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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein EUA PODEM REABRIR EM ATÉ 60 DIAS MERCADO DE CARNE

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    Se as projeções do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se confirmarem e o Brasil, de fato, retomar o mercado americano dentro de um a dois meses, não terá sido uma longa espera o anúncio da suspensão veio no final de junho. Mas é preciso que essa tendência se confirme e que as impressões tidas a partir de encontro, ontem, com o colega Sonny Perdue sejam as corretas.
    Maggi afirma que não existem objeções políticas para que as importações voltem a ser liberadas. Os dois titulares teriam concordado em aguardar posições técnicas – respostas de análises que serão feitas a partir de dados fornecidos pelo Brasil.
    – No horizonte de 30, 60 dias, acho que é possível. Ficou um compromisso político de que o retorno seja o mais rápido possível, assim que as coisas estiverem esclarecidas – disse o ministro brasileiro, sobre eventual prazo para retomada.
    Do ponto de vista técnico, já houve mudanças desde a comunicação do embargo. Uma delas é a de que a dianteira do boi – parte vendida aos EUA – seja cortada em cubos, tiras ou iscas, para facilitar as inspeções. Também devem haver alterações na composição da vacina contra a febre aftosa. Entidades do setor pediram redução do volume da dose de 5 ml para 2 ml e a retirada da saponina, relacionada à irritação pós-imunização.
    O argumento dos americanos para barrar o produto brasileiro foi a identificação de abscessos, que são reações à vacina. Mas em meio ao discurso oficial, há brechas para outra interpretação.
    Os EUA são nossos concorrentes no mercado global de carne bovina – o Brasil foi o maior exportador mundial em 2016. E a liberação sempre incomodou pecuaristas locais. Para reforçar as teorias conspiratórias, o presidente Donald Trump deixou mais do que claro o viés protecionista de sua gestão.
    É por isso que, se o mercado for mesmo reaberto nesse curto espaço de tempo projetado por Maggi – foram necessários 17 anos para receber a autorização para a venda do produto in natura –, o Brasil deve comemorar.
    Porque quando as portas forem reabertas, será preciso recuperar a confiança perdida – o trabalho de consolidação do produto brasileiro na terra do Tio Sam estava recém iniciando.

  • PRESSÃO DA PARALISAÇÃO

    De braços cruzados, os auditores fiscais agropecuários pressionam o governo federal a realizar concurso para suprir 1,6 mil vagas. Ontem, a categoria realizou dia de mobilização. A fiscalização de abates e a certificação em portos e aeroportos não foi feita.
    Se não forem atendidos, os fiscais prometem nova ação, na semana que vem, de 48 horas. A possibilidade de greve também não está descartada.
    Em Rio Grande, na área vegetal, 12 certificados deixaram de ser emitidos para produtos como arroz, tabaco, soja e madeira. No RS, há cerca de 340 fiscais. No Brasil, 2,6 mil.

  • POR MUDANÇAS NA LEI

    O Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado (CRMV-RS) está liderando um movimento nacional para que o projeto de lei 7.323, que tramita na Câmara, volte a andar.
    A proposta torna crime o exercício ilegal da profissão, hoje considerado apenas contravenção.
    Uma petição online foi organizada e deverá ficar no ar por, no máximo, 10 dias. Com as assinaturas em mãos, a ideia é procurar os líderes de partidos e solicitar que o texto – que já passou pelas comissões – volte a entrar na pauta.
    – Se não for votado até o final do ano que vem (fim legislatura), acabará por ser arquivado – diz Rodrigo Lorenzoni, presidente do CRMV-RS.
    No Rio Grande do Sul, desde 2012, foram feitas 24 denúncias para o Ministério Público de exercício ilegal da profissão. Em um dos casos, o estabelecimento onde a pessoa atuava foi interditado.

  • NO RADAR

    O Brasil se tornará o maior produtor mundial de soja dentro de 10 anos, aponta o relatório divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. A produção mundial deve crescer 1,9% ao ano, e a brasileira, 2,6%.

  • R$ 72,3 MILHÕES

    foi o saldo do Fundesa no primeiro semestre. Ontem, em assembleia do fundo, foram aprovados novos valores de contribuição da avicultura, que irão aumentar em 100% até agosto de 2019.
    ALTERAÇÃO TRIBUTÁRIA
    Será publicada hoje no Diário Oficial mudança na tributação de queijos produzidos no Estado. O percentual do crédito presumido concedido à indústria terá seis faixas
    Até 2,2 milhões de leite por mês: 9%
    Até 2,4 milhões de litros: 8%
    Até 2,6 milhões de litros, 7%
    Até 2,8 milhões de litros: 6%
    Até 3 milhões de litros: 5%
    A partir desse volume: 4%

  • NO RITMO DO MERCADO

    Apesar de a safra de soja ter crescido 15,5% neste ano, os embarques do grão não avançaram na mesma proporção. Dados da superintendência do porto de Rio Grande divulgados ontem mostram que no primeiro semestre, as exportações do grão tiveram alta de 2,69% (veja acima), somando 6,04 milhões de toneladas. O resultado não é ruim, mas a expectativa é de que, a esta altura, o volume embarcado fosse maior.
    O ritmo dos negócios tem relação com o mercado. Os preços da commoditty, menores em relação ao ano passado, fizeram o produtor segurar a venda.
    – A tendência é continuar esse movimento atípico no porto. Vamos exportar soja por período mais longo do que o habitual – pondera Indio Brasil dos Santos, da Solo Corretora.
    A exemplo do que ocorreu na safra passada, o Estado pode encerrar o ano com soja ainda guardada nos silos. Santos afirma que, se mantidas as condições atuais, com dólar na casa de R$ 3,20 e cotações abaixo de US$ 10 o bushel, haverá ainda mais grão nas mãos do produtor do que no final de 2016.
    Além da soja, outro destaque nas exportações via Rio Grande foi o trigo, que registrou aumento de 25,4% na quantidade negociada nos seis primeiros meses do ano.

    Fonte : Zero Hora