CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein COMO SE FOSSE UM FLASHBACK

 
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    Para os produtores familiares do Rio Grande do Sul, 2015 vai terminar mais ou menos como 2014: com o crédito fundiário empacado. Apesar de sinalizar com mudanças muito esperadas, como a ampliação do teto de renda anual de R$ 15 mil bruto para R$ 30 mil líquido e de patrimônio para R$ 60 mil no geral e R$ 100 mil entre herdeiros , o governo federal ainda não regulamentou todas alterações anunciadas para financiamentos de terra. O decreto com as modificações foi anunciado em agosto, na Marcha das Margaridas.
    Sem a operacionalização, seguem valendo os limites antigos, que são baixos e inviabilizam a compra.
    – Paramos de encaminhar os pedidos com as regras velhas, porque não adianta. O crédito fundiário não andou – afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Federação das Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).
    No tradicional balanço de final de ano, a entidade apontou esse como um dos gargalos a serem vencidos. A expectativa é de que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário coloque em votação hoje o atual texto proposto para a regulamentação. Quando as mudanças entrarem em vigor, a Fetag-RS estima que até 5 mil agricultores sejam beneficiados.
    A julgar pelo andar da carruagem, a coisa toda pode ficar para 2016. Depois de ter acenado com a perspectiva de que as regras pudessem sair até o fim de novembro e com uma visita ao Estado para tratar do assunto, Adhemar Lopes de Almeida, secretário de Reordenamento Agrário do Ministério do Densenvolvimento Agrário (MDA), primeiro adiou e depois desmarcou agenda inicialmente prevista para hoje.
    O argumento repassado à entidade foi de devido aos cortes no orçamento, os gastos com a viagem não poderiam ser feitos. Em nota, o ministério diz que o cancelamento ocorreu devido “a compromissos na agenda em Brasília” e que nova data “será definida posteriormente”.
    – Existe diálogo com o MDA, mas, quando bate na Casa Civil e na Fazenda, é totalmente ignorado – afirma Joel.

  • VINHO COM ENERGIA SOLAR

    Após um projeto-piloto de quase dois anos, a Guatambu Estância do Vinho decidiu investir R$ 1,3 milhão na geração independente de 100% da energia necessária para abastecer a vinícola, localizada em Dom Pedrito, na Campanha. O parque solar, com 600 painéis fotovoltaicos, será inaugurado em março. Importados da Europa, os equipamentos serão usados como cobertura em um estacionamento de veículos de 2 mil metros quadrados, ao lado da propriedade.
    – Seremos a primeira vinícola na América do Sul abastecida 100% com energia renovável própria – conta o diretor e sócio-proprietário da Guatambu, Valter José Pötter, prevendo retorno do investimento em oito anos.
    A motivação vem dos resultados obtidos no projeto-piloto com 18 painéis solares (foto) instalados na vinícola em 2013.
    Antes, a vinícola chegou a testar a produção de energia eólica, que mostrou-se inviável.
    Conforme Pötter, os painéis solares terão capacidade para gerar 200 mil quilowatts por ano. Nos períodos de pico, a vinícola consome 20 mil quilowatts por mês, especialmente no resfriamento dos tanques e nas câmeras frias que armazenam as uvas. A produção excedente será repassada à distribuidora, que devolverá a energia quando necessário.
    Com 16 rótulos de espumantes e vinhos, a Guatambu deve encerrar o ano com alta de 175% no faturamento. A má notícia vem da safra deste ano, que deve ser reduzida pela metade em razão da geada e do granizo.
    – O calor fora de época apressou a floração da produção. Quando foi atingida pela geada não resistiu – lamenta a agrônoma Gabriela Hermann Pötter, enóloga da Guatambu.

  • EM QUADRINHOS

    No dia mundial de combate aos agrotóxicos, o Ministério Público do Trabalho coloca nas bancas virtuais nova edição da série MPT em Quadrinhos com o tema.
    Ao tratar de assuntos sérios de forma lúdica, a série de quadrinhos do órgão tem como objetivo informar a sociedade sobre diferentes assuntos, do contrato de trabalho à inclusão social.

  • NO RADAR

    DEVERÁ ter chapa única, de consenso, a disputa pela diretoria da Fetag-RS. Carlos Joel da Silva, atual presidente, tenta seguir no comando. Na eleição anterior, ele era o vice e assumiu a vaga, com a saída do então presidente para a Assembleia. O prazo para inscrição termina dia 21. A votação será em 14 de janeiro de 2016.

  • REFLEXOS DA QUEBRADEIRA

    Uma das prioridades da Fetag-RS para 2016 será fazer pressão para que os projetos que alteram a lei de falências andem de vez. Hoje, o produtor fica no fim da fila dos credores em casos de recuperação judicial de empresas. A ordem atual deixou milhares de produtores de leite com valores por receber.
    A meia boa notícia é que um dos dois projetos de lei apresentados para modificar a legislação – de autoria do deputado Jerônimo Goergen (PP) e que foi incorporado a outro existente na Câmara – está na Comissão de Tributação e Finanças, à espera de parecer. Depois, precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça, sem necessidade de ir a votação em plenário.
    Além dos produtores de leite, as dificuldades financeiras e pedidos de recuperação judicial, segundo a Fetag, alcançaram outros ramos, como o de grãos e tabaco. Uma cooperativa também busca reequilibrar as contas.

  • COMISSÃO MISTA QUE AVALIA A MEDIDA PROVISÓRIA 690 FECHOU ACORDO, A PARTIR DE NEGOCIAÇÃO PROPOSTA PELO SENADOR LASIER MARTINS (PDT-RS), PARA QUE A REDAÇÃO FINAL DO TEXTO APRESENTE ALÍQUOTA DE IPI DO VINHO REDUZIDA DE 10% PARA 6% EM 2016 E 5% A PARTIR DE 2017. O DOCUMENTO VAI AGORA PARA VOTAÇÃO EM PLENÁRIO NA CÂMARA.

  • DA METADE SUL

    Ao buscar madeira em Pelotas, no sul do Estado, a CMPC Celulose Riograndense devolve a esperança a produtores após a desistência de megaprojetos de celulose. Ainda neste ano, a indústria instalada em Guaíba começará a trazer matéria-prima da região por meio de barcaças carregadas no porto de Pelotas – que já começou a ser reformado para executar a operação.
    – Queremos trazer da Metade Sul 20% da nossa matéria-prima, de forma regular – adiantou Walter Lídio Nunes, presidente da Celulose Riograndense.
    A madeira que começará a ser extraída faz parte do antigo projeto Losango, ativos florestais e terras vendidos pela Fibria à Celulose Riograndense em 2012. A área tem 40 mil hectares plantados com eucalipto na região de Pelotas. A expectativa é de que a extensão para a Metade Sul gere, a médio prazo, 800 empregos.

  • Fonte : Zero Hora