CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein DOIS PEDIDOS EM UMA COLHEITA SÓ

 
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    Representante do Ministério da Agricultura durante as atividades da 26ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz, realizada em Alegrete, na Fronteira Oeste, a partir de hoje, o secretário de Política Agrícola, André Nassar, voltará para Brasília com a mala cheia de reivindicações. Além de ações capazes de reduzir os prejuízos causados pelo clima à cultura uma área de 155,34 mil hectares ficou debaixo dágua, sendo 39,27 mil hectares perdidos no Estado , há as solicitações dos produtores de uva, igualmente impactados pelo mau tempo.
    Em reunião realizada ontem, na Secretaria da Agricultura, um documento foi elaborado para ser entregue a Nassar em Alegrete.
    Traz três pontos. O primeiro é a prorrogação dos vencimentos de financiamentos de custeio e de investimentos. O segundo, a liberação de recursos para a parte que cabe ao governo na subvenção do seguro rural. E, por fim, que o ministério se mantenha firme no propósito de não permitir a importação de derivados de uva da Argentina.
    – Mesmo com a quebra de safra, temos estoques pata atender a demanda do mercado interno – afirma o secretário Ernani Polo.
    Os números da Emater apontam redução de até 65% na colheita de uva do Rio Grande do Sul. As bandeiras levantadas não chegam a ser uma novidade para Nassar, que esteve reunido com representantes do setor em mais de uma ocasião. Na ausência de uma definição do governo federal sobre o tema, nunca é demais reforçar.
    – A gente estranha essa novela que começou na metade do ano passado. A ministra disse que o seguro era prioridade – enfatiza Olir Schiavenin, vice-coordenador da Comissão Interestadual da Uva.
    Uma mobilização dentro da Festa da Uva chegou a ser cogitada. Enquanto se desenrolam as negociações, no entanto, Schiavenin avalia que não é o momento para isso:
    – Daremos um tempo até o dia 7. Mas não descartamos uma mobilização.
    Os prejuízos causados ao arroz, Nassar viu de perto quando esteve no Estado, no mês passado. Já houve liberação de recursos para pré-custeio e para a comercialização. A expectativa, agora, é pela liberação de linha de crédito para socorrer produtores atingidos pelas enchentes.

  • PELO ESTÔMAGO

    Na expectativa de conquistar o paladar – e o mercado – dos Emirados Árabes Unidos, a Associação Brasileira de Angus caprichou no cardápio. Aproveitando a Gulfood, uma das mais importantes feiras do setor de alimentos, que começa no próximo domingo em Dubai, a entidade programou uma ação diferente. Em um jantar de gala, que será servido em um hotel da cidade, três chefs colocarão à mesa carne bovina do Programa de Carne Angus Certificada.
    Na receita brasileira, nenhum mistério: o prato servido será churrasco. Há ainda uma opção africana (carne moída temperada com gengibre) e outra libanesa (bife grelhado no espeto com ervas). Cerca de cem pessoas, entre importadores e empresários regionais participam do evento, no dia 24, batizado de Celebrating Brazilian Beef Gourmet.
    – A ideia é fazer prospecção e estabelecer parcerias para a carne gourmet no mercado árabe. Ainda não mandamos carne certificada angus para lá – explica Fabio Medeiros, gerente nacional do programa Carne Angus Certificada, que embarca sábado para Dubai.
    Na ocasião, também será lançado um livro, bilíngue (no detalhe), falando sobre pecuária, características da carne e com receitas, do chef Felippe Sica – dentro do projeto Brazilian Beef desenvolvido com a Apex-Brasil.
    – Os árabes estão entre os principais clientes da carne brasileira, e há espaço para crescer – opina Medeiros.
    De lá, o grupo parte para a Arábia Saudita, que reabriu as portas ao produto brasileiro. O país é uma das apostas da Associação Brasileira das Indústrias de Carnes (Abiec) para engordar as exportações neste ano. Nos embarques de janeiro do Brasil para o Exterior, houve leve alta em volume, 0,09%, e recuo de 14% em faturamento.
    – A perspectiva de um ano melhor do que 2015 está mantida, pelos novos mercados abertos no ano passado e pelos embarques que iniciaremos em 2016 – diz Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec.

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    A preocupação expressa pela Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado (Afagro) em documento entregue à Secretaria da Agricultura é com o decreto que trata da modernização da inspeção e não das inspetorias. O argumento é de que a categoria não participou do debate sobre o tema.

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    Conexão do rio grande com a FAO
    A Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, sul do Estado, quer estreitar a cooperação que mantém com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A ideia é montar um projeto que, na prática, permitirá o treinamento de técnicos estrangeiros na unidade e também o envio de missões daqui para outros países. O plano será montado a quatro mãos e deve estar pronto até metade de junho.
    – Esperamos poder exercitar isso a partir de 2016. Para o Brasil e para o Rio Grande do Sul, seria interessante ter uma bandeira da FAO como um campo de agricultura sustentável – projeta Clenio Pillon, chefe-geral da Embrapa Clima Temperado.
    O representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, realizou visita, na segunda e na terça-feira, nas três unidades físicas de Embrapa em Pelotas. Uma delas foi a Estação Experimental Cascata (na foto), com em pesquisas na produção familiar.

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    No radar
    CHUVA E VENTO causaram estragos ontem no parque da Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque. Segundo Enio Schroeder, vice-presidente da cooperativa, a destruição foi em uma área localizada, sem maiores proporções.

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    Com um caso confirmado em Gramado, são
    40
    equinos com diagnóstico positivo para a doença do mormo no RS, segundo a Secretaria da Agricultura.

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    Em férias coletivas
    Os 180 trabalhadores da unidade de aves da cooperativa Cosulati, localizada em Morro Redondo, na zona sul do Estado, estão em período de 30 dias de férias coletivas. O término está previsto para o dia 3 do próximo mês. O frigorífico passa , neste momento, passando por manutenções e adequações para a vistoria da solicitação de retomada do registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF).
    Em dificuldades financeiras, por conta do aumento dos custos com o milho, principal insumo da ração das aves, e da necessidade de elevado capital de giro, a unidade busca parcerias para seguir funcionando.
    A retomada do SIF é importante para empresas interessadas em exportação.
    – Continuamos a monitorar a situação – afirma Darci Rocha, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Pelotas.

  •   Fonte : Zero Hora