CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein MUDANÇA PARA DAR MAIS RITMO

 
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    Ao conceder maior autonomia para as 19 supervisões regionais da Secretaria da Agricultra, uma normativa que acaba de ser publicada poderá dar um empurrãozinho e ajudar a acelerar o ritmo do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-RS). A ferramenta, criada por lei para permitir que o produtor possa vender fora do município de origem, ainda esbarra em obstáculos.
    Na prática, a alteração de agora dá maior poder a essas estruturas locais para organizar o calendário das auditorias presenciais. O pedido para a inclusão do município no sistema seguirá sendo feito via secretaria. Depois, será repassado às regionais, o que, em tese, dá maior agilidade no processo.
    – A expectativa é que tudo se resolva em até 30 dias – estima Vilar Gewehr, chefe substituto do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal.
    Atualmente, dos 497 municípios do Rio Grande do Sul, quase 180 solicitaram adesão ao Susaf-RS. Desses, apenas 10 obtiveram a habilitação – o mais recente é Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo.
    Conforme o coordenador do Susaf na secretaria, Diego Viedo Facin, existem 13 fiscais habilitados a fazer as auditorias presenciais – a análise de documentos seguirá sendo feita em Porto Alegre.
    – Vamos ter de esperar para avaliar. Mas a expectativa é de que, com a mudança, o processo fique mais rápido.
    Neste ano, segundo Facin, quase 70 auditorias foram realizadas. E o número de municípios habilitados dobrou: passou de cinco para 10. Ainda assim, um número tímido diante do universo existente. Autor da lei que criou o Susaf-RS, o deputado Edegar Pretto (PT) afirma que “tudo que o Estado puder fazer para dar agilidade” é bem-vindo.
    – Falta ser uma prioridade. Os municípios têm de compreender isso. Em muitos casos, é realmente a falta de interesse. Fazem o pedido, mas não a sua parte – fala Pretto, sobre o por que de o mecanismo não ter deslanchado com força.
    Sem essa ferramenta, o produtor ou a agroindústria precisam pedir autorização toda vez que querem participar de uma feira fora de casa, por exemplo. Para que essa equação seja resolvida o mais rapidamente possível, é preciso haver uma soma de esforços.

  • SEMENTES DE OPORTUNIDADES

    Florescendo com vigor, longe da crise, a Isla Sementes deve fechar o ano com invejável crescimento de 20% a 25%. O bom momento do negócio alimenta o projeto de ampliação de 40% da área total da empresa, localizada na zona norte da Capital. Está tudo pronto para as obras começarem. Só falta o licenciamento pela prefeitura da Capital.
    Sexagenária e pioneira no país ao trabalhar com a produção de sementes de hortaliças, flores, temperos e ervas medicinais, a Isla é comandada por jovem Diana Werner, de 33 anos. Aos 22 anos, ainda estudante do curso de engenharia de produção, ela teve de assumir o comando do negócio após a morte do pai.
    Hoje, a dedicação da profissional ajuda a empresa a colher bons frutos. Tanto que Diana foi uma das 10 mulheres reconhecidas pela Comissão das Produtoras Rurais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) (veja ao lado) com o troféu destaque feminino, na categoria empreendedora. A homenagem foi entregue em cerimônia ontem.
    Ao lado de outras líderes do setor, a presidente da Isla também falou sobre o tema Transformar as Dificuldades em Oportunidades.
    – Tenho a crença de que quando a gente se identifica com a responsabilidade, ela se torna um prazer – entende Diana.
    Para 2016, a projeção é de “um crescimento mais orgânico” à empresa.

  • AS HOMENAGEADAS

    -Responsabilidade social: Lívia Pinzon de Carvalho
    -Produtora parceira: Shirlei Souza de Oliveira
    -Jornalista: Kellen dos Santos Severo
    -Pioneirismo: Carla Sandra Schneider
    -Liderança: Elizabeth Cirne Lima
    -Empreendedora: Diana Werner
    -Empresária: Tatiana Matiotti
    -Pesquisadora: Cláudia Lange
    -Tradição: Iolanda Gomes
    -Técnica: Suzana Macedo Salvador

  • NO RADAR

    JÁ É TEMPO de Expodireto 2016. Estão abertas, até 11 de dezembro, as inscrições para expositores da agricultura familiar que queiram participar do pavilhão na feira de Não-Me-Toque e também na Expoagro-Afubra, em Rio Pardo. São 365 espaços disponíveis nos dois eventos. Os interessados devem procurar os sindicatos dos trabalhadores rurais de cada município e passarão por um processo seletivo.

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    NÃO é só da venda de reprodutores que é feita a temporada de remates de primavera do Estado. Levantamento feito pelo Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler-RS) mostra que neste ano, entre terneiros, terneiras e novilhas, 12.953 animais foram vendidos, somando R$ 16,14 milhões. Nos terneiros, a média do quilo vivo ficou em R$ 5,50, ante R$ 5,15 em 2014.

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    O plantio de soja no Brasil avançou para
    78,7%
    mostra o mais recente levantamento realizado pela consultoria Safras & Mercado. Ainda é um pouco abaixo da média dos últimos cinco anos, que era de 87%. No Rio Grande do Sul, soma 58%.

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    A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE CAVALOS CRIOULOS (ABCCC), ACABA DE OFICIALIZAR A PROVA DE DOMA DE 21 DIAS DE POTROS. BATIZADA DE DOMA DE OURO, A COMPETIÇÃO TERÁ UM RANKING E VAI APONTAR O DOMADOR DE OURO DO CICLO.

  • AFASTAMENTO POLÊMICO

    A transferência de um funcionário da Secretaria da Agricultura está dando o que falar. Conforme a Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado (Afagro-RS), o técnico que atuava no município de Canguçu – e cujo nome não está sendo divulgado –, teria sido removido de forma arbitrária.
    Documento foi enviado ao secretário, Ernani Polo, cobrando explicações.
    – Foi afastado de um município com alta demanda, contra sua vontade. E a informação que temos é de que foi uma transferência política – diz Antonio Medeiros, presidente da Afagaro.
    Canguçu tem o maior número de propriedades registradas no Rio Grande do Sul. O fiscal em questão era o único a atuar na área de defesa agropecuária e foi realocado em Piratini. A entidade entrará na Justiça para tentar reverter a transferência e também iniciou uma campanha contra assédio moral.
    Polo nega que a remoção tenha conotação política. Afirma que “foi uma situação pontual, porque Piratini não tinha nenhum médico veterinário”.
    – Ele é um bom técnico, mas tinha uma relação desgastada com a comunidade. Se fosse uma perseguição, teria sido transferido para Santana do Livramento, que é longe, e não para um município próximo – diz o secretário.
    Medeiros contrapõe que, nesses casos, um procedimento deveria ter sido aberto pela secretaria.

  • Fonte : Zero Hora