CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FEIRA CARREGADA DE EXPECTATIVAS

 
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    Neste ano, mais do que nunca, o setor de máquinas e implementos agrícolas voltará suas atenções e esperanças para a Expodireto-Cotrijal, feira que será realizada no próximo mês em Não-Me-Toque. Com as vendas em baixa, a indústria conta com uma boa nova a ser anunciada no evento pela ministra da Agricultura, Kátia Abreu, para ganhar uma injeção de ânimo.
    – A expectativa é de que ela anuncie alguma coisa nova – afirma Claudio Bier, presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers).
    Na recente passagem pelo Estado, o secretário de Política Agrícola do ministério, André Nassar, confirmou que há um trabalho sendo feito na tentativa de ampliar o crédito para compra de máquinas e implementos.
    A preocupação das fabricantes com o ritmo lento de vendas reflete a combinação de recursos limitados para o Moderfrota – segundo o governo, R$ 1,5 bilhão até junho – com a implementação da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do Finame Agrícola.
    Em reunião recente, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) teria orientado as empresas a direcionarem os financiamentos dos médios produtores para as linhas do Pronamp. A ideia é desafogar o fluxo do Moderfrota – fala-se que a quantia disponível seria, na verdade, de apenas R$ 1 bilhão.
    Para Bier, é importante, mais do que o anúncio de valores extras, a derrubada da TJLP, que é reajustada a cada três meses:
    – O agricultor é traumatizado com juro que não é fixo.

  • DISCUSSÃO ITINERANTE

    Com boa parte das lavouras de arroz localizadas no Bioma Pampa, a Federarroz-RS acompanha o andamento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) de perto. A entidade tem recomendado que os produtores busquem assessoria para o preenchimento dos dados. A estimativa é de que apenas cerca de 15% dos arrozeiros tenham efetuado o registro.
    – O cadastro tem de ser feito até 5 de maio e ponto. Mas é preciso ter atenção na hora do cadastro – observa Anderson Belloli, diretor-executivo da Federarroz.
    Ontem, integrantes da subcomissão da Assembleia criada para tratar do CAR definiram o cronograma das audiências públicas. Serão seis, no total, em diferentes cidades (confira abaixo). O relatório ficará pronto até 25 de abril, para ser encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente, responsável pelo CAR.

  • SOJA EM PRIMEIRO PLANO

    Com 60% das lavouras no período de enchimento de grãos, a safra gaúcha de soja deverá deixar pouca margem para reclamações. Apesar de problemas pontuais, gerados por pequena estiagem em janeiro e excesso de chuva no plantio, a expectativa em relação à colheita que irá se intensificar em março é muito boa.
    – Ela não será tão excepcional como a do ano passado, mas será uma safra cheia. O clima colaborou bastante agora em fevereiro, com chuva bem distribuída – indica Claudio Doro, assistente técnico da Emater em Passo Fundo.
    Os produtores que avaliam as lavouras nesse período (na foto acima, propriedade em Santo Antônio do Planalto) esperam uma produtividade superior a 60 sacas por hectare. Com a saca de soja vendida acima de R$ 70, agricultores não escondem o otimismo, especialmente aqueles que custearam a lavoura antes da disparada do dólar no ano passado.
    A previsão da Emater é de uma colheita superior a 15 milhões de toneladas de soja no Estado. Conforme levantamento divulgado ontem pela entidade, 10% das lavouras gaúchas estão maduras, prontas para colher. Até agora, 1% da área foi colhida, nas regiões do Alto Uruguai e no Noroeste.

  • NO RADAR

    A ampliação do período de validade dos exames de mormo estará no centro do debate de audiência pública proposta pelo deputado Frederico Antunes (PP).
    O evento será em Alegrete, com data ainda por definir. Ontem, a doença também pautou discussão na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. Segundo o Ministério da Agricultura, em 2015, foram feitos 680 mil exames no país.

  • CHURRASCO DE LUXO

    Foi nos jardins do luxuoso hotel The Palace, em Dubai, que a Associação Brasileira de Angus, em parceria com a Apex e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, apresentou o produto feito no Brasil. Batizado de Celebrating Brazilian Beef Gourmet, o evento teve três receitas: uma brasileira, uma libanesa e outra africana. O churrasco caiu no gosto dos mais de 150 convidados.
    – Isso mostra que há um mercado espetacular nos Emirados Árabes, e a angus está pronta para atendê-lo – conta Fabio Medeiros, gerente do Programa Carne Angus.

  • PRESSÃO TOTAL NA LARGADA

    Para pressionar o governo a não levar adiante a proposta de mexer nas regras da previdência do trabalhador rural, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), alinhada com a Confederação Nacional (Contag), cogita a possiblidade de ocupações dos prédios dos INSS. A data ainda está sendo definida, mas poderia ser 31 de março.
    O assunto é prioridade do novo presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, que hoje toma posse para o período 2016-2020. A nova diretoria, com 26 integrantes, foi 50% renovada.
    – Antes da posse, faremos a prestação de contas e definiremos que tipo de organização, onde e quando faremos – explica Joel.
    O movimento lembra ação da década de 1980, quando o prédio da superintendência do INSS no Estado foi ocupado durante 52 dias. Em proposta apresentada à Contag, três pontos foram apontados: mudança para 65 anos da idade para a aposentadoria – hoje é de 55 anos para as mulheres e 60 anos para os homens–, impossibilidade de acumular benefícios e dos sindicatos emitirem declaração de atividade rural.
    – Somos contra qualquer mudança que retire direitos dos agricultores – reforça o deputado federal Heitor Schuch (PSB).

    Fonte : Zero Hora