CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CRESCIMENTO À BASE DE FRANGO

 
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    Enquanto indústria e serviços acumulam queda no desempenho da economia gaúcha em 2015, a agropecuária se mantém isolada com resultado positivo. No acumulado do ano, cresceu 10,7%. Na comparação do terceiro trimestre de 2015 com igual período de 2014, avançou 18,4%, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Passado o segundo trimestre, quando a soja mostra toda sua força sobre o PIB do Rio Grande do Sul, no terceiro trimestre, foi a pecuária que teve impacto sobre os números, em especial a produção de aves. A distribuição das vendas dessa indústria costuma ser mais uniforme ao longo dos quatro trimestres, explica o diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos. Mas 2015 é diferente:
    – Como esse é um ano atípico, de retração, talvez tenha se localizado neste período uma demanda maior.
    No mercado externo, o RS, terceiro maior produtor e exportador do país – atrás de Santa Catarina e Paraná – encontrou espaço extra no apetite mais voraz do Oriente Médio, da Rússia, que ampliou as habilitações de frigoríficos, e até do México e de outros países onde a gripe aviária causou baixas nos negócios.
    No cenário nacional, o setor de aves também irá fechar o difícil 2015 com avanço. Houve crescimento em produção (3,5%) e volume exportado (4%) de frango. Em receita, há o contraste entre dólares e reais. Na moeda americana, o recuo foi de 11%. Na brasileira, aumentou 25%, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Resultado do crescimento constante no mercado islâmico, da manutenção do share japonês e do avanço em território chinês.
    – Superamos a China e nos tornamos o segundo maior produtor mundial, só perdendo para os Estados Unidos, mantendo o posto de maior exportador – conta Francisco Turra, presidente da ABPA.
    Há projeção de bons negócios também para 2016: alta entre 3% e 5%. Em tempos de crise, um resultado mais do que animador.

  • PREPARANDO A CEASA

    Abre hoje ao público o novo espaço da Ceasa destinado aos produtos orgânicos. Serão 14 empresas colocando na vitrine do principal centro de vendas de hortifrutigranjeiros do Estado itens resultantes do trabalho de 500 produtores do Estado. São processados – não haverá artigos in natura –, que vão de suco de frutas ao sorvete. As bancas ficarão no mesmo espaço das flores.
    Ontem, armários especialmente trazidos de Antônio Prado (foto) foram posicionados, em meio ao trabalho de preparação, que deve ser totalmente concluído até o início da tarde a, quando ocorre a inauguração oficial, com direito a coquetel de degustação do que será comercializado no local.
    – Costumo dizer que a Ceasa é uma grande fruteira. Tem espaço para todo mundo, para produtos orgânicos e convencionais – afirma Ailton Machado, diretor técnico e operacional, também produtor de folhosas, pelo sistema tradicional.
    Diariamente, entre 20 mil e 30 mil pessoas circulam pela Ceasa, na zona norte da Capital – nas vésperas de Natal e Ano Novo, esse número pode chegar a mais de 50 mil. Quinta-feira é o dia de maior movimento.
    Em 2015, o efeito do El Niño apareceu na Ceasa. O volume de produtos negociados pode ficar um pouco abaixo do habitual – cerca de 600 mil toneladas. O faturamento, no entanto deve crescer, chegando a mais de R$ 1,1 bilhão.

  • OUTRA BANDEIRA

    Faltava apenas a sanção presidencial. Agora, não. Dilma Rousseff deu o aval à lei que dá desconto aos irrigantes dentro da bandeira vermelha no consumo de energia. Ontem, o assunto foi abordado na coluna, justamente por conta do impacto que a nova tarifa trouxe ao custo de produção das lavouras de arroz, no período de um ano. Os gastos do produtor com a conta de luz dobraram.
    Em média, o produtor de arroz desembolsa entre R$ 5,5 mil e R$ 6 mil por hectare de lavoura. Desse total, a energia representava entre R$ 400 e R$ 500. Neste ano, será o dobro disso.
    Presidente da Federarroz-RS, Henrique Dornelles disse que o impacto só será conhecido mais adiante, porque a safra começou com a tarifação de bandeira vermelha valendo.

  • Fonte : Zero Hora