CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FEIRAS BIANUAIS DIVIDEM OPINIÕES

 
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    Sugerida pelo Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers), a proposta para que as feiras passem a ser realizadas de dois em dois anos está longe de ser uma unanimidade entre os organizadores dos eventos e até mesmo no setor. Para os dirigentes da cooperativa Cotrijal, que organiza a Expodireto, há espaço para negociar, desde que o bom senso prevaleça.
    – Concordamos em negociar contanto que o rodízio não fique só entre Rio Grande do Sul e Paraná (onde são realizadas a Expodireto e o Show Rural Coopavel). É preciso incluir também São Paulo – ponderou Nei César Mânica, presidente da Expodireto-Cotrijal.
    E por São Paulo, ele refere-se à Agrishow, que ocorre em Ribeirão Preto e tem a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipaments (Abimaq) como um dos organizadores. Mânica tem opinião formada: o espaçamento pode levar a uma desmobilização.
    Presidente da Câmara Setorial de Máquinas da Abimaq, Pedro Estevão Bastos afirma que, na entidade, o assunto não tem consenso e tampouco é uma bandeira neste momento:
    – Há empresas do setor que defendem a realização bianual e, outras, que seja anual. Algumas indústrias acham o custo-benefício das feiras interessante.
    São justamente os gastos com montagem das estruturas, transporte das máquinas, horas extras e estadias dos funcionários que motivaram associadas do Simers a solicitar o debate do tema – a soma em um evento pode passar da casa do milhão.
    Depois de um 2015 de recuo de mais de 30% nas vendas, arcar com esses valores teria ficado pesado demais.
    – Nossa ideia é fazer uma reunião ainda durante a Expodireto, com o maior número de empresas possíveis. Tem de ser uma decisão unânime, um acordo de cavalheiros bem montado, porque se uma indústria furar, complica – pondera Claudio Bier, presidente do Simers.

  • GANHOU TERRENO

    Apesar de manter contestações judiciais sobre o pagamento de royalties da soja transgênica, o Rio Grande do Sul se mantém como um dos principais mercados da tecnologia desenvolvida pela multinacional Monsanto.
    A empresa está consolidando um balanço do uso da Intacta RR2, segunda geração da soja geneticamente modificada – sobre a qual ainda há cobrança – na safra 2015/2016. Segundo o presidente da Monsanto no Brasil, Rodrigo Santos, que veio ao Estado para o lançamento da Expodireto, o número de agricultores que usam a tecnologia no país passou de 50 mil para 90 mil.
    – No Rio Grande do Sul, são mais de 40 variedades – afirma.
    O Brasil também tem o maior peso no mercado sul-americano, que no atual ciclo, segundo a multinacional, cultivou cerca de 12 milhões de hectares com o produto, o dobro do ciclo anterior.

  • NO RADAR

    DADO O SINAL VERDE pela prefeitura de Arroio do Meio, a Cosuel começa a tocar a execução do projeto de ampliação, que terá um investimento total de R$ 135 milhões. A obra contempla uma indústria de aves, de farinhas e de ração.

  • O ANO DA ÁSIA

    As maiores delegações estrangeiras a pisarem na Expodireto-Cotrijal continuarão a ser as africanas. Mas o foco desta edição estará na Ásia (veja mapa). É de lá que virão algumas das estreias.
    – O principal continente é a África. Os países de lá buscam grãos, máquinas e energias alternativas – diz Evaldo Silva Junior, coordenador da área internacional da feira.
    Sessenta países confirmaram presença. O número deve chegar a 70 – em 2015, foram 77.

  • FISCAIS FEDERAIS AGROPECUÁRIOS NÃO DESCARTAM NOVAS PARALISAÇÕES NO ESTADO. A CATEGORIA TENTA REVERTER A TROCA DO SUPERINTENDENTE DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA NO RS – O FISCAL ROBERTO SCHROEDER FOI SUBSTITUÍDO POR LUCIANO MARONEZI, INDICAÇÃO POLÍTICA DO PTB.

  • GRANDEZA MULTIPLICADA

    A Expodireto-Cotrijal desembarcou, literalmente, nos gramados do Palácio Piratini, em Porto Alegre. Para o lançamento da feira realizada anualmente em Não-Me-Toque, no norte do Estado, um grande letreiro ocupou a área verde (foto em detalhe) em frente ao Galpão Crioulo, indicando que o caminho da exposição – pelo menos no dia de ontem – era por ali. Ao falar sobre o evento, o presidente Nei César Mânica lembrou da evolução ao longo dos 15 anos:
    – Quando começou, nos anos 2000, tínhamos a ambição de ser uma feira regional.
    Hoje, mais do que nunca, a feira se tornou referência dentro e fora do país, atraindo visitantes das mais diferentes partes do planeta. Desde novembro, todos os lotes e estandes estão comercializados – com direito à fila de espera, apesar do momento de crise econômica e política vivido no Brasil.
    Por enquanto, não há, no entanto, perspectiva de ampliação à vista.
    – Preferimos priorizar a qualidade e valorizar os expositores que estão conosco desde a primeira feira – disse Mânica, acrescentando que uma eventual expansão dependeria de viabilidade de espaço físico no entorno do parque.
    Em números, a Expodireto-Cotrijal saiu de R$ 2,1 milhões de negócios em 2000 para R$ 2,1 bilhões em 2015 – tendo atingido, em 2014, o pico de R$ 3,2 bilhões. E viu o número de visitantes saltar de 41 mil para 231 mil pessoas.
    – Sabemos que a Expodireto traz o que há de melhor em tecnologia e no campo e também achamos que a feira é um patrimônio dos gaúchos. Um exemplo do Rio Grande do Sul que dá certo – afirmou o governador José Ivo Sartori.
    Com apenas R$ 1,5 bilhão em recursos para as linhas de financiamento do Moderfrota até junho, por enquanto, ninguém arrisca um palpite sobre o volume de negócios a serem concretizados nesta edição. A ideia é convencer o governo federal a liberar mais R$ 2,5 bilhões para o ciclo 2016/2017.
    A exposição, de 7 a 11 de março em Não-Me-Toque, deverá ter a presença da ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Sobre a vinda da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Expodireto desabafou:
    – Cansei de convidar o Lula e a Dilma. Não sei se não enxergam o agronegócio ou se somos o patinho feio da história.
    *Colaborou Joana Colussi

  • Fonte : Zero Hora