CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NOVA PROVA DE FOGO PARA O LEITE

 

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    O Projeto de Lei (PL) que regulamenta produção, transporte e venda de leite no Estado vai passar por sua grande prova de fogo amanhã, quando precisa ser votado na Assembleia Legislativa a menos que o quórum não permita. Em regime de urgência, começa a trancar a pauta nesta terça. Até lá, seguirão sendo feitas costuras que garantam aprovação ou evitem a avaliação da proposta do Executivo.
    Hoje, a Comissão de Agricultura reúne parlamentares e o secretário da Agricultura, Ernani Polo, para discutir o texto e também as quatro emendas apresentadas pelo deputado Vilmar Zanchin (PMDB). Nota técnica foi elaborada pela Secretaria da Agricultura contrapondo os argumentos dos acréscimos.
    Zanchin entende que, pelo menos, uma questão não deve ser derrubada. É a da implementação do rastreamento eletrônico do leite, de forma gradual:
    – Se não colocarmos isso em lei, pode levar muito mais tempo um sistema de rastreabilidade.
    A manutenção das emendas não é, no entanto, prerrogativa para que o parlamentar vote de forma favorável ao projeto de lei.
    Um dos articuladores para a construção do atual texto, Gabriel Souza (PMDB) protocolou requerimento de preferência para que a proposta do governo seja votada antes das emendas. Na prática, faz com que sequer sejam apreciadas, em caso de aprovação do PL. Basta haver maioria simples.
    – Precisamos manter o texto original ao máximo, é resultado de discussões com todo o setor – avalia Souza.
    Visão diferente tem o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT). Ele é um dos quatro autores de outro projeto de lei que tramita na Assembleia sobre o mesmo tema – e trabalhará pela derrubada do regime de urgência. Para o parlamentar, o texto atual tem dois grandes problemas. O primeiro é a determinação para que as empresas – e não o Estado – façam o cadastramento dos transportadores. O outro, acrescenta, “é a ausência do conceito de fraude”:
    – A questão mais importante é a da fraude. O problema de autoria é uma questão menor, embora seja uma atitude indelicada a do governo de apresentar novo texto.
    Como o governo tem maioria, é provável que as condições hoje na mesa sejam aprovadas.

  • PARA BAIXO

    A safra gaúcha de grãos não será a mesma. Levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) corrobora projeções de que a colheita encolherá no ciclo 2015/2016, somando 30,25 milhões de toneladas, abaixo da safra recorde 2014/2015 (de 31,63 milhões de toneladas).
    Pesará no resultado a redução entre o volume de trigo previsto no início do ciclo e o efetivamente produzido – o 1,49 milhão de toneladas é 34% menor do que o esperado. Para piorar, a qualidade também será reduzida.
    – Só 2006 foi pior. A informação é de que nem 30% chega a ter qualidade tipo pão – pondera Glauto Melo Lisboa Júnior, superintendente da Conab no RS.
    Nem mesmo a Emater, que trabalha com dados mais conservadores, previa um tombo tão grande. A colheita também ficou 34% abaixo da esperada.
    – Pelo cenário atual, a redução de área em 2016 será drástica. Na hora de decidir, o produtor olha para a safra anterior – diz Claudio Dóro, gerente regional adjunto da Emater em Passo Fundo.
    Para Dóro, a área pode ficar entre 700 mil e 750 mil hectares. Por ora, o mercado também não tem ajudado. O preço da saca na região de Passo Fundo está em R$ 19 – abaixo dos R$ 34,98 do preço mínimo do trigo tipo 1, classe pão.
    HERMANOS CAMBIANDO
    O novo governo argentino promete anunciar em breve o fim dos impostos cobrados para a exportação de milho e de trigo.
    – Com exceção da soja, em que manteremos retenções de 30%, vamos retirá-las todas. É um péssimo imposto para a produção – afirmou recentemente o ministro da Agricultura, Ricardo Buryaille.
    O objetivo é colocar no mercado grãos estocados, fazendo caixa no curto prazo, em dólares, com as exportações. A Argentina é um dos principais fornecedores externos de trigo para o Brasil, que não é autossuficiente na produção e precisa importar, anualmente, entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas do cereal.
    NO RADAR

    COM A HABILITAÇÃO de 12 novos frigoríficos de aves e de suínos para embarques à China, a perspectiva é de engrossar ainda mais o caldo das exportações. Na lista, estão quatro unidades localizadas no Rio Grande do Sul: BRF de Marau, Agrosul, Aurora e Alibem. A expectativa da Associação Brasileira de Proteína Animal é de que em breve outras seis recebam autorização.

    Depois do debate sobre a produção de terneiros, a Farsul irá se debruçar sobre o tema Para Onde Irão os Novilhos? em 2016. Com isso, quer focar em terminação do gado de corte, mercados e qualidade da carne produzida no Estado.
    MAIS UMA NO CLUBE DO BILHÃO

    A cooperativa Languiru, de Teutônia, está cheia de motivos para comemorar. Além de celebrar 60 anos, chegou à casa do bilhão. Em novembro, alcançou faturamento bruto de R$ 1 bilhão e deve fechar 2015 com mais de R$ 1,1 bilhão.
    – É um número bastante expressivo. Nosso faturamento bruto tem evoluído consideravelmente a cada novo exercício – observa o presidente Dirceu Bayer.
    Em 2002, a cooperativa somou R$ 140 milhões. Dez anos depois, havia chegado a R$ 641 milhões e, no ano passado, teve faturamento bruto de R$ 970 milhões.
    Na semana passada, a coluna mencionou a performance da Cotrisal, que também faturou o primeiro bilhão. Em tempos de crise, notícias como essas são mais do que bem-vindas.

  • Fonte : Zero Hora