresa Simbiose, de Cruz Alta, participa pela primeira vez da feira. Especializada na criação dos chamados produtos de controle biológico (uso de bactérias, fungos ou vírus que agem diretamente sobre as pragas ou doenças) para as lavouras, a indústria busca um lugar ao sol em meio às grandes companhias de produtos químicos tradicionais.
    – Queremos estar mais expostos, ser mais uma opção ao produtor – afirma Marcelo de Godoy Oliveira, diretor geral da Simbiose.
    Espaço para crescer existe. Hoje, de todos os insumos utilizados nas lavouras, apenas 2% são de origem biológica. Mas o crescimento anual do mercado fica entre 15% e 20%.
    Um dos produtos da Simbiose que ficou conhecido foi o BT Control, utilizado no combate da Helicoverpa armigera, a temida lagarta que destrói plantações.
    No total, a empresa tem 70 itens no portfolio. E a ideia, segundo Oliveira, é apresentar alternativas de controle ao agricultor.

  • POUCOS, MAS BARULHENTOS

    Aproveitando a presença do governador José Ivo Sartori na cerimônia de abertura da Expodireto, um grupo do Ceprs de Carazinho resolveu protestar no parque. Os manifestantes traziam cartazes nos quais se liam frases sobre a luta por uma educação pública de qualidade. Também fizeram coro chamando o governador de caloteiro.
    – Até hoje não está cumprindo a lei do piso e segue parcelando o salário e o 13º – diz Nelson Von Grafen, diretor geral do 37º núcleo do Cpers de Carazinho.
    Ao ser perguntado sobre o fato de ter sido chamado de caloteiro, Sartori respondeu:
    – Caloteiro é quem produz calota. Não sou produtor de calota. Melhor receber em outras condições do que não receber nada.

  • MAIS SEGURANÇA

    O prefeito de Não-Me-Toque, Armando Roos (PP), deu o que falar na cerimônia de abertura da Expodireto. O gestor bateu firme na falta de segurança no campo. Em dois dias, segundo Roos, foram roubados 20 GPS de máquinas em lavouras da região:
    – Dezenas de municípios não têm sequer um brigadiano na cidade.
    O governador José Ivo Sartori, reconheceu as dificuldades na área da segurança e citou ações voltadas ao setor — como a municipalização de câmeras e aumento do efetivo de policiais militares até a metade do ano.

    Fonte : Zero Hora