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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein NEGOCIAÇÕES DO PLANO SAFRA ATÉ O ÚLTIMO MINUTO

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    Oanúncio oficial do Plano Safra da Agricultura empresarial está marcado para hoje. Embora grande parte das condições já estivesse estabelecida, o vaivém das negociações se estendeu noite adentro. Deputados da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) estiveram reunidos com o ministro interino da Fazenda, Eduardo Guardia.
    Saíram do encontro confiantes de que alguns pedidos deverão ser atendidos. É o caso da liberação de crédito para que as cerealistas possam investir em armazenagem. A Fazenda sinalizou que R$ 300 milhões serão colocados à disposição, explica o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), com condições iguais ao Programa para Construção e Ampliação de Armazenagens (PCA), voltado às cooperativas.
    Se confirmado, será uma boa notícia. Em ano de supersafra, o Rio Grande do Sul, por exemplo, teve de deixar soja a céu aberto. A ausência de financiamento específico é apontada pelas empresas que recebem grãos como um obstáculo aos investimentos em estruturas para guardar a produção.
    O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) diz que outro ponto abordado foi o dos valores destinados seguro rural.
    A reivindicação é para que o governo coloque R$ 550 milhões à disposição no ciclo 2017/2018.
    Sobre as taxas de juro, o destino parece mesmo selado. As linhas de custeio e de investimento terão redução de um ponto percentual. A exceção serão os financiamentos do PCA e o Inovagro, que terão corte de dois pontos percentuais cada.
    – Nossa expectativa era de um corte maior. O governo poderia ser mais sensível com esse setor – lamenta Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    O montante a ser liberado deve ficar entre R$ 186 bilhões e R$ 188 bilhões, um pouco acima do valor do ano passado. A exemplo do que ocorreu no anúncio da agricultura familiar, poucas surpresas são esperadas.

    TEMPO ABERTO
    Se nas lavouras o mau tempo não dá trégua, na indústria de máquinas agrícolas se consolida um clima ensolarado, de bons negócios. Nos primeiros cinco meses deste ano, o número de unidades negociadas cresceu 28,7%, somando 17,3 mil , apontam dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
    Na comparação entre maio de 2017 com igual mês do ano passado, também houve avanço de 16,4%, com 4,1 mil equipamentos comercializados. Há que se considerar, no entanto, que a base de comparação é baixa. Olhando para os cinco primeiros meses do ano, a performance do segmento ainda está abaixo da média histórica dos últimos 10 anos, que é de 23,1 mil unidades.
    – O mais relevante é a tendência de aumento registrada a cada mês – avalia Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea e executiva da AGCO.
    A dirigente destaca, além da recuperação, a oferta estável de recursos para os financiamentos de máquinas e equipamentos agrícolas como outro fator positivo. Segundo Ana Helena, diferentemente de outros anos, quando faltava dinheiro, no atual ciclo, os aportes foram feitos antes que as linhas se esgotassem. Pesou ainda, de forma favorável à indústria, a supersafra colhida nos campos.
    Com as vendas retomadas, também há movimento de contratação de mão de obra para a produção, embora não em volume significativo.
    A expectativa com relação ao Plano Safra, que será anunciado hoje, é positiva. Sobre o corte esperado de pelo menos um ponto percentual para as linhas de investimento, a executiva observa:
    – Vai significar um alento ao produtor.

  • ASSISTÊNCIA NO LEITE

    Considerada um dos gargalos da produção de leite, a assistência técnica estará no centro do debate que será realizado hoje no primeiro dia de programação do 14º Simpósio de Leite – que reúne ainda a 6ª Mostra de Trabalhos Científicos e o 8º Fórum Nacional de Lácteos. O evento vai até amanhã e é realizado no Polo de Cultura da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim. Cerca de 800 pessoas, entre produtores, professores e acadêmicos, são esperados.
    – Falta gente e mão de obra para trabalhar no campo, para realizar a assistência técnica. Além disso, cada um fala uma linguagem diferente – afirma Walmor José Vanz, coordenador do evento e presidente da Associação de Médicos Veterinários do Alto Uruguai.

  • À BASE DE PROTEÍNA

    A compra de nove unidades da JBS Mercosul, anunciada ontem, promete fortalecer a Minerva Foods no mercado de carnes. A começar pela capacidade diária de abates, que será ampliada em 50%, passando de 17,3 mil cabeças para 26,4 mil. No negócio, entram três plantas no Paraguai, uma no Uruguai e cinco na Argentina.
    – Você vê o frigorífico ganhando músculo – avalia Alex Lopes, da Scot Consultoria.
    Uma das líderes na América do Sul em produção e venda de carne bovina, couro e exportação de gado em pé, a Minerva é a segunda maior exportadora brasileira. Tem atuação, ainda, no processamento de suínos e bovinos e vende para mais de cem países.
    Sobre os efeitos da compra no cenário brasileiro, Lopes diz que dependerá de como será feita a operacionalização e o intercâmbio de produtos com essas unidades:
    – A Minerva já tinha plantas no Mercosul e, eventualmente, traziam produtos de valor agregado para o Brasil. Para o RS, pode haver concorrência em termos de colocação de carne de qualidade no mercado.

  • NO RADAR

    A Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) está novamente com presidente interino. Em assembleia extraordinária do conselho de administração, ontem, Claudio Cava Correa foi escolhido, mais uma vez, para ficar no cargo enquanto o titular Carlos Vanderley Kercher estiver afastado. Essa é a segunda vez que liminar determina que ele deixe a função. O advogado da Cesa deve recorrer ainda nesta semana da decisão.


    BIOSSEGURIDADE, BEM-ESTAR ANIMAL E USO PRUDENTE DE ANTIMICROBIANOS SERÃO OS TEMAS DEBATIDOS NO 1º SEMINÁRIO TÉCNICO DA SUINOCULTURA, QUE OCORRE EM MEIO À PROGRAMAÇÃO DA SUINOFEST, EM ENCANTADO, NA SEXTA-FEIRA, DIA 9. O EVENTO É PROMOVIDO PELO CONSELHO TÉCNICO OPERACIONAL DA SUINOCULTURA DO FUNDO DE DESENVOLVIMENTO E DEFESA SANITÁRIA ANIMAL (FUNDESA).

  • Fonte : Zero Hora