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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein Colaboraram Cleidi Pereira e Karen Viscardi

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  • PROJETO FICA PARA SEGUNDO SEMESTRE

    Ogoverno estadual atendeu a pedidos da base aliada e recuou novamente. Pela terceira vez, retirou o regime de urgência do projeto de lei 214, que trata da redução de até 30% do crédito presumido das indústrias. Líder do governo, Gabriel Souza (PMDB) afirma que o debate sobre a proposta ficará para o segundo semestre.
    Pelo menos até lá, a indústria ganha um pouco de fôlego. Seja para convencer o Piratini a desistir do projeto, seja para reforçar que o Rio Grande do Sul perderia competitividade no cenário nacional em setores importantes como os da proteína animal e da indústria de laticínios. As empresas afirmam que crédito presumido não é benefício, e sim mecanismo para garantir condições de igualdade diante da guerra fiscal dos Estados.
    – Entendemos que não se deve mexer nesses benefícios. O Estado acaba recebendo de volta os valores (com a venda dos produtos industrializados). A ideia é deixar a discussão para outro momento – diz Sergio Turra (PP).
    O deputado Elton Weber (PSB) diz que só se o governo quiser o assunto voltará à pauta:
    – De nossa parte, não vamos trabalhar para que o projeto ande.
    Se o Piratini mantiver o interesse em levar o debate adiante, Weber diz que negociará emenda.
    O PL 214 foi montado pelo Executivo em 2015, em meio à necessidade de ajustes fiscais que pudessem ajudar a aliviar a crise nas finanças públicas.
    A estimativa era, com a redução dos créditos presumidos, aumentar a arrecadação do Estado em R$ 300 milhões por ano. A indústria argumenta que o RS tem muito mais a perder se a redução for aprovada.
    Mesmo que o governo Sartori deixe a proposta de lado, a discussão poderá ser retomada. É que a recuperação fiscal dos Estados, na esfera federal, exige contrapartidas que incluem redução de 10% ao ano de benefícios fiscais.

  • APLICAÇÃO PRECISA

    Feita hoje, a pergunta “Qual a quantidade de agrotóxicos utilizada nas lavouras do Rio Grande do Sul?” ficaria sem resposta precisa. Como não existe sistema digital, a compra e a venda desses produtos são atualizadas manualmente. A ideia é mudar esse panorama. Instrução normativa que será publicada hoje estabelece prazo de 90 dias para que o Sistema Integrado de Gestão de Agrotóxicos (Siga) seja implementado.
    – O Estado dá um passo muito importante na obtenção de dados sobre uso e comércio de agrotóxicos. É uma ferramenta de gestão da informação – afirma Rafael Friedrich de Lima, chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da Secretaria da Agricultura.
    A criação do Siga foi feita ainda em 2014 – na gestão de Tarso Genro. De lá para cá, foram feitos ajustes para o desenvolvimento do sistema.
    São 1,5 mil empresas que trabalham com a venda de defensivos no Estado.
    Para fazer o cadastro no Siga, bastará acessar o site da secretaria. Receitas agronômicas e notas fiscais poderão ser carregadas. O sistema funciona de forma semelhante aos anexos de e-mails.
    – O mapeamento servirá para vários públicos, de consumidores a profissionais – avalia Lima.

  • APESAR DA CRISE

    As projeções de 20% de expansão do crédito rural no Plano Safra 2017/2018 demonstram que o Sicredi consegue atuar descolado da crise política e econômica no Brasil.
    A expectativa é financiar R$ 7,1 bilhões só no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e R$ 14,8 bilhões no país (veja abaixo). O segredo, conta Gerson Seefeld, diretor-executivo da Central Sicredi Sul, é a proximidade da instituição com as demandas do produtor e a pulverização de crédito. A maior parte de financiamentos é direcionada para a produção de grãos – em especial milho e soja. Mas outras culturas também têm atenção. No arroz, cerca de 30% das lavouras colhidas no RS foram financiadas pelo Sicredi. E outras atividades ganham espaço:
    – Na região central do Estado, temos a noz-pecã. Também está crescendo o cultivo de oliveiras.
    Para o ano, Seefeld a expectativa é de que seja positivo, muito em razão do clima. Isso deve ajudar a alavancar os negócios com pequenos e médios produtores e a agroindústria familiar, responsáveis por 83,8% das operações no período 2016/2017 na Regional Sul.

  • VAGAS FECHADAS

    O frigorífico Boa Vista, de Santa Maria do Herval, demitiu 39 pessoas na última segunda-feira. Os desligamentos foram motivados pela necessidade de reduzir custos e pela retração nas vendas no mercado interno, segundo a empresa. O estabelecimento, que abate 200 cabeças de gado por dia, em média, está operando com uma ociosidade de 50%. Prestes a completar 60 anos, o frigorífico é um dos principais empregadores do pequeno município de 6 mil habitantes, no Vale do Sinos. No ano passado, o quadro era de 330 pessoas.

  • NO RADAR

    A Assembleia terá 30 dias para apreciar o projeto de terceirização do serviço de inspeção. O governo estadual protocolou ontem projeto de lei (PL 125), em regime de urgência. Pelo texto, médicos veterinários da iniciativa privada poderão ser contratados para a função hoje desempenhada por fiscais agropecuários.
    AS DÍVIDAS DO FUNRURAL VOLTAM A SER TEMA DE REUNIÃO ENTRE FRENTE PARLAMENTAR DA AGROPECUÁRIA E RECEITA FEDERAL. A AVALIAÇÃO DE INTEGRANTES DA FRENTE É DE QUE O GOVERNO PODE EDITAR AINDA NESTA SEMANA MEDIDA PROVISÓRIA TRATANDO DO ASSUNTO.

    Fonte : Zero Hora