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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein MINISTÉRIO PLANEJA MUDAR FISCALIZAÇÃO

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    Após dois episódios que escancararam falhas no sistema de inspeção e fiscalização de carne do país, o Ministério da Agricultura decidiu que reformará o modelo atual. A proposta para mudar a legislação deve ser apresentada em até 60 dias.
    Embora ainda não tenha em detalhes como será o novo formato, o secretário de Defesa do Ministério da Agricultura, Luiz Rangel, diz que a ideia é construir um modelo misto, em que o Estado mantenha a função de fiscalização, mas possa contratar reforços por meio de outros modelos. Ele entende que tanto o fechamento do mercado americano quanto a Operação Carne Fraca colocaram o atual sistema em xeque.
    Rangel classificou como “ousado” o projeto encaminhado pelo governo gaúcho à Assembleia nesta semana. Disse que “é pouco possível” descolar fiscalização de inspeção:
    – Não é uma questão semântica. Esse ato de poder de polícia, internacionalmente, é reconhecido. Tem que ter ente com fé pública.
    Conforme o secretário, na prática, o modelo federal já é misto: há cerca de 600 servidores na inspeção para 12 mil técnicos dos frigoríficos. Ele defende a necessidade de criar ferramentas legais para legitimar esse modelo.
    Para Consuelo Paixão Côrtes, delegada regional do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), não existem problemas no padrão atual.
    – O que há é uma grande necessidade de contratação de pessoal. Isso ficou evidenciado no relatório da União Europeia e no embargo dos Estados Unidos. Por isso aparecem tantas falhas.
    Segundo a Anffa, a carência é de 1,6 mil auditores no país – 120 no Estado. A inspeção trabalha atualmente com 40% do efetivo no país. O ministro Blairo Maggi já solicitou abertura de concurso, mas enquanto o processo seletivo não sai, apresentou como solução a contratação temporária de médicos veterinários.
    – Temos receio de que isso seja cortina de fumaça para depois não fazerem o concurso – critica Consuelo.

  • NEGOCIAÇÃO EM PARTES

    A Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) chega ao fim do primeiro semestre com apenas duas de seis filiais vendidas. Em março, a Secretaria da Agricultura apresentou plano de negociação dessas unidades, com o objetivo de fazer caixa para o pagamento de acordo feito referente à dívida de ação trabalhista.
    As seis plantas – Júlio de Castilhos, Santa Rosa, Nova Prata, Cruz Alta, Passo Fundo e Santa Bárbara – estavam avaliadas em R$ 54 milhões. As duas negociadas – Júlio de Castilhos e Nova Prata – renderão R$ 8,38 milhões. As filiais de Caxias do Sul e de Estação também foram a leilão, mas esses recursos serão utilizados para pagar outras dívidas.
    Segundo o presidente interino da Cesa, Claudio Cava Correa, a planta de Santa Rosa vai novamente à venda na próxima segunda-feira. E o edital de Cruz Alta também deve sair na próxima semana.
    A companhia pretende dar continuidade ao plano de venda, que na segunda fase inclui as filiais de Erechim, São Gabriel I e II, Bagé, Cachoeira do Sul e Palmeira das Missões. Nesse caso, 60% do valor irá para o cumprimento do acordo, 30% para a Cesa e 10% para formar reserva para pagamento de outras ações.
    Após essas duas fases, o governo tem ainda planos de privatização ou de parcerias público-privadas para as demais unidades. As exceções são as portuárias – localizadas em Rio Grande, Estrela e Porto Alegre, que são concessões feitas ao Estado e, portanto, não podem ser negociadas.

  • NO RADAR

    Com potencial de deixar a tonelada de arroz até US$ 3 mais cara, a taxa cobrada pelo escaneamento de contêineres está no radar da Associação Brasileira da Indústria do Arroz. A avaliação é de que isso pode impactar na competitividade.
    Mais de
    R$ 10 bi
    será o volume oferecido pela Caixa Econômica Federal em crédito agrícola na safra 2017/2018, 25% superior ao do ciclo atual.

  • INVERNO A CAMPO

    Com condições de clima e de solo favoráveis, a safra de inverno avançou ainda mais no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento da Emater, o plantio de canola, cevada e aveia está praticamente concluído no Estado.
    No trigo, principal cultura da estação, o percentual chegou a 71%, se aproximando da média para o período, que é de 74%.

  • AOS PARES

    Acostumado ao nascimento de gêmeos e de trigêmeos no plantel de ovinos da raça ile de france, o produtor Élvio Rossi, de Muitos Capões, na Serra, foi surpreendido nesta semana com quadrigêmeos (foto). Pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, José Carlos Ferrugem Moraes explica que o nascimento de quadrigêmeos é mais raro, mas pode acontecer. Ele acrescenta que a ile de france tem alta incidência de partos múltiplos. Há ainda a ocorrência do gene vacaria, que amplia as chances de gestar mais de um animal. Em exemplares com a variante, 40% dos partos, em média, são duplos, e 20%, triplos.
    – O aumento de partos múltiplos é estratégia para ampliar a produção da cordeiros – afirma.

  • O CRÉDITO FICARÁ MAIS CARO

    A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar tem novo comando: Rui Valença, 49 anos, de Getúlio Vargas. Ele falou sobre metas de gestão, no período de 2017 a 2020.
    Quais os desafios do agricultor familiar?
    A principal é questão é a sucessão familiar. E, com isso, vêm todas as políticas públicas para a agricultura familiar. Elas vêm diminuindo. O Programa de Aquisição de Alimentos está com menos recursos. Isso interfere direto na renda do agricultor. No nosso país, temos uma situação em que as políticas públicas não são de Estado, são de governo. Isso deixa o jovem, que está iniciando a vida dele, muito inseguro. A única política consolidada é o Pronaf. As outras são instáveis, mudam conforme o governo. A assistência técnica também é importante.
    A não redução do juro pode afetar os financiamentos da agricultura familiar?
    Acho que não. Dá para fazer um paralelo com a agricultura empresarial. Aumentou o volume e diminuiu o juro. Para a agricultura familiar, não houve mudança. Teve diminuição na Selic, mas para nós, não houve redução de juro. Teria de baixar. Apesar de ter volume maior de produção, a renda está 12% menor neste ano. A taxa de juro se mantém, mas a renda é menor. O crédito ficará mais caro.

    Fonte : Zero Hora