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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein IMAGEM DO AGRONEGÓCIO VOLTA A FICAR ARRANHADA

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    Quando começava a voltar ao patamar de normalidade no mercado externo, o setor de proteína animal foi sacudido por um impacto ainda maior do que o da Operação Carne Fraca. O envolvimento dos donos da maior exportadora de carnes brasileira no escândalo que revelou o pagamento de propinas pegou muito mal frente aos compradores de outros mercados.
    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, faz neste momento um giro por Ásia e Oriente, para reforçar a qualidade do produto brasileiro. Deve ter ficado na maior saia justa quando começaram a pipocar as informações sobre a delação dos proprietários da JBS.
    – Para a imagem do Brasil, é muito ruim, pior do que a Carne Fraca. Estamos tratando da principal empresa exportadora do país – aponta o consultor em agronegócio Carlos Cogo.
    É pela grandeza da indústria que se justificam os efeitos. Cerca de 40% dos abates e 60% dos embarques de carne bovina no Brasil passam pela JBS, que tem 260 mil funcionários em mais de 30 países. Não tem como a coisa passar batida.
    – Esse noticiário todo não é positivo. Recebi hoje (ontem) um grupo islâmico que me questionou muito sobre essa onda toda envolvendo o setor. Atrapalha para se chegar ao nível de imagem que se tinha antes da Carne Fraca – observa Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
    Para deixar a situação ainda mais delicada, duas missões estrangeiras estão no país neste momento. Uma da União Europeia, balizador no mundo dos negócios, e outra da Coreia do Sul, de olho na carne produzida em Santa Catarina.
    O primeiro efeito, no entanto, aparecerá dentro do país. Pelo menos no curto prazo. Ontem, os negócios no mercado de boi brasileiro ficaram parados.
    Cogo acrescenta que, para as cotações do produto, as delações serão um golpe duríssimo. Traduzindo: quem pode sair perdendo é o produtor. Porque os irmãos Batista se protegeram com o escudo da delação premiada e salvaguardaram a empresa, transferindo grande parte de suas atividades para o Exterior – quase 80% das operações estão hoje fora daqui.
    – Haverá uma tentativa deles (irmãos Batista) de sair como heróis, ao revelarem um esquema de corrupção – lamenta o advogado Nacir Sales, especialista em Direito Societário, que atuou em casos contra a empresa.

  • RETORNO A ESTEIO

    A pista do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, volta a receber uma classificatória do Freio de Ouro neste final de semana. Depois do Bocal de Ouro, agora é a vez de 96 animais da raça crioula, entre machos e fêmeas mais pontuados nas credenciadoras, buscarem vaga na grande final. Esta é a segunda vez que a Aberta de Esteio é realizada.
    – A disputa deverá ser mais concorrida que a do ano passado –aposta Luís Rodolfo Machado, um dos jurados da seletiva.
    Estão em jogo 16 vagas na final da prova, organizada pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
    – A seletiva de Esteio terá um nível muito importante e ao mesmo tempo uma disputa muito acirrada entre os competidores – diz o jurado Mário Móglia Suñe.

  • NO RADAR

    AS AVES ficarão de fora da 40ª Expoleite e 13ª Fenasul, na próxima semana, em Esteio. A medida tem como objetivo seguir mantendo a influenza aviária longe daqui, ao evitar a aglomeração de aves em locais com circulação de público.
    OS CHINESES QUEREM NEGOCIAR CARNE BRASILEIRA ONLINE. ONTEM,
    NA AÇÃO BRAZILIAN ANGUS DAY, DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ANGUS E APEX BRASIL, EM SHANGAI, O GRUPO ALIBABA, DONO DO SITE ALI EXPRESS, MOSTROU INTERESSE EM FAZER NEGÓCIOS.

  • PEDIRAM PARA O PRESIDENTE SAIR

    Duas entidades ligadas ao agronegócio emitiram notas com pedido de afastamento do presidente Michel Temer do cargo. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS) e a Federação dos Trabalhadores Assalariados Rurais (Fetar-RS) também solicitam a retirada das reformas trabalhista (que teve tramitação suspensa ontem) e previdenciária da pauta de discussão.
    “É inadmissível o povo brasileiro entender e aceitar as reformas propostas, que serão prejudiciais, vendo o desmanche da máquina pública em favor de uma minoria que acredita dominar o país com seu poderio econômico e político”, diz a nota.
    – O governo tem de ter um mínimo de credibilidade para fazer mudanças – completa Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.
    Aliás, na quarta-feira, representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura tinham encontro marcado com o secretário de Previdência Social do Ministério da Fazenda, Marcelo Caetano. E tomaram um chá de banco. A reunião seria às 14h, mas representantes da entidade só foram atendidos após as 21h, quando a bomba da delação da JBS já tinha explodido.
    O Rio Grande do Sul dá a largada no plantio de trigo da atual safra de inverno. Conforme dados da Emater, a primeira região a semear o cereal será a de Santa Rosa, no Noroeste, onde há estimativa de redução de área de 3% a 5% em relação ao ano passado.

  • Fonte : Zero Hora