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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NO TEMPO DA EXPOINTER

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Será preciso driblar obstáculos para que a 38ª Expointer, a ser lançada hoje, no Palácio Piratini, tome a forma necessária até o dia 29 deste mês. Apesar da corrida contra o relógio, não se cogita a hipótese de atraso ou não realização do evento.

– Essa é uma Expointer da superação e bastante desafiadora – reconhece o secretário da Agricultura, Ernani Polo.

Entre os ajustes necessários, está o PPCI do parque. Ontem, a empresa habilitada para a elaboração – o contrato deve ser finalizado ainda hoje –, a direção do parque e o secretário sentaram-se à mesa com o 8º Comando Regional de Bombeiros para tratar do tema.

– A legislação nos dá 30 dias para avaliação do PPCI, mas a feira é uma prioridade, é possível fazer em cinco dias – afirma o tenente-coronel Darlan da Silva Adriano.

Traduzindo, no que depender do esforço dos bombeiros, sai a liberação a tempo da feira, com as garantias de segurança ao público.

No que diz respeito aos negócios, é quase consenso entre entidades e a própria secretaria que será difícil chegar ao resultado de 2014, de R$ 2,72 bilhões. Principalmente pelo indicativo de feiras importantes do calendário do agronegócio nacional já realizadas. A Expodireto, em Não-Me-Toque, fechou com queda de 32%. A Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), com 30%.

– O produtor fica mais cauteloso, mas as condições da feira para negócios são favoráveis – diz Polo.

Para Francisco Schardong, presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), a aposta é na pecuária como a grande estrela da Expointer deste ano:

– A feira é uma vitrine tecnológica. Vai ditar preços e tendências de compra para as 32 feiras realizadas depois.

Ontem, às vésperas do lançamento, a principal dúvida era se o governador José Ivo Sartori, que foi a Brasília para reuniões com ministros do Supremo Tribunal Federal, retornaria a tempo de participar da cerimônia. Em maio, Sartori esteve em Paris lançando a exposição.

NAVEGANDO PELA FEIRA
 
Entre as novidades a serem apresentadas no lançamento da 38ª Expointer, está o aplicativo que permitirá aos visitantes ficar, literalmente, com a feira na palma da mão. Disponível para os sistemas iOS e Android, o recurso trará informações sobre programação, mapa, notícias, indicadores, história da exposição, clima, contatos. Também haverá uma lista com destaque para as 10 atrações imperdíveis. Será possível, ainda, obter a rota para o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O aplicativo estará disponível para ser instalado a partir do próximo dia 21.

NO RADAR
A CEREALISTA gaúcha Marasca e a cooperativa paranaense C.Vale, que acabam de anunciar uma de parceria, irão percorrer municípios onde a empresa tem atuação para dar detalhes da associação entre as duas marcas. O primeiro encontro foi ontem em Cruz Alta. Em 2014, a Marasca faturou R$ 1,2 bilhão. A C.Vale, R$ 4,6 bilhões.

ABASTECENDO O PLANETA
 
O Brasil é peça-chave no desafio global de aumentar em 80% a produção de alimentos até 2050, quando a população mundial terá chegado a 9,7 bilhões de pessoas, como mostra relatório feito pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O tema pautou os debates, ontem, no Congresso Brasileiro do Agronegócio, em São Paulo. Para Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil, o país deve se tornar líder em embarques:

– Se hoje é o segundo maior exportador global de alimentos, em volume, em 10 anos, pode se tornar o número 1 no ranking, em volume e valores.

Para saciar a fome do planeta, será necessário focar em produtividade, com sustentabilidade ambiental e “redução da pobreza e desigualdade”.

Bojanic acrescenta que o aumento da produção brasileira também ganhará um empurrãozinho de outros fatores:

– Os preços das principais commodities devem manter tendência de queda, a renda da população mundial deve continuar crescendo, os mercados da Ásia e da África continuarão em expansão, haverá forte demanda pela produção de biocombustíveis e a depreciação da taxa de câmbio será uma constante.

RECORDES DA SANIDADE
Os resultados das exportações de proteína animal no mês de julho refletem a segurança que o Brasil inspira no mercado externo pelo fato de estar com a sanidade em dia. Leia-se longe de doenças como a gripe aviária, que atinge 40 países, entre os quais os Estados Unidos.

– Só estamos tendo recordes por causa da sanidade – afirma Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Ontem, dados divulgados pela entidade mostram que os embarques de carne suína atingiram maior volume mensal dos últimos cinco anos em julho: 54,9 mil toneladas.

O novo corte de orçamento determinado ao Ministério da Agricultura, de 15%, representa R$ 56,5 milhões, que atingem todas as áreas da pasta.
Fonte : Zero Hora