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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FUNRURAL ANTES DA PAUTA DA PREVIDÊNCIA

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    A disposição do governo federal em buscar uma solução para o passivo criado com a decisão que entende como constitucional a cobrança do Funrural vai além do simples gesto de boa vontade para com o produtor rural e o agronegócio. Em meio às negociações da reforma previdenciária, o presidente Michel Temer percebeu que cada voto é fundamental para se chegar ao placar da aprovação. Isso inclui a bancada ruralista, que vem cobrando alternativa viável para resolver a dívida criada do dia para a noite com a definição do Supremo Tribunal Federal (STF).
    O assunto foi tema, ontem, de audiência pública das comissões de Agricultura da Câmara dos Deputados e do Senado. De prático, pouco foi definido. O que não quer dizer que o debate não tenha sido importante.
    – Do ponto de vista político, foi muito forte para dar respaldo aos parlamentares na busca por uma solução – avalia Gedeão Pereira, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    A opinião é compartilhada pelo deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), que vê na mobilização um ponto importante de pressão:
    – Veio gente de todo país: do Pará ao Rio Grande do Sul.
    A preocupação generalizada faz sentido, porque a avaliação do STF sobre a contribuição atinge agricultores de todo o país. O cálculo estimado é de que a dívida referente ao Funrural não pago some entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, sem correção e multa. Amparados em decisão judicial anterior, muitos produtores obtiveram liminares para que deixassem de recolher o tributo.
    Entidades do setor não reconhecem essa dívida e querem que o governo elimine o débito. Mas essa solução não parece estar no horizonte. Temer tem alegado a lei de responsabilidade fiscal como impeditivo para isso.
    – Mas ficou claro que a solução sai antes da reforma da Previdência – diz o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS).
    Ou seja: nas próximas duas semanas, sairia proposta. Agora é esperar para ver.

  • GANHOU TERRENO

    Bancos de fabricantes vêm conquistando espaço dentro e fora da Agrishow quando o assunto é crédito para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas. Nesta edição da feira realizada em Ribeirão Preto (SP), as montadoras levaram cerca de R$ 2 bilhões em crédito pré-aprovado.
    – Em épocas de crise, os bancos convencionais saem desse mercado, com receio dos riscos de créditos – diz Márcio Contreras, diretor comercial e de marketing da CNH Industrial.
    Gerente comercial da AGCO Finance Massey Ferguson, Yuri Lukjanenko afirma que, ao longo do ano, os financiamentos via banco da fabricante representam 40%. Em eventos como a Agrishow, no entanto, esse percentual cresce, chegando a até 60%.
    – Esse é o nosso único negócio. Há agilidade maior – destaca Lukjanenko.
    Só no primeiro trimestre, o AGCO Finance teve alta de 20%. Para 2017, a expectativa é de aumento de 16% no volume de recursos. Outra razão apontada para a opção pelos bancos de fábricas é a preservação do limite de crédito nas instituições convencionais, pontua Simone Scherer, gerente comercial do AGCO Finance Valtra.
    – Fazendo o financiamento pelo nosso banco, o cliente deixa o limite de crédito nos bancos convencionais para operações de custeio – acrescenta Sérgio Oliveira, diretor comercial do banco da John Deere.

  • NO RADAR

    O Ministério Público do Trabalho montará nova força-tarefa, agora focada nas indústrias de beneficiamento de arroz. O modelo adotado será semelhante ao utilizado nos frigoríficos. A ação ocorrerá em todo o Estado, se concentrando nas regiões de Uruguaiana, Santa Maria e Campanha, onde há maior número de empresas.

  • ALÉM DO NÚMERO FRIO

    A desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar na segunda quinzena de abril ajudou a melhorar os preços da soja no mercado interno, em reais, aponta levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Ainda assim, a alta registrada no final do último mês não foi suficiente para impedir o recuo nas médias mensais – os valores são os mais baixos desde julho de 2010, em termos reais (IGP-DI de março/17).
    O consultor em agronegócios Carlos Cogo lembra, no entanto, que é preciso olhar além do número isolado:
    – Neste ano, a produtividade foi maior. Isso muitas vezes acaba compensando a questão preço. Se olhar só o preço, não vai ter ideia do conjunto da obra.
    Cogo acrescenta que hoje o valor da saca “está apenas 5% abaixo da média histórica da última década em termos reais”.
    O BANCO DO BRASIL LANÇA NESTA SEMANA O INVESTIMENTO DIGITAL. A EXEMPLO DA PLATAFORMA ONLINE JÁ EXISTENTE PARA LINHAS DE CUSTEIO, A IDEIA É APROXIMAR O PRODUTOR. NO ESTADO, O CUSTEIO DIGITAL SOMA R$ 20 MILHÕES, ENTRE PROPOSTAS LIBERADAS E PRÉ-APROVADAS.

  • EXPLICOU, MAS NÃO CONVENCEU

    Diante da polêmica envolvendo o projeto de lei 6442/2016, de sua autoria, o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) até tentou explicar o artigo mais controverso, que fala em “salário ou remuneração de qualquer espécie” para o trabalhador rural.
    – Na prática, quando a pessoa mora dentro de um sítio, ou chácara, muitas vezes tem a casa para morar na propriedade, mas isso não é oficializado. No final da safra, o lucro é distribuído entre empregado e empregador. Agora, queremos formalizar, porque salário é salário e remuneração é englobar isso e os benefícios. Não se trata de comida na mesa, se trata do que é produzido na propriedade. Não irá substituir o salário – disse à Rádio Gaúcha.
    A advogada Jane Berwanger rebate que o texto deixa margem para que se entenda que o pagamento seja em soja, trigo ou milho, por exemplo.
    A produção brasileira de soja foi revisada para cima pela INTL FCStone, alcançando volume de
    111,8 milhões
    de toneladas. Ainda de acordo com a consultoria, o Rio Grande do Sul deve fechar com colheita de 18,61 milhões de toneladas.
    As exportações brasileiras do complexo soja cresceram 10,32% de janeiro a abril. Foram
    28,84 milhões
    de toneladas aponta o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em receita, a soma foi de US$ 11,25 bilhões (+23,08%).

  • Fonte : Zero Hora