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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein DE GIGANTE DO SETOR A ALVO DA LAVA-JATO

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    Esta não é a primeira vez que a JBS, uma gigante do agronegócio, está no centro de uma ação da Polícia Federal. Em um intervalo de apenas dois meses, a empresa, que é líder mundial no processamento de proteína animal, já passou por outras duas ações que sacudiram o país.
    Foi uma das investigadas na Operação Carne Fraca, que apurou problemas em indústrias de carnes e foi catastrófica para a imagem do setor no mundo todo. Na semana passada, esteve no centro de apuração que investiga irregularidades em aportes de recursos feitos pelo BNDESPar, braço do BNDES que tem participação na companhia.
    A JBS cresceu rápido e sempre teve apetite voraz, dentro e fora do país. A velocidade como expandia seus negócios, mesmo em períodos de turbulências financeiras, alimentou rumores. No Rio Grande do Sul, também fez aquisições – em 2012, por exemplo, assumiu as operações da Doux Frangosul.
    Agora, a empresa dos irmãos Batista se torna pivô de um dos maiores escândalos nacionais, ao apontar o envolvimento do presidente Michel Temer e de outras figuras políticas de peso no pagamento de propina.
    Esse novo capítulo deve trazer impactos para o setor, da mesma forma que causou para empresas de outras áreas que fizeram delações na Lava-Jato. A JBS, que tem negócios com o mundo inteiro, não será mais a mesma. Nem o agronegócio. E o grande risco está na contaminação de um dos segmentos mais importantes da economia brasileira, cujos resultados têm sido um alento ao longo da crise – agora mesmo, o país colhe uma supersafra de grãos.
    A dimensão dos efeitos só será conhecida com o tempo. Mas o que se revelou, até o momento, já é mais do que suficiente para afirmar que é apenas uma questão de tempo para que sejam percebidos.

  • NO RADAR

    RELATÓRIO FINAL da CPI da Funai foi aprovado ontem. Pede que sejam indiciados 30 índios, nove antropólogos, 14 integrantes da Igreja Católica e 16 procuradores federais, entre outros. Mas não há na lista nenhum produtor ou pessoa envolvida em conflitos com indígenas no campo.

  • RANKING DO ARROZ

    O processo de beneficiamento de arroz é altamente concentrado no Estado. Levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) com 174 empresas mostra que, no ano passado, as 10 principais indústrias do setor responderam por 45% do processamento do cereal. Só pelas três primeiras (Camil, Josapar e Pirahy), passou 25% do produto.
    – As maiores são mais especializadas na atividade e têm diversificação de produtos, conseguindo usar os mesmos canais de distribuição – avalia Victor Hugo Kayser, chefe da seção de política setorial do Irga.
    Cerca de 80% do arroz produzido no Estado – maior produtor nacional – é beneficiado por indústrias instaladas aqui. O processamento anual é em torno de 6 milhões de toneladas.
    Outra evidência da concentração vem do fato de que, entre 2009 e 2016, o número de engenhos encolheu 20%, mas a capacidade instalada cresceu 20%. As 30 menores empresas representam apenas 0,08% da capacidade instalada. As 30 maiores, 70%.

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    O PROJETO DE LEI PARA REFORMA TRABALHISTA NO CAMPO FOI ALVO DE MOÇÃO DE REPÚDIO POR PARTE DAS COMISSÕES NACIONAL E ESTADUAL PARA A ERRADICAÇÃO DO TRABALHO ESCRAVO. A VISÃO É DE QUE IRÁ PRECARIZAR O TRABALHO RURAL.

  • PREÇOS AO PRODUTOR ENCOLHEM

    Um cenário que mistura questões conjunturais e estruturais é a razão para que os preços recebidos pelo produtor estejam em deflação, como mostra pesquisa mensal feita pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Apesar de o período de safra ser tradicionalmente de recuo nos valores, neste ano, fatores como queda dos preços das commodities e da taxa de câmbio ajudam a explicar o recuo de 8,98% só em abril e de 18,14% no acumulado dos últimos 12 meses (veja quadro).
    – Há deflação de dois dígitos e isso não é comum – pondera o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz.
    Outro fator que tem puxado os preços para baixo é o alto custo do frete.
    O índice de custo de produção também tem caído. Chegou a -1,63% em abril, a -2,91% no acumulado do ano e a -1,58% nos últimos 12 meses.

    Fonte : Zero Hora