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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein FEDERAÇÕES A FAVOR DA TERCEIRIZAÇÃO

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    É na Assembleia Legislativa que se decidirá, de fato, se o Estado muda ou não o modelo de inspeção nas indústrias de produtos de origem animal, permitindo a contratação de profissionais privados. Mas o apoio de federações como a da Agricultura (Farsul), dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) e das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) se torna um trunfo, a favor do Executivo, na busca pela aprovação.
    A Famurs, que ontem recebeu evento em que foi apresentado o projeto de lei 125, enviará documento aos parlamentares e ao governo no qual confirma posição favorável à mudança e também acrescenta sugestão de emenda, como antecipou ontem a coluna.
    – O Estado tem de ser um facilitador, não atrapalhar. Nos moldes que temos hoje, quando empresas querem ampliar instalações não encontram o respaldo necessário – afirma o presidente da Famurs, Salmo Dias de Oliveira.
    Em tempos de crise e de dificuldades de fazer caixa, o argumento econômico utilizado pelo governo, de receitas que deixam de entrar, como a de ICMS, estimada em R$ 19,49 milhões, têm apelo forte junto aos municípios gaúchos.
    – Temos estrutura de fiscalização que é pequena e, em função das limitações do Estado, não haverá aumento da categoria dos fiscais. Tem de ter uma solução – aponta Luiz Alberto Pitta Pinheiro, assessor técnico da Farsul.
    A Fetag-RS também vê necessidade de inovação no sistema.
    – Mas temos de ter o cuidado de decidir pela inspeção mista, que não tira o Estado de todo o processo. Porque a pequena agroindústria não comporta o custo do profissional privado – argumenta Carlos Joel da Silva, presidente da entidade.
    Pela proposta da Secretaria da Agricultura, a inspeção ficaria com a iniciativa privada e a fiscalização, com agentes públicos.
    – Sabemos que a apresentação feita é bastante sedutora. Mas não estão sendo medidas consequências, riscos à saúde pública – contrapõe Angela Antunes, presidente da Associação dos Fiscais Estaduais Agropecuários (Afagro).

  • PRODUÇÃO CONGELADA

    De modo geral, as baixas temperaturas são benéficas à produção. Culturas como trigo e uva são favorecidas. Nos parreirais, são necessárias horas de frio para o bom desenvolvimento da fruta.
    – Falar de frio em julho é o mesmo que falor de calor no verão. Anormais foram os 15 dias de temperaturas altas que condicionaram muitas espécies a entrarem em floração – afirma Enio Ângelo Todeschini, assistente regional de fruticultura da Emater.
    A esta altura do ano, acrescenta o técnico, já deveriam ter sido acumuladas 300 horas de frio, mas foram apenas cem horas. Ele diz que a geada registrada ontem atingiu pontualmente parreirais e pessegais.
    Na produção de leite, o frio traz efeitos negativos, porque afeta as pastagens perenes de verão, que fazem parte da dieta dos bovinos.
    – Com a geada, elas se acabam. Ficam indisponíveis para o gado – diz Carlos Roberto Vieira da Cunha, assistente técnico regional da Emater.
    As consequências são maiores para produtores que não têm cobertura de inverno de forma proporcional.
    Nos hortigranjeiros, as baixas temperaturas também podem causar estragos. No caso do brócolis (no detalhe) e da couve-flor, não há desenvolvimento pleno. Os impactos nos preços deverão ser sentidos a partir da próxima semana.

  • NO RADAR

    Parlamentares projetam que o governo federal publique ainda nesta semana medida provisória sobre passivo do Funrural. O texto está pronto já há algum tempo e prevê cobrança de 5% da dívida neste ano. A ideia é deixar o Executivo emitir a MP para depois fazer emendas, atendendo a pedidos do setor.

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    MAIS DE 160 PESSOAS PARTICIPARAM DO 2 ENCONTRO DE SENSIBILIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SEGUROS, EM CAXIAS DO SUL. O OBJETIVO É CONSCIENTIZAR PRODUTORES SOBRE A IMPORTÂNCIA DE BOAS PRÁTICAS.

  • BOA NOTÍCIA PELA METADE

    A realização de concurso público para preencher o déficit existente de auditores fiscais federais agropecuários era uma das demandas da categoria. Ontem, o governo publicou portaria na qual abre seleção para 300 vagas.
    E é aí que vem justamente a primeira frustração. Levantamento feito pelo Ministério da Agricultura indica necessidade de 1,6 mil profissionais. O segundo ponto considerado negativo pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) é que também foram abertas 300 vagas para a contratação de médicos veterinários temporários.
    – Estão olhando apenas a questão comercial. Somos terminantemente contra os temporários. As atividades de inspeção e fiscalização são exclusivas de agentes do governo – frisa Mauricio Porto, presidente da Anffa Sindical.
    A categoria se reúne hoje e amanhã para avaliar a mobilização realizada na última segunda-feira e definir como será a manifestação na próxima semana.

  • À ESPERA DE DEFINIÇÕES

    Passados seis meses desde a extinção da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), o futuro dos 20 centros de pesquisa espalhados pelo Interior, ainda não foi definido. O Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária, vinculado à Secretaria da Agricultura, está buscando parcerias com escolas técnicas e a Embrapa, na tentativa de dar sobrevida às unidades.
    Reunião marcada para hoje foi transferida para agosto, em razão da troca na diretoria da Superintendência da Educação Profissional do Estado (Suepro).

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    5,1%
    é a fatia do Brasil no mercado internacional de produtos agrícolas, segundo a OMC. Ainda terceiro maior exportador, o país perdeu espaço: em 2012, tinha 7,3%.

    Fonte : Zero Hora