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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein MUITA CONVERSA E POUCA DEFINIÇÃO

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O governo do Estado tem reiterado que está aberto ao diálogo quando o assunto é o projeto de lei (PL) 214, que reduz em até 30% o crédito presumido das indústrias. Na prática, no entanto, quanto mais a proposta se arrasta na Assembleia Legislativa, mais difícil de prever qual será o desfecho. Ontem, o tema era o terceiro da ordem do dia, mas em reunião de líderes, optou-se por não realizar votação.
– Estamos dando tempo para discussão – afirma o líder do governo, deputado Gabriel Souza (PMDB).
Mas lá se vão dois anos desde que o texto foi protocolado. Esteve em regime de urgência, depois voltou à normalidade e agora está com prazo determinado para a votação – passou a trancar a pauta.
Um dos muitos segmentos preocupados com a questão, a indústria de leite quer voltar a apresentar seus argumentos diante da Comissão de Agricultura amanhã.
– Mais uma vez repetimos: não existe espaço para nenhum tipo de redução. Diminuição de crédito é o mesmo que aumento de imposto – entende Alexandre Guerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS).
Como 60% da produção de leite vai para fora do Estado, qualquer alteração na tributação pode se converter em perda de espaço em mercados importantes.
– A manutenção dos créditos presumidos se impõe em razão da necessidade de manter a competitividade em relação a outros centros produtores – acrescenta Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos do RS (Sips).
Kerber afirma que o setor se mantém permanentemente organizado na tentativa de impedir que a redução dos créditos presumidos se concretize. E se agarra à promessa feita pelo governo de que, diante de aprovação do texto na Assembleia, fará avaliação individual de todos os setores, para só então tomar decisão final.
– Temos a certeza de que o setor de proteína animal não deverá sofrer qualquer restrição – completa o diretor-executivo.
Outros dois pontos precisam ser considerados. Um é o projeto de recuperação fiscal dos Estados, proposto pelo Planalto e que exige como contrapartida redução anual de 10% dos créditos presumidos. O outro é a convicção de muitos de que, colocado em votação, o projeto estadual não seria aprovado, recebendo votos contrários inclusive da base aliada do governo Sartori.
Quanta mais próximo da votação, mais indefinido fica o PL 214.

  • DO PRATO AO PASTO

    Uma visão diferente da produção será oferecida no cardápio da 91ª Etapa do Fórum Permanente do Agronegócio, que ocorre amanhã e sexta-feira em Santana do Livramento, com o tema De Onde Virão os Terneiros?. Coordenador estadual de pecuária de corte do Sebrae, Roberto Grecellé é um dos palestrantes do evento realizado pelo Sistema Farsul, e quer inverter a lógica tradicional de pensamento, do pasto ao prato:
    – Olho a cadeia do prato ao pasto. Se entendermos os diferentes tipos de carne que existem a partir dos diferentes tipos de consumidores, temos como determinar o tipo de gado que é necessário.
    É o que o coordenador chama de “linha de desmontagem do boi”, que parte da necessidade do cliente e vai voltando no processo, até chegar no terneiro.
    – Por anos, existiram atributos que diferenciam as carnes: maciez, preço, qualidade microbiológica e aparência. Hoje, as três que mais importam são maciez, maciez e maciez – complementa Grecellé.
    O recado que será dado é o de que é preciso reforçar a necessidade de qualificação do terneiro para garantir a carne do Rio Grande do Sul, “que é diferenciada”.
    – A busca por informações é uma demanda do produtor, que está solicitando esse tipo debate – diz João Augusto Telles, chefe da divisão técnica do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS).
    No primeiro dia da programação, serão feitas visitas a propriedades. No segundo, é a vez dos especialistas falarem sobre o tema, no centro de eventos do parque de exposições da Associação Rural de Santana do Livramento.

  • INFLACIONADOS PELA CHUVA

    Mesmo com o retorno do tempo seco, ainda vai demorar para que a produção e o fornecimento de hortigranjeiros do Estado sejam normalizados. Aílton Machado, diretor técnico operacional da Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasa-RS), diz que será necessário pelo menos mais um mês. Até lá, o consumidor continuará sentindo no preço os efeitos da chuva. Na última semana, conforme levantamento da Ceasa, as maiores altas foram do brócolis, de 24%, e da couve-flor, de 20%. A alface registrou aumento de 11%.
    No acumulado das últimas semanas, no entanto, a folhosa teve aumento de cerca de 300% – a caixa com uma dúzia, no atacado, pulou de R$ 5 para até R$ 20.

  • NO RADAR

    Depois de tentar negociar com o governo, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) quer levar a discussão do Funrural para o plenário. O presidente da FPA, Nilson Leitão (PSDB-MT), afirmou que caso o governo publique medida provisória agora, o debate de detalhes será levado para o Congresso.

  • PRESIDENTE DA CESA SEGUE AFASTADO

    A Justiça manteve a determinação de afastamento do presidente da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), Carlos Vanderley Kercher. O departamento jurídico da companhia havia entrado com recurso, solicitando a suspensão dos efeitos de liminar, mas o pedido foi negado.
    A medida decorre de ação civil movida pelo Ministério Público (MP). No final do mês passado, a 2ª Vara da Fazenda concedeu, pela segunda vez, liminar que estabelecia o afastamento de Kercher. O MP entende que ele não pode ocupar cargo público por não ser ficha limpa – está inelegível até 2022, após condenação por captação ilícita de votos e abuso de poder econômico na eleição de Tupandi, em 2012. Prefeito de 2009 a 2012, reelegeu- se, mas teve o mandato cassado.
    A FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES ASSALARIADOS RURAIS DO RS COMEMOROU A REJEIÇÃO DO RELATÓRIO DA REFORMA TRABALHISTA NA COMISSÃO DE ASSUNTOS SOCIAIS DO SENADO, ONTEM. O PRESIDENTE NELSON WILD AFIRMA QUE QUANTO MAIS O GOVERNO TEMER MERGULHA EM DENÚNCIAS E ACUSAÇÕES DE CORRUPÇÃO, MAIS A BASE GOVERNISTA SE MOSTRA FRAGILIZADA NOS CONVENCIMENTOS E ARGUMENTOS DO PROJETO.
    O volume de carga de arroz roubada no primeiro trimestre deste ano no país, segundo a Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), é de 500 toneladas e não de 500 mil toneladas, o que faz acumular prejuízo de R$ 1 milhão.

    Fonte : Zero Hora