CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein MAIS PERTO DO BILHÃO DO SEGURO

 
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    Depois de frustrar os produtores com o valor anunciado para o pagamento da subvenção do seguro rural em 2016, o governo federal remendou os números por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA). A aprovação no Congresso garantiu um reforço de R$ 441 milhões.
    Na matemática complicada do ajusta daqui, adiciona acolá, o valor total a ser disponibilizado deve ser de R$ 741 milhões. Essa quantia é o acréscimo obtido mais o orçamento do Executivo – que era de R$ 400 milhões, mas sofreu corte e deve ficar em R$ 300 milhões.
    O montante extra garantido via LOA foi negociado a partir de uma emenda apresentada pela senadora gaúcha Ana Amélia Lemos (PP), como antecipou a coluna no início do mês.
    Na proposta original, aprovada no relatório preliminar, a solicitação era por uma cifra maior, que chegasse a R$ 1 bilhão, resultante da combinação com valores orçados – e normalmente não utilizados – do Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Até a aprovação final do lei do orçamento, novas costuras foram feitas. Pelo acerto final, serão R$ 341 milhões, via ministérios da Fazenda e Agricultura, para validar a emenda, e outros R$ 100 milhões.
    – Produtores, como os da Serra, que tiveram enormes prejuízos por problemas com geada e granizo, poderão ter alívio com o subsídio no seguro agrícola – avalia Ana Amélia.
    A proposta por ela apresentada foi construída a partir de sugestão feita pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Por meio de estudos, a entidade mostrou que, anualmente, entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões são previstos no orçamento para a PGPM, conforme determina a legislação, mas não são utilizados e acabam sendo remanejados.
    No início da semana, no tradicional balanço da Farsul, o presidente Carlos Sperotto havia se manifestado sobre o tema, estimando que pelo menos 70% do R$ 1 bilhão seria alcançado.
    – Não abandonaremos a ideia de ir atrás do restante – completa.

  • SALGOU O BISCOITO

    Para quem gosta de produtos à base de farinha de trigo, uma notícia indigesta. Os preços de biscoitos, massas, pães e bolos industrializados devem ter reajuste de 12%, conforme projeção da Abimapi, associação que reúne 94 indústrias do segmento. Aumento esse que foi se consolidando ao longo do ano, a partir da combinação de ingredientes como a alta dos insumos utilizados na produção, desde a farinha, passando pela variação cambial e chegando à mão de obra.
    – O produto que em janeiro de 2015 custava R$ 10, teoricamente, ficará em R$ 11,20. Teoricamente, porque depende de empresa para empresa – explica Claudio Zanão, presidente da Abimapi.
    A dependência da farinha de trigo tem pesos diferenciados. No caso das massas, representa 70%. Nos biscoitos, é de 40%, e nos pães e bolos industrializados, 30%. Como o Brasil não é autossuficiente na produção de trigo, precisa trazer o produto de fora – são pelo menos cinco milhões de toneladas. Neste ano, a conta pode engrossar um pouco mais, considerando a redução na safra de trigo do Rio Grande do Sul, que encolheu 34% em relação ao volume esperado no início do ciclo.
    – Aumentou quase tudo neste ano, se não há reposição de custos, a empresa quebra – pondera Zanão.
    Apesar das altas, o volume de vendas desses produtos deverá se manter.

  • NO RADAR

    A JUSTIÇA concedeu liminar que evita a transferência de um fiscal estadual agropecuário de Canguçu para Piratini. O pedido foi feito pela Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul, que considerou o afastamento arbitrário e entrou com ação.

  • AS LAVOURAS DE MILHO NO ESTADO VÃO, POR ORA, MUITO BEM, OBRIGADA. CONFORME LEVANTAMENTO SEMANAL DA EMATER, A CHUVA E AS TEMPERATURAS ELEVADAS CONTRIBUEM PARA UM RESULTADO SATISFATÓRIO ATÉ O MOMENTO, QUANDO 63% DAS PLANTAÇÕES ESTÃO NA FASE DE FLORAÇÃO E ENCHIMENTO DE GRÃOS.

  • LEVE QUEDA, PEQUENA ALTA

    Está na acomodação da moeda americana a explicação para o resultado, em novembro, dos índices de inflação do agronegócio medidos pela assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Enquanto os custos tiveram redução sutil de 0,12%, os índices de preços recebidos pelo produtor subiram 0,31% na comparação com o mês anterior – refletindo a entressafra.
    Esse leve refresco no custo não será suficiente, no entanto, para virar a curva ascendente registrada ao longo do ano – 10,9% – e dos últimos 12 meses – 12,92%. O acumulado nos preços recebidos pelo produtor também deve fechar em alta, de 20,68% e 22,44%, respectivamente.
    A título de comparação: no ano, o IPCA Alimentos chega a 10,37%. Em dezembro, a projeção é de que os dois indicadores fechem em alta.

  • JUNTOS NO OTIMISMO

    A parceria entre Sebrae, Farsul e Senar no programa Juntos Para Competir seguirá firme e forte em 2016, embalada pelo otimismo do agronegócio, ainda maior do que o dos demais setores, como apontou pesquisa feita pelo Sebrae (leia mais na página 28).
    Em 2015, 3 mil produtores rurais foram atendidos pelo programa, com foco na ampliação de produtividade, rentabilidade e competitividade.
    – O Rio Grande do Sul não pode competir em escala, tem de investir em diferenciação. Com o produtor também é importante trabalhar a questão da cadeia produtiva – diz Ayrton Pinto Ramos, diretor técnico do Sebrae.
    A pecuária de corte tem concentrado as atividades do Juntos Para Competir, com técnicos dando apoio, orientação e ajudando os produtores a ampliarem resultados. No próximo ano, rastreabilidade e sanidade serão dois temas explorados.

  • Fonte : Zero Hora