.........

CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein JANELA ABERTA PARA NEGOCIAR REFORMA

.........

 

  •  

    Se o desejo das entidades que representam a agricultura familiar será realmente atendido, ainda não se sabe, mas que o governo escancarou a janela da negociação, ficou evidente na reunião com o líder Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ontem. Tanto que novo encontro será realizado hoje, dessa vez com Marcelo Caetano, secretário da Previdência Social do Ministério da Fazenda. Isso tudo, claro, de olho nos 308 votos necessários para aprovar a reforma previdenciária.
    O que os produtores querem é manter a forma atual de contribuição, sobre a comercialização, e não individual, como está no texto aprovado na comissão especial que analisou a proposta de emenda constitucional. Há ainda o pedido para rever a idade mínima para aposentadoria das mulheres, que foi elevada de 55 anos para 57 anos.
    – Se não avançar a negociação sobre a contribuição, 80% da agricultura familiar ficará de fora do sistema. Já sentamos umas 10 vezes para negociar com o relator (Arthur Maia, PPS-BA). O grande calcanhar de Aquiles está na contribuição – comenta Alberto Broch, vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag).
    Quem esteve na reunião garante que o governo está fazendo a matemática, e as contas não estão fechando.
    – Ficou claro, para mim, que o governo ou negocia, ou não tem os 308 votos que precisa. O líder fez toda uma argumentação de quem tem de maturar o texto para levar ao plenário – diz o deputado Heitor Schuch (PSB-RS).
    A lógica para angariar apoio vale para a negociação do passivo do Funrural. Há um ponto complicado na negociação sobre contribuição e idade. É o dos assalariados rurais, que teriam de contribuir 25 anos, com as mulheres se aposentando com, no mínimo, 62 anos, e os homens, 65 anos.
    – É uma atividade sazonal, o trabalhador teria muita dificuldade de chegar aos 25 anos – analisa a advogada Jane Berwanger, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário.
    Enquanto negocia, a Contag mantém em suspenso a decisão de como irá se mobilizar no dia em que a votação efetivamente sair.

  • PROPOSTA À MESA

    Uma definição sobre o futuro dos centros da extinta Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) não deve sair antes de um mês. Ontem, a Secretaria da Agricultura apresentou proposta de parceria às unidades da Embrapa do sul do país. O objetivo seria, segundo o titular da pasta, Ernani Polo, criar um sistema estadual de pesquisa:
    – Vão avaliar os locais que teriam interesse e, dentro de 30 dias, haverá nova reunião.
    A extinção da Fepagro ocorreu em 17 de janeiro deste ano. O agora Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária tem 20 centros de pesquisa e 15 laboratórios conveniados espalhados pelo Estado.

  • OS SABORES DA PRODUÇÃO DE LIBERATO SALZANO

    Maior produtor de citros do Estado, o município de Liberato Salzano, no Norte, complementa a atividade agrícola com o leite. Os dois produtos foram tema do Campo em Debate, realizado por ZH em parceria com Emater, prefeitura e Indústria de Sucos do Alto Uruguai. O evento teve mediação da jornalista Joana Colussi, repórter do Campo e Lavoura.
    A dificuldade para obter mão de obra para trabalhar na produção de citros é preocupação recorrente. Cerca de 400 famílias atuam na cultura, que ocupa 1,2 mil hectares.
    – A produção é toda manual. Embora São Paulo tenha situação bem diferente, podemos nos espelhar na realidade de lá e aplicá-la aqui, dentro do modelo local – afirma Valtemir Bazeggio, assistente municipal da Emater.
    Para driblar os efeitos da escassez de mão de obra, Leandro Rubini, presidente da Associação de Citricultores de Liberato Salzano, sugere medidas como colheita familiar, mutirão, equipes ou condomínios de colheita. A ociosidade nas indústrias é outro problema. Nilton Dutra de Souza, assistente técnico regional da Emater, afirma que o desafio é fazer o produtor cultivar outro tipo de laranja – 87% é da valência, plantada e colhida na mesma época.
    – A colheita da laranja é uma vez por ano. A atividade leiteira é a oportunidade de renda mensal – completou Carlos Bondan, da UPF.

  • BRINDE COM ARROZ

    Tem cerveja de arroz saindo do forno, ou melhor, do freezer. A microcervejaria La Pampa aproveita o embalo da 10º Semana Arrozeira, que será realizada de 28 de maio a 3 de junho em Alegrete, para lançar oficialmente a bebida feita com cereal cultivado por agricultores locais. Quarto maior produtor de arroz do Estado, o município tem muito a ganhar com essa parceria.
    – A cerveja artesanal é mais encorpada e o arroz dá uma quebrada, traz leveza. Como o grão é um produto característico da região, estamos explorando isso – explica Rafael Caetano da Silva, proprietário da La Pampa.
    A bebida, que será apresentada no dia 31, tem 17% de arroz na sua composição. Neste primeiro momento, será vendida em Alegrete e Santana do Livramento. Até o final do ano, a meta é chegar à Capital.
    Disseminado em cervejarias asiáticas, o cereal está presente em poucos rótulos no Brasil. Exemplo é o da americana Budweiser, em que o arroz responde por cerca de 40% da composição da cerveja produzida no país.
    A presidente da Associação de Arrozeiros de Alegrete, Fátima Marchezan, lembra que só a cultura do arroz responde por 20% do PIB do município. Sobre a programação do evento, comenta:
    – As péssimas condições das estradas e o custo da energia elétrica, com uso de alternativas como a fotovoltaica são assuntos que serão discutidos.

    A COMPANHIA ESTADUAL DE SILOS E ARMAZÉNS (CESA) VENDEU ONTEM A UNIDADE DE CAXIAS DO SUL. O IMÓVEL É UMA DAS FILIAIS A SEREM NEGOCIADAS NO PRIMEIRO SEMESTRE. FOI VENDIDO POR R$ 22,78 MILHÕES.

    Fonte : Zero Hora