CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NOVO PRAZO PARA A NOTA ELETRÔNICA SAIR DO PAPEL

 

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    Os produtores rurais ganharam mais prazo para a obrigatoriedade do uso da nota fiscal eletrônica (NF-e). A exigência, que entraria em vigor no próximo dia 1º, foi adiada para 1º de janeiro de 2019. Integrados das indústrias, no entanto, precisarão se adequar antes: até outubro deste ano. A nota substituirá o talão do produtor anualmente, são mais de 8 milhões de notas fiscais, com custo de R$ 3,5 milhões ao Estado.
    A decisão da Secretaria da Fazenda, conforme antecipou ontem a coluna, foi tomada depois de verdadeira romaria de representantes de entidades pelos gabinetes da pasta. Na ponta da língua, o principal argumento para o postergamento: o ineficiente ou inexistente sinal de internet no interior do Estado. Há ainda a necessidade de treinar os agricultores para que possam utilizar o meio eletrônico.
    A prorrogação deverá ser publicada no Diário Oficial nos próximos dias.
    – Era um pedido nosso. Nesses dois anos que se ganhou de tempo, entendemos que se avance em muito a internet no meio rural – afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
    O Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS), no entanto, defende a eliminação da nota fiscal ao produtor. Segundo o presidente Alexandre Guerra, a nota é emitida e depois a indústria faz nova emissão sobre o mesmo produto, o que torna o processo burocrático e tira a competitividade.
    O deputado estadual Elton Weber (PSB) avalia que o prazo extra dado agora ajuda e alivia a tensão, mas não resolve todos os problemas relacionados ao tema. O parlamentar é autor de projeto de lei (PL 34) que faz reenquadramento do microprodutor rural – que ficaria isento da nota até 2019 –, ampliando os limites de renda anual de R$ 257,16 mil para R$ 432,03 mil. O texto foi aprovado com 46 votos, mas teve veto do governador José Ivo Sartori. Agora, será levado ao plenário.
    – Vou trabalhar para derrubá-lo. A realidade do microprodutor em valores de vendas há 20 anos era muito diferente da de hoje. Esse aumento de volume anual precisa ser atualizado – enfatiza Weber.
    Outra questão importante é cobrar das operadoras responsáveis que deem a estrutura de internet no tempo certo. Do contrário, em 2019, estaremos discutindo o mesmo problema de falta de qualidade do sinal no campo. Esse tema estará na pauta, hoje, em audiência pública no Plenarinho.

  • BAIXA ACENTUADA

    A queda dos preços durante a entrada da safra é um movimento normal do mercado. Mas o fenômeno que está acontecendo com o arroz nesta temporada causa preocupação para entidades do setor.
    Em apenas 15 dias, o cereal se desvalorizou quase 10%, segundo o diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Barata. E o que provoca mais estranhamento ainda é o fato de isso ocorrer sem produto, porque apenas 11,3% da área já foi colhida. O valor da saca de 50 quilos, segundo o Cpea/Esalq era de R$ 42,49 na terça-feira.
    – Tem regiões que nem começaram a colher, outras que colheram minimamente. Acreditamos que essa baixa de preços é especulação. Não há oferta abundante – observa Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações dos Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).
    A especulação teria relação com as notícias de supersafra, que no arroz não ocorrerá, afirmam Dornelles e Barata. A projeção de 8,4 milhões de toneladas fica dentro da média dos últimos cinco anos, descontado 2016, quando houve quebra da produção. Essa redução também justifica a alta de 15,2% para a colheita deste ano.
    O diretor comercial do Irga diz que a surpresa com relação à redução acentuada de preços vem também porque o estoque de passagem é o mais baixo dos últimos 18 anos – 365 mil toneladas. A estimativa era de que houvesse maior sustentação dos valores.
    – Sendo uma produção normal, esperávamos que o mercado fosse se comportar de forma normal. O que causou estranheza é que a desvalorização ocorreu antes da entrada da atual safra – acrescenta Barata.
    A maior preocupação é que essa baixa atinja principalmente produtores que não conseguem segurar a oferta, ou seja, diluí-la ao longo do ano. É o caso de arrozeiros que estão fora do sistema de crédito oficial.

  • DUAS VEZES NO CLUBE DO BILHÃO

    A Cooperativa Tritícola Sarandi (Cotrisal) pegou gosto pelo seleto grupo do segmento com faturamento superior ao bilhão. Depois de, em 2015, somar R$ 1,18 bilhão, no ano passado subiu a régua e chegou a R$ 1,24 bilhão.
    O resultado líquido de 2016 foi de R$ 70,28 milhões. Para Walter Vontobel, presidente da cooperativa, os melhores preços dos produtos agrícolas e o grande volume de grãos recebido são as razões para o bom resultado financeiro. Para 2017, a Cotrisal estima receber 10% a mais de soja e 100% a mais de milho.
    – Mas o faturamento deverá cair, em função do dólar e do preço das commodities – projeta Vontobel.
    A Cotrisal tem 9,5 mil associados e 1,3 mil funcionários e, além do recebimento de grãos, tem fábrica de ração, supermercados e lojas de varejo.
    Nos próximos 15 dias, missão do setor produtivo do arroz no Estado irá ao México, com o intermédio do Ministério da Agricultura. O objetivo é acelerar a abertura de mercado ao produto brasileiro.

  • CESA COMEÇA A VENDER UNIDADES

    A Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) deu início ao processo de venda de suas unidades. Já há edital aberto para a planta de Júlio de Castilhos, que hoje está arrendada. A modalidade é de concorrência e o recebimento dos envelopes com as propostas está previsto para o dia 11 de abril.
    O preço mínimo do imóvel é de R$ 6,78 milhões. A unidade de Júlio de Castilhos tem capacidade de armazenagem de 38,5 mil toneladas. A direção da companhia havia sinalizado uma lista de outras unidades que também serão colocadas no balcão de negociação. É o caso de Santa Rosa, Cruz Alta, Nova Prata, Passo Fundo e Santa Bárbara.

    Fonte: Zero Hora