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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FEIRA PODE SUPERAR EXPECTATIVA INICIAL

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O clima de otimismo, alimentado pela safra recorde do Estado e pela melhora da economia, se transformou em negócios na 18ª edição da Expodireto-Cotrijal. A feira termina hoje, quando serão conhecidos os número oficiais. Mas levantamento feito com bancos e com os organizadores do evento permite dizer que o resultado será, de fato, melhor do que no ano passado. Inicialmente, a previsão era de crescimento de 15% elevando a soma para R$ 1,8 bilhão. O percentual, no entanto, poderá chegar a 26,5%.
– Pelo que ouvimos de bancos e empresas, não será surpresa se chegarmos a R$ 2 bilhões – diz Nei César Mânica, presidente da Expodireto-Cotrijal.
O Banco do Brasil, que responde por 60% do crédito agrícola no Estado, também tem uma estimativa superior. Conforme o gerente de mercado agronegócios da superintendência estadual, João Paulo Comerlato, a instituição deve fechar com volume 40% maior neste ano. Só nos três primeiros dias, as propostas feitas somavam R$ 540 milhões. Nos cinco dias de 2016, haviam sido R$ 500 milhões.
A expectativa do BB é chegar a R$ 700 milhões, mas o caixa foi reforçado com R$ 1 bilhão em crédito para o período do evento. Ou seja: se houver demanda, poderá ser utilizado. O termômetro aquecido das vendas aparece em exemplos de histórias como a citada por Comerlato:
– Tem uma revenda que vendeu 30 máquinas que nem tem para a pronta entrega. Estão sendo lançadas agora, mas só serão entregues no segundo semestre.
No Banrisul, a perspectiva de fechamento das vendas se mantém dentro de crescimento de 10% a 15% nos negócios. Oberdan Celestino de Almeida, diretor de crédito do banco, explica que até a quarta-feira, as ofertas feitas somavam R$ 51,86 milhões, parelho com o desempenho no mesmo período do ano passado. Mas ele lembra que “nos primeiros dias do evento, o pessoal olha mais e compra depois”.
– Estamos chegando na quinta safra de soja cheia seguida. O pessoal está mais capitalizado, e a economia, com sinais de melhora – completa, em relação às perspectivas de aumento nas vendas durante a feira.
No Sicredi, até ontem, o número de pedidos havia crescido 26% e o volume de recursos, 37%, somando R$ 92,4 milhões.

  • NO RADAR

    A FEDERAÇÃO dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) estima que cerca de 3 mil agricultores participem hoje da audiência pública do Senado que será realizada na Expodireto-Cotrijal. O tema em debate é a reforma da Previdência. As alterações preocupam a categoria porque mexem na forma de contribuição e na idade da aposentadoria.

  • BIS DE RECORDE

    Na mesma semana em que a Emater apontou safra recorde de verão, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também apresentou em seu levantamento mensal a projeção de colheita histórica de grãos no Rio Grande do Sul. No total, incluindo o trigo, cultura de inverno, serão 33,41 milhões de toneladas.
    A soja aparece pela primeira vez com volume superior ao do ciclo 2015/2016, somando 16,37 milhões de toneladas – um pouco abaixo das 16,8 milhões de toneladas previstas pela Emater.
    – A única interferência que pode haver é de uma chuvarada no momento da colheita. Mas se o clima continuar bem, esse número poderá até crescer – explica Carlos Bestetti, superintendente da Conab no Rio Grande do Sul.
    Outro bom resultado vem do milho que, no momento, está com produtividade recorde de 7,3 mil quilos por hectare – no total, a produção ainda fica um pouco abaixo do ano passado, com 5,87 milhões de toneladas. O rendimento se deve ao clima favorável, aumento da área irrigada e uso da tecnologia.
    – Fica a expectativa de quando teremos de novo as quatro principais culturas do Estado (soja, milho, arroz e trigo) com boas safras – diz Bestetti.
    A Conab e o IBGE realizam levantamentos mensais da safra. A Emater faz projeção no início do plantio e ao final do ciclo.
    No país, a estimativa também é de volumes históricos: 222,9 milhões de toneladas pela Conab. Para o IBGE, serão 224,2 milhões de toneladas.

  • UMA PARADA ESTRATÉGICA

    Localizado a 15 quilômetros de Não-Me-Toque, o município de Victor Graeff atrai parte da multidão que vai à região para participar da Expodireto. A isca utilizada para chamar a atenção do público é a gastronomia. No mesmo período da feira, a cidade realiza o Festival Nacional da Cuca com Linguiça.
    A expectativa é receber mais de 80 mil pessoas até hoje. Segundo o prefeito de Victor Graeff, Cláudio Alflen, o sucesso da festa está diretamente relacionado com o da Expodireto. Em cinco dias de festival, os mais de 20 expositores da cidade devem comercializar 10 toneladas de linguiça e 20 mil cucas. Tudo acompanhado por mais de 35 mil litros de chope.

  • PRIMEIRA EMENDA PROTOCOLADA

    Com 203 assinaturas, mais do que as 171 necessárias, o deputado federal Heitor Schuch (PSB-RS) conseguiu protocolar ontem emenda que altera trecho da PEC 287, que trata da reforma da Previdência. Pelo texto do parlamentar, fica mantida a atual forma de contribuição – 2,1% sobre a produção comercializada. Pela proposta elaborada pelo governo, as contribuições passariam a ser individuais.
    – Os agricultores não recebem salário mensal, pois a renda é sazonal ou anual, em função dos períodos de safra, e depende das condições climáticas – diz o deputado, que seguirá buscando apoio para que a emenda ganhe ainda mais força.

  • MAR DE GENTE

    Não foi apenas nos negócios que os números foram positivos na Expodireto-Cotrijal. O público marcou presença na feira. O total de visitantes será conhecido só hoje, no último dia. Mas até ontem, 208 mil pessoas haviam passado pelo parque. Até agora, o dia de maior movimento foi a quinta-feira, com 66 mil visitantes.
    A estimativa inicial dos organizadores era de que 250 mil pessoas fossem à Expodireto ao longo dos cinco dias. Em 2016, haviam sido 210,8 mil, redução de 8% sobre o ano anterior.

  • OLHOS DE ÁGUIA

    Presença cativa desde a primeira Expodireto, o grupo gaúcho Agros, de Erechim, está na 18ª edição com uma nova ferramenta. É o aplicativo Aqila, que permite monitoramento e controle das práticas das lavouras – plantio, colheita, estimativas.
    O nome do produto é sugestivo: é uma referência à águia, em italiano. Adalberto Coimbra, proprietário do Grupo Agros, explica que, por meio dos “olhos” da águia, é possível visualizar o que acontece na lavoura.
    – Passamos pelo controle do papel, depois do computador e hoje estamos com ele na palma da mão – compara Coimbra.
    Atualmente, existem 50 mil hectares monitorados com a ferramenta. A meta é passar de 500 mil hectares.
    Entre as principais funcionalidades, o aplicativo permite a criação de tarefas por geolocalização, o registro preciso e detalhado da presença de pragas e a geração da recomendação e aplicação de defensivos.

    Fonte : Zero Hora