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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein JBS E BRF QUESTIONAM NECESSIDADE DE RESPONSÁVEL TÉCNICO

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  • Em tempos de discussão do modelo de inspeção sanitária gaúcho, duas gigantes do setor de proteína animal estão brigando na Justiça para serem dispensadas da obrigação de terem um responsável técnico nas unidades localizadas no Rio Grande do Sul.
    JBS e BRF têm ações contra o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-RS), que faz o registro das indústrias e tem função de fiscalizar a atuação do profissional.
    A entidade recorreu da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que aceitou pedido das empresas – feito em processos distintos. Isso depois de duas decisões, em primeiro e segundo graus, pela manutenção da exigência.
    – A função deve ser exercida por médico veterinário, é o que determina a lei. Se a decisão for mantida, vai tirar quem cuida das boas práticas da companhia. É a mesma coisa que retirar um farmacêutico que é responsável técnico na fabricação de medicamentos – compara Rodrigo Lorenzoni, presidente do CRMV-RS.
    O argumento utilizado pelas empresas nos processos é o de que não haveria necessidade do responsável técnico porque já existem fiscais agropecuários que fazem a inspeção e a fiscalização dos produtos.
    Consultadas pela coluna, JBS e BRF informaram, por meio de nota, que não comentam ações em andamento.
    No Estado, as duas marcas teriam, respectivamente, 34 e 35 estruturas em que a figura do responsável técnico é exigida.
    Lorenzoni rechaça que o conselho tenha postura corporativista em relação ao tema:
    – São apenas 69 vagas de emprego. É uma questão de saúde pública.
    Quando se trata da segurança alimentar, todo e qualquer cuidado é pouco. Operações recentes feitas dentro e fora do Rio Grande do Sul, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, mostram que há brechas no processo e que, nestes casos, melhor pecar pelo excesso do que pela falta de zelo.

  • ARROZ NA MIRA

    Os roubos a caminhões carregados de arroz em estradas brasileiras estão preocupando a Associação Brasileira das Indústrias de Arroz (Abiarroz). Só no primeiro trimestre deste ano, 500 mil toneladas do produto foram levadas.
    Segundo a diretora-executiva da entidade, Andressa Silva, o maior número de casos ocorre no Rio de Janeiro – triplicaram de 2011 para 2016, quando somaram 9,87 mil registros:
    – As empresas têm de pagar frete mais alto, seguro. Fala-se até em desabastecimento do produto no Rio porque há transportadoras que já não fazem mais rota para lá.

  • PENTE-FINO

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começou ontem a fiscalizar cooperativas e produtores que participaram de leilões de Prêmio de Escoamento da Produção (PEP) e de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) de trigo. O objetivo é checar se as regras dos editais foram cumpridas. A ação vai até 14 de julho. No país, serão 18 cooperativas e 245 produtores. No RS, três cooperativas e 71 produtores (PEP) e 15 cooperativas e 79 produtores (Pepro).

  • MAIS ESPAÇO

    A supersafra de soja colhida neste ano no Rio Grande do Sul colocou em evidência a necessidade de investimento em estruturas de armazenagem. Com volume tão grande produzido, silos ficaram cheios e teve grão até mesmo sendo colocado a céu aberto.
    Para reverter esse quadro, cooperativas, cerealistas e produtores rurais estão buscando financiamentos. Levantamento do BRDE mostra que somente as cooperativas deverão fechar, até agosto, contratos que somam R$ 75,84 milhões, valor maior do que os R$ 65 milhões obtidos durante todo o ano de 2016.
    – Para o pequeno produtor, a forma cooperativada garante a armazenagem – observa Odacir Klein, diretor-presidente do BRDE.
    A Cooperativa Agropecuária de Júlio de Castilhos (Cotrijuc), na Região Central, foi uma das que buscou crédito para melhorias no recebimento de grãos.
    – Tínhamos capacidade de fluxo de 220 toneladas por hora, estamos passando para 340 toneladas por hora – explica Caio Vianna, presidente da cooperativa.
    Com o investimento, a ideia é aumentar até 15% a capacidade de armazenamento. Hoje, é de 168 mil toneladas. Neste ano, foi movimentado volume quase quatro vezes maior do que isso.
    Outros R$ 93,54 milhões serão financiados por cerealistas e produtores, até agosto, para melhorias de estruturas de armazenagem – no ano passado, a soma era de R$ 89,43 milhões.

  • CAMINHÃO DA POLÊMICA

    A ação de despejo das famílias da ocupação Lanceiros Negros, no centro da Capital, segue rendendo controvérsias. O fato de um caminhão da Emater ter sido utilizado (na foto) levou a um acalorado debate nas redes sociais.
    – Solicitamos explicações. Não é finalidade da Emater despejar pessoas – argumenta Osvaldo Guadagnin, diretor do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais (Semapi).
    Presidente da Emater, Clair Kuhn diz que houve uma solicitação da subchefia da Casa Civil de auxílio para transportar indígenas:
    – Esse é um público atendido pela Emater. Não estávamos botando ninguém para rua, estávamos levando os indígenas.
    Segundo Kuhn, só um caminhão e um motorista foram enviados. Ele levou os caingangues até a Parada 25 da Lomba do Pinheiro, na zona leste de Porto Alegre, alega o presidente.

    Fonte : Zero Hora