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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein – Conquistas e desafios do Código Florestal

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  • Conquistas e desafios do Código Florestal
    Foi depois de muita discussão e polêmica que o Brasil ganhou, há cinco anos, um novo Código Florestal. De lá para cá, algumas coisas avançaram, mas os processos de regularização e compensação ambiental ainda estão longe de acontecer. Dependem da implementação de ferramentas técnicas que estão sendo construídas.
    Uma das principais novidades trazidas pela legislação foi a necessidade de realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR). O prazo para que o produtor cumpra com a exigência foi prorrogado duas vezes – em tese, termina no final do ano –, em razão da baixa adesão. O Rio Grande do Sul, que chegou a ser o lanterna do país, acelerou o passo e está com 479,45 mil imóveis cadastrados de um total de 480 mil. A área mapeada chega a 86,72%.
    – Em menos de um ano, houve adesão impressionante. Principalmente após o decreto com a regulamentação estadual. O pessoal entendeu a importância – opina Maria Patricia Möllmann, secretária-adjunta do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
    Além da conscientização, o cadastro passou a fazer parte das exigências para licenciamentos ambientais, o que sem dúvida, também contribuiu para que o produtor se apressasse. Mas nem tudo é ponto pacífico.
    O decreto que regulamentou o cadastro segue alvo de ação do Ministério Público e liminar determina que a área de pastoreio seja cadastrada como vegetação nativa.
    Se o cadastro está perto de ser concluído, o módulo de análise não começou. A secretaria aguarda instalação do módulo federal. O passo seguinte, da regularização, só poderá ser feito após a publicação de regras. O decreto está sendo debatido por grupo de trabalho.
    – Pela previsão técnica, o que está acontecendo agora fica dentro do esperado. O prazo do cadastro na proposta original era de cinco anos – diz Eduardo Condorelli, assessor da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), acrescentando que é preciso considerar as características do Brasil e a dimensão do agronegócio no país ao avaliar o andamento do cadastro.


    No radar
    GESTÃO, infraestrutura, logística, energia e comunicação são temas que estarão no planejamento estratégico para os próximos 10 anos da Federação da Agricultura do Estado. Com as sugestões, técnicos montarão as diretrizes da entidade.


    R$ 38,5 milhões
    é o valor do prejuízo acumulado, em 2016, pelas empresas de frango, de ovos e de suínos com o roubo de cargas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal. Foram 1,2 mil ocorrências registradas no país e nove no Rio Grande do Sul.


    Menor valor em 13 meses

    Motivo de preocupação para a indústria brasileira, a importação de produtos lácteos registrou em abril o menor valor em 13 meses, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira de Laticínios – Viva Lácteos (veja arte). Um dos principais produtos comprados é o leite em pó, cujo volume em abril foi o menor em 14 meses.
    – A tendência de recuo nas aquisições permanece – observa Marcelo Martins, diretor- executivo da Viva Lácteos.
    Secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do RS, Darlan Palharini pondera, no entanto, que na comparação de janeiro e fevereiro com igual período de 2016, as importações mais do que dobraram de valor.


    MARCHA LENTA
    A chuva tem atrapalhado o andamento do plantio de trigo no Estado. No Noroeste, os produtores já deram início aos trabalhos, mas não conseguiram avançar muito por conta do tempo.
    Na região de Santa Rosa, a área semeada chega a 10%, um pouco abaixo do que costuma ser neste período, conta José Vanderlei Waschburger, gerente regional da Emater. Custos de produção elevados, preço baixo do cereal, dificuldades na comercialização, prognóstico de chuva acima da média na primavera e redução do preço mínimo estão entre os fatores que explicam o recuo no espaço dedicado à cultura. Para o Estado, a diminuição é estimada em 6,49% pela Emater.
    Em Santa Rosa, no entanto, esse percentual gira entre 5% e 20%.
    – Essa insegurança de o produtor não saber, quando planta, o preço que terá na colheita, pesa. Na região, o plantio de soja no cedo também influencia o cultivo de trigo – completa Waschburger.
    O assistente técnico regional de Passo Fundo da Emater Claudio Dóro afirma que o produtor está optando por outras lavouras de inverno, como cevada, aveia branca e canola, com menor investimento e maior liquidez.
    Presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton JardiM mantém projeção de recuo de 15% na área do cereal:
    – Devemos ter 650 mil hectares. O desestímulo é muito grande.


    Gigante Bunge na mira
    Uma das maiores e mais antigas tradings de grãos, a Bunge está na mira da suíça Glencore, que fez proposta informal de compra. Em nota, a empresa afirmou que “as discussões podem ou não se materializar e não há certeza de que qualquer transação ocorrerá”.
    Quanto os suíços teriam oferecido pela aquisição não se sabe. A Bunge é avaliada em US$ 15 bilhões. Já a Glencore, empresa de mineração e commodities, tem valor estimado em US$ 55 bilhões.
    Se concretizada, a venda poderá ampliar a concentração de mercado de empresas do setor. No ano passado, a alemã Bayer comprou a americana Monsanto. Seguiu a trilha de outras junções: a Syngenta foi adquirida pela ChemChina e houve a fusão da Dupont com a Dow AgroSciences.
    Com carga tributária maior desde 1º de maio para a farinha vendida a SP, RJ e MG, os moinhos de trigo do Rio Grande do Sul deverão repassar essa alta de custo. O produto negociado no rs também ficará de 5% a 7% mais caro.

  • Fonte: Zero Hora