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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein DESCONCENTRAR PARA NÃO DEPENDER

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    O gigantismo da JBS transformou-se em problema a partir do momento em que a empresa se envolveu em um dos maiores escândalos do país. Ao se tornar líder mundial em processamento de proteína animal, a companhia dos irmãos Batista trouxe risco para todo o setor diante da incerteza sobre seu futuro.
    Depois do leite derramado, o governo afirma estar estudando mecanismos para estimular pequenas e médias empresas, com o objetivo de reduzir a concentração do segmento. A informação partiu do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que disse ainda estar sendo feito um mapeamento de plantas fechadas para possível reativação. Certamente, o principal foco seria o centro-oeste do país, onde há poucas empresas que atuam no abate de bovinos.
    Para o Rio Grande do Sul, essa medida teria impactos diferentes. No caso de bovinos – a JBS não tem unidade no Estado –, a avaliação do Sindicato das Indústrias de Carne e Produtos Derivados (Sicadergs) é de que não existe concentração.
    – Há 392 frigoríficos de bovinos. Com essa pulverização, não tem muito espaço para reabertura de unidades – opina Zilmar Moussalle, diretor-executivo do Sicadergs.
    No ramo de suínos, a avaliação é semelhante. Não é preciso abrir mais plantas, mas qualificar as existentes, pondera Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips):
    – Precisamos de empresas que busquem o mercado externo.
    Tanto nos suínos quanto nas aves impera a relação de integração, em que as indústrias fomentam todo o processo produtivo, uma diferença em relação à venda de gado na região do Brasil central.
    Nestor Freiberger, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e diretor-presidente da Agrosul, diz que a dificuldade das médias e pequenas empresas é acesso a crédito.
    – Essa não concentração que pretende o governo passa por não centralizar os financiamentos. Quanto mais desconcentrada a produção, melhor para a livre concorrência e para o consumidor – avalia Freiberger, que considera 30% de abates de aves no Estado na mão da JBS “muito elevado”.

  • FORA DA CURVA

    Foi com valor acima da média da temporada que a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) fechou a 15ª Feira de Terneiros e Terneiras e a 6ª Feira de Ventres Selecionados. Os machos foram negociados a R$ 5,94 o quilo. O evento, parte da 40ª Expoleite e 13ª Fenasul, em Esteio, teve pista limpa, com a venda de todos os 787 animais, e faturamento de R$ 995,82 mil.
    – Tivemos valores muito bons. Mais uma vez, o grande parceiro foi a qualidade dos animais – avalia Francisco Schardong, presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul.
    As terneiras tiveram média de R$ 4,80 o quilo. O valor mais alto no remate ficou em R$ 7,20 o quilo, na venda de um lote com 24 terneiros. Em apenas duas horas, a oferta colocada em pista foi adquirida.
    – É das boas médias da temporada de outono – afirma Jarbas Knorr, presidente do Sindicato dos Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler-RS).
    Até o momento, segundo Knorr, 26,66 mil terneiros foram leiloados, com preço médio de R$ 5,52 o quilo. Entre os compradores da feira em Esteio, pecuaristas de todo o Estado, buscando exemplares para cria e terminação. Produtores de soja, capitalizados, costumam aproveitar oportunidades como essa para adquirir terneiros e terneiras, que são colocados no azevém para a engorda, e depois, revendidos nas feiras de primavera.

  • NO RADAR

    O governador José Ivo Sartori participa hoje, em Passo Fundo, da cerimônia de anúncio de investimento a ser feito pela Italac. Como antecipou a coluna na sexta-feira, serão R$ 120 milhões para a ampliação das unidades. Com o aporte, a unidade de Passo Fundo será a segunda maior em produção de leite condensado.
    R$ 1,0387
    É o valor de referência projetado para o leite tipo padrão em maio, conforme o Conseleite. A quantia é 1,18% inferior à consolidada em abril. A avaliação é que, como o frio ainda não chegou com força, o consumo não avançou, fazendo os preços ficarem estáveis.

  • AMPLIAÇÃO TOMANDO FORMA

    O projeto de ampliação da unidade da multinacional Yara em Rio Grande, que terá investimento de R$ 1,3 bilhão, está avançando a olhos vistos (foto). O trabalho de terraplenagem foi concluído. Equipamentos estão sendo adquiridos e, em breve, começa a parte da construção civil.
    Até a conclusão, em 2020, serão três etapas de execução.
    – O cronograma está andando bem – afirma Leonardo Silva, vice-presidente de produção da Yara.
    A obra irá gerar 1,3 mil empregos diretos e até 4 mil indiretos no ápice. No momento, estão abertas mais de 200 vagas. A seleção está sendo feita via Sistema Nacional de Emprego (Sine) de Rio Grande.
    Com a ampliação, a empresa aumentará a produção de 1,5 milhão de toneladas por ano para 2,6 milhões de toneladas.
    – O objetivo é atender o crescimento do mercado que participamos – completa Silva.
    Com sede na Noruega, a Yara produz fertilizantes. No Brasil, tem participação de 25% nos negócios e no Estado, de 40%.

  • RECORDE NA PANELA

    Do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, saiu um novo recorde brasileiro. Uma das atrações das reformuladas Expoleite e Fenasul, o maior arroz de leite do país foi para a panela no sábado. Na receita, foram 165 quilos de arroz, 1,26 mil litros de leite, 505 quilos de leite condensado, quatro quilos de canela em pau, um quilo de cravo e nove quilos de canela em pó. O rendimento foi de 6 mil porções.
    O que também fez sucesso nesta edição foi o Pub do Queijo. Segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat-RS), 400 pessoas passaram pelo local, consumindo cerca de cem quilos de queijos.
    – Acertamos no formato e no foco. Acho que foi um ótimo começo. O que atrapalhou um pouco a vinda do público foi o tempo ruim – afirma Ernani Polo, secretário de Agricultura.

    Fonte : Zero Hora