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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein MUDANÇA DE VENTOS NO MERCADO DE TRIGO

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    Os preços do trigo ainda estão muito longe do ideal para o produtor, mas mudança de tendência no mercado internacional faz soprar uma brisa de alento sobre as lavouras que estão sendo cultivadas no Estado. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que as cotações subiram 6,3% no Rio Grande do Sul em junho.
    – Deu uma ligeira reagida, mas continua baixo o preço. Houve valorização do câmbio, o que encarece o produto importado, e maior procura das empresas no mercado interno – explica Lucilio Alves, pesquisador do Cepea.
    A produção brasileira neste ano é estimada em 5,2 milhões de toneladas segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. O consumo gira em torno de 10 milhões a 11 milhões de toneladas. Ou seja, precisamos trazer produto de fora. É por isso que cotação na Bolsa de Chicago e a moeda americana têm impacto no mercado interno. Completa o tripé de formação de preço, a projeção da produção nacional.
    Élcio Bento, da Safras & Mercado, diz que a valorização de junho reflete o período de entressafra. Levantamento da consultoria apontou aumento de 5,2% no valor do trigo no mês. Ele também reforça que o preço ainda “é muito baixo”– a tonelada está em cerca de R$ 600, enquanto no ano passado, era R$ 830. Mas há um cenário diferente agora.
    – Tem mudança de preço no mercado internacional. Na comparação com 4 de junho, houve aumento de 26% do valor na Bolsa de Chicago. Depois de quatro anos, se desenha mudança de patamar no trigo – observa Bento.
    Com o objetivo de eliminar a ociosidade da indústria e retomar a geração de empregos no setor, entidades ligadas à produção de biodiesel pediram ao governo federal que acelere o calendário previsto para a ampliação do percentual adicionado ao óleo diesel. Pelo plano original, a mistura de 9% (B9) seria implementada em março de 2018 e a de 10% (B10), em março de 2019. A proposta apresentada é a de que a B9 seja antecipada para setembro deste ano e a B10, para março de 2018. O governo deve dar resposta à primeira solicitação em um mês.
    – Já disseram que a B10 será antecipada para o próximo ano. Essa é a grande vitória – avalia Erasmo Carlos Battistella, presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil.
    Atualmente, o percentual de mistura é de 8% (B8). No Brasil, a ociosidade das indústrias chega a 40%. O país deve fechar o ano com processamento de 4,3 bilhões de litros, quando teria capacidade para chegar a 7 bilhões.
    – Tem muita fábrica fechada – lamenta Battistella.
    Outro argumento para a reivindicação é a supersafra de soja colhida neste ciclo de verão. Ou seja: há matería-prima. MARCHA ACELERADA

  • ESTRATÉGIA NO CONTROLE DA AFTOSA

    A meta é colocar em prática, no próximo mês, o plano estratégico para erradicação da febre aftosa no Brasil. O primeiro passo será fazer com que todo o território nacional seja livre da doença com vacinação – a exceção de Santa Catarina, que já é livre sem vacinação. O detalhamento do processo, que a longo prazo prevê a retirada da vacina, foi feito ontem em reunião com o diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Guilherme Marques, e com o coordenador do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, Plínio Lopes.
    Para o Rio Grande do Sul, a estimativa é de que a última campanha de vacinação seja feita em maio de 2021. Isso implica em adequações, enfatiza Marques, como melhora na vigilância e maior controle nas fronteiras.
    – No momento, o esforço é para atender à demanda nacional, de área livre com vacinação. Entendemos que se conseguirmos atender a todos os critérios estabelecidos pelo ministério, o Estado teria condições de avaliar, já no final de 2018 a retirada da vacina – afirma Rogério Kerber, presidente do Fundesa.

  • PARA FECHAR AS CONTAS

    Com a matemática das sacas de arroz na ponta do lápis, Alexandre Velho, vice-presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz) fez ontem solicitação à Câmara de Crédito, Seguro e Comercialização do Ministério da Agricultura para alongamento do vencimento das parcelas de custeio – que seriam neste mês e em agosto. O pedido é para que sejam postergadas para outubro e novembro.
    – Isso diminui a pressão pela venda. O custo de produção do arroz está em R$ 44, R$ 45, enquanto os preços médios ficam em R$ 40,21 – explica Velho.
    Produtores da Fronteira também estão preocupados com o endividamento – neste ano, vencem parcelas de duas renegociações feitas. O vice-presidente da Federarroz diz que, neste momento, esse assunto ainda não entrou em pauta, “mas não está descartado que venha a ser tratado futuramente”.

  • NO RADAR

    O Ministério da Agricultura determinou a frigoríficos brasileiros que carnes in natura de cortes dianteiros a serem exportadas aos Estados Unidos sigam apenas na forma de recortes, cubos, iscas ou tiras. Segundo nota divulgada pela pasta, a medida visa a facilitar as negociações para retomar as vendas a esse mercado.

    Fonte : Zero Hora