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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FILANTROPIA RENOVADA

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    Arenovação do certificado de entidade beneficente de assistência social da Emater a filantropia será concedida pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário. Quem garante é o titular da pasta, Osmar Terra.
    – Todas as tratativas foram feitas. Faltava só um certificado, que deve ter chegado. Estamos nos programando para publicar a renovação até o dia 23 deste mês – adianta Terra à coluna.
    Na última semana, técnicos do Estado estiveram em Brasília para tratar de algumas questões sobre as quais ainda havia dúvidas.
    – As solicitações feitas para nós estão cumpridas – afirma Silvana Dalmás, diretora administrativa da Emater.
    O atual certificado, concedido em junho de 2015, compreendia o período de 12 de março de 2014 a 11 de março deste ano. Ou seja, venceu no último sábado.
    O benefício isenta a necessidade da contribuição patronal que, se tivesse de ser desembolsada, representaria, no caso da Emater, R$ 40 milhões ao ano.
    Para entidades com receita bruta anual superior a R$ 1 milhão, a validade do certificado é de três anos. Para as com renda igual ou inferior a R$ 1 milhão, o período é de cinco anos.
    Segundo Terra, a renovação terá efeito retroativo, ou seja, contemplará o período entre o vencimento e a publicação do novo prazo de vigência da filantropia daqui para frente.

  • UBER DAS MÁQUINAS

    Depois do Uber nas cidades e em caminhões, uma empresa está colocando no mercado modalidade semelhante, voltada às máquinas agrícolas. Não se trata do mero empréstimo dos equipamentos. O produtor contrata o serviço, que inclui o operador. Lançada em agosto do ano passado, a Agrishare está montando um banco de dados nacional. Atualmente, tem 200 prestadores de serviço cadastrados e uma média de 500 máquinas, inclusive no Rio Grande do Sul. Por meio de uma página na internet, é possível que o agricultor busque a sua necessidade. É só digitar o tipo de serviço (colheita, correção de solo, plantio, preparo do solo e pulverização), a cultura, o Estado e o município. Aí, aparecerão as opções disponíveis.
    – O Brasil tem um parque de máquinas relativamente baixo se comparado à Europa e aos Estados Unidos. A gente faz um acompanhamento antes, durante e depois do serviço – explica Paulo Cesar Corigliano, fundador e um dos sócios da Agrishare.
    A exemplo do que acontece com o Uber, a empresa está começando agora a dar a avaliação para o serviço prestado. O agricultor paga ao operador que, por sua vez, repassa um valor à Agrishare. Dando os primeiros passos, Corigliano estima que o faturamento possa chegar a até R$ 3 milhões no próximo ano.

  • A INFLAÇÃO, A SELIC E O CAMPO

    A safra maior colhida pelos agricultores brasileiros foi decisiva para o IPCA de fevereiro desacelerar para 0,33%, o menor patamar para o mês desde 2000. A conclusão é do próprio IBGE. Os alimentos tiveram deflação de 0,45%, o menor resultado para fevereiro desde o início do Plano Real. Com a inflação oficial do país cedendo mais do que o esperado, aumentaram as apostas de que o Banco Central pode ser mais ousado e optar por um corte de um ponto percentual na Selic em abril. O resultado também fez o Itaú passar a projetar o juro básico da economia em 8,25% ao final do ano. É o campo contribuindo para controlar a inflação e abrir espaço para a queda mais acelerada do custo do capital no país. Mais um argumento para pedir taxas menores no próximo Plano Safra.

    UMA DAS COISAS QUE CHAMOU A ATENÇÃO NO RESULTADO DA EXPODIRETOCOTRIJAL FOI O CRESCIMENTO DAS COMPRAS FEITAS COM RECURSOS PRÓPRIOS. A ALTA FOI DE 117%. PARA NEI CÉSAR MÂNICA, PRESIDENTE DA FEIRA, É UM REFLEXO DO FATO DE O PRODUTOR ESTAR CAPITALIZADO.

  • FRANGO PUXA EXPORTAÇÃO

    Enquanto a safra gaúcha de soja recém começa a ser colhida, o papel de estrela das exportações do agronegócio no Estado em fevereiro foi assumido pela carne de frango. O faturamento chegou a US$ 97 milhões, alta de 4% sobre janeiro e 30% em relação a igual mês de 2016.
    Nos grãos, a surpresa positiva veio do trigo. As exportações, de US$ 33,9 milhões, subiram 11% ante janeiro e mais do que dobraram na comparação com fevereiro do ano passado.
    Entre os principais produtos originários do campo, o tabaco e seus manufaturados tiveram desempenho bem acima de janeiro, mas abaixo de fevereiro de 2016. A soja, após impulso do embarque de grãos da safra anterior, no mês passado, voltou a recuar em faturamento e volume.
    A carne suína deu um salto na comparação com fevereiro, há um ano, mas caiu em relação a janeiro de 2016.


    MARCOS DA ROSA
    Presidente da Aprosoja Brasil
    Natural de Passo Fundo, Marcos da Rosa fez a vida como produtor rural no Mato Grosso. Hoje é presidente da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja). De passagem pelo Estado, onde a entidade realizou assembleia, falou sobre safra recorde, fundo para fomento da cultura e royalties da biotecnologia.
    Qual a projeção de colheita de soja que a entidade faz?
    O que posso te dizer é que a média de produtividade vai ser dois, três sacos maior. Circulei em Passo Fundo e tem lugares que fazia 20 dias que não chovia. Gosto sempre de deixar claro que temos produtores com problemas. No Mato Grosso e no Matopiba (área formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) e em alguns lugares do Rio Grande do Sul teve problema no plantio. Temos pessoas produzindo bem, mas propriedades que não tiveram boas condições. Esse ano, vai passar das 100 milhões de toneladas no país. Essa safra resolve o problema do Brasil, mas não o do produtor, porque os custos subiram demais.
    Vocês têm a proposta de criação de um fundo de fomento à cultura da soja?
    No Mato Grosso, temos um fundo estadual há 11 anos. Dentro desse fundo estadual, criamos fundo de apoio à cultura da soja, que não é público. E é usado para fazer a gestão da Aprosoja-MT. O fundo estadual é uma contribuição do produtor. Essa parte do que é público, o governo hoje trabalha só na infraestrutura. Parte é usada pelo Estado, e parte pelos municípios, para recuperar as estradas. Isso foi uma maneira de fortalecer a cadeia da soja. É o carro-chefe de todos os Estados que a produzem. A ideia é replicar o modelo do fundo para o Brasil.
    Como está a discussão dos royalties da soja transgênica?
    Estamos fazendo estudos no Paraguai e na Argentina, porque aparentemente os valores cobrados por royalties lá são menores do que no Brasil. E nós queremos discutir esse valor com a Monsanto.

    Fonte : Zero Hora