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CAMPO ABERTO – Gisele Loeblein – Marfrig volta a operar em Alegrete

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Será com o abate de cem animais que a Marfrig retomará hoje as operações do frigorífico localizado em Alegrete, na Fronteira Oeste. Amanhã, será igual quantidade e, na segunda-feira, a projeção é de avançar para 600 cabeças. Ontem, a empresa recebeu da Fepam a licença de operação para voltar a funcionar, e deu início à compra de animais.

A reabertura da unidade irá trazer de volta 600 empregos.

– A gente correu muito para eles poderem começar a abater. Demos nova licença e prazo para irem se ajustando – explica a secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini.

Segundo o Sindicato das Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do município, até 70% dos funcionários que haviam sido demitidos retornarão às funções. A empresa teria investido aproximadamente R$ 10 milhões para deixar a planta novamente em condições de funcionar.

– Acreditamos que, com todo esse esforço, agora vieram para ficar – estima Marcos Rosse, presidente do sindicato.

A unidade havia fechado as portas em dezembro do ano passado, depois de longa novela de idas e vindas, demitindo 648 pessoas. Na época, a empresa argumentava que a falta de produto – ou seja, de animais – havia motivado a decisão. Mas a planta de Alegrete é estratégica: é a única no Estado habilitada a realizar embarques para a China.

E o escândalo das delações da JBS criou para a então maior processadora de proteína animal do mundo uma crise de imagem, abrindo vácuo no mercado nacional e internacional para outras marcas.

no radar

FOI CRIADO ontem na Expointer o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva). Reúne produtores de azeite, azeitona e mudas. Funcionará nos moldes de outras entidades semelhantes já existentes, mas com uma diferença: será totalmente privado. O presidente será Eudes Marchetti, da Tecnoplanta.

sobre o leite derramado

A crise no leite no Estado tem pautado diversos debates na 40ª Expointer e ontem motivou ação dentro do parque. Cerca de 300 integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf-Sul), da Via Campesina, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram o pátio da Casa Branca, sede do governo na feira.

O objetivo era garantir reunião com José Ivo Sartori, que não estava no local.

Em protesto, despejaram leite (foto).

Os preços do produto estão em queda, ocasionando crise que tem levado vários produtores a desistirem da atividade. A entrada de grandes volumes de produto importado, especialmente do Uruguai, é apontada como umas das causas da desvalorização.

Dirigentes foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Fábio Branco. O governo deve estudar a criação de linha de financiamento para capital de giro.

Vizinhança premiada

Os campões da raça angus – com o maior número de inscritos na 40ª Expointer – têm algumas semelhanças: são vizinhos de galpão na feira e herdeiros de uma linhagem de qualidade.

O touro Guarita 244 TEI Tomahawk (foto), da Estância Guarita, de Alegrete, foi o grande campeão. O reservado foi Maya Fiv 431 Kevin Candelero, da Fazenda São Marco, de Itapeva (SP).

"Conseguimos cobrir boa parte da demanda"

ENTREVISTA

Paulo Caffarelli

Presidente do Banco do Brasil

No comando do Banco do Brasil, que responde por 60% do crédito agrícola no país e no RS, Paulo Caffarelli fez ontem uma visita ao parque Assis Brasil.

Produtores afirmam que os bancos estão mais seletivos nos financiamentos agrícolas. O crédito está restrito?

Estamos saindo de uma crise que passou de 20 trimestres. Em 2009, não bateu cinco trimestres. Naquela época, 380 empresas foram à recuperação judicial. Agora, quase 4 mil. É natural que bancos fiquem mais conservadores. Quem tem histórico de bom pagador, jamais terá dificuldades de tomar crédito. Isso tem acontecido muito por conta desse conservadorismo a mais, mas não tenho dúvidas de que conseguimos cobrir boa parte das demandas.

Qual a projeção de crédito neste ciclo de safra cheia, mas bolso vazio?

O BB aplicou na safra passada em torno de R$ 72 bilhões. Na atual, são R$ 103 bi- lhões, incremento de cerca de 40%. Se observamos o histórico das commodities, veremos que todo ano há oscilação. Isso é definido dentro de uma característica de demanda mundial. O que entendo que o Brasil tem de fazer é cada vez ter mais competitividade, de forma que o preço que se pratique naquele momento seja atrativo para o segmento. Como? Desburocratizando, criando trabalho forte na logística.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

zerohora.com/giseleloeblein

Colaborou Ana Paula Silveira

CAMPO ABERTO

Fonte : Zero Hora