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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein Colaboraram Caio Cigana e Karen Viscardi – UMA NOVA PÁGINA DO COOPERATIVISMO

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    A decisão tomada na assembleia da Cooperativa Mista Tucunduva Ltda (Comtul) ontem marca um novo capítulo na história recente do cooperativismo. Por unanimidade, os associados presentes aprovaram o fim da liquidação extrajudicial.
    – Na história recente, não temos outra cooperativa que tenha conseguido sair da condição de liquidação extrajudicial. Isso mostra que, quando o quadro social está com a cooperativa e tem uma liderança, é possível a recuperação, independentemente do tamanho da dívida – afirma Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro).
    Com 1.177 associados e 6 mil clientes, a Comtul viu suas contas ruírem e precisou recorrer ao mecanismo em julho de 2014, quando acumulava dívida de R$ 120 milhões. Foram quase três anos até conseguir colocar a casa em ordem – o passivo atual é de R$ 90 milhões, todo renegociado. O faturamento em 2016 chegou a R$ 185,46 milhões.
    Na avaliação do advogado Fernando Pellenz, do escritório Souto Correa, que atuou na reestruturação, contribuiu para o desfecho positivo o fato de a decisão pela liquidação extrajudicial ter sido tomada tão logo foram constatadas as primeiras dificuldades financeiras:
    – Tem ainda a participação do associado e o modo de conduzir a negociação. O presidente liquidante conseguiu rapidamente recuperar a credibilidade da cooperativa.
    Com a volta à normalidade, um novo conselho de administração foi escolhido. Enilto Balbinot, que era o presidente liquidante, passa a ser o presidente da Comtul pelos próximos três anos. Ele também cita o apoio do produtor e da comunidade como fundamentais para sair da condição. O tamanho das últimas safras foi outro fator que ajudou.
    – O grande objetivo de sair da liquidação é melhorar as áreas de negócio e as parcerias – afirma Balbinot.
    A Comtul atua na região de Tucunduva, no Noroeste, e das Missões. Para a safra de 2017, espera movimentar 120 mil toneladas de grãos.
    O presidente da Fecoagro estima que em breve outras cooperativas poderão seguir os passos da Comtul e colocar um ponto final na liquidação extrajudicial – entre as associadas da entidade, há ainda nove nesta condição:
    – Acho que foi apenas a primeira. Teremos mais saindo da liquidação.

  • PARA DAR CONTA DA SUPERSAFRA

    A colheita de soja começa a se intensificar a partir deste mês. E para garantir que os embarques do produto ocorram sem maiores transtornos, a superintendência do porto de Rio Grande já começou a organizar a logística das operações. Reuniu os segmentos envolvidos para deixar tudo alinhado para quando o grão começar a chegar.
    – Confiamos muito na estrutura dos terminais privados – afirma Janir Branco, superintendente do porto, sobre os terminais Termasa/Tergrasa, Bunge e Bianchini.
    Até mesmo o WhatsApp entra como recurso. Um grupo criado reúne os gestores de cada terminal e a Polícia Rodoviária Federal. Se ficarem caminhões na rodovia, a superintendência entra em ação, conta Branco:
    – Criamos um espaço alternativo no pátio rodoviário para os caminhões, evitando transtornos na rodovia.
    No primeiro bimestre deste ano, o porto gaúcho movimentou 4,9 milhões de toneladas. Os granéis sólidos, que englobam os produtos agrícolas, tiveram crescimento de 22,7% no período. O maior aumento foi do trigo, que cresceu 61,2%. No complexo soja, a alta foi de 23,4%.
    – A soja que está entrando agora é do ano passado. O pessoal está tirando o grão guardado nos silos para a entrada da nova safra – comenta o superintendente.

  • VENTO DE PREOCUPAÇÃO

    O prejuízo causado às lavouras de arroz pela chuva e pelo vento forte será conhecido até quinta-feira, quando o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) conclui levantamento iniciado ontem.
    – Temos indicativos de perdas – diz Maurício Fischer, diretor técnico do Irga.
    Por enquanto, é cedo para falar em impacto sobre a produção prevista para esta safra, de 8,4 milhões de toneladas.
    O principal problema foi o acamamento (quando o arroz deita). Ainda há 85% da área para ser colhida, o que aumenta os riscos.
    – Se vierem outras chuvas com vendavais, prejudica a colheita e amplia significativamente as perdas – afirma Henrique Dornelles, presidente da Federarroz-RS.
    Quanto maior a demora para a colheita, maior a chance de danos.
    – Nos lugares em que acamou, haverá perdas. Podem ir de 2% a até 10%, 15% – projeta Dornelles.

  • RODÍZIO AMPLIADO

    O secretário de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Rangel, disse à direção do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) que vai tentar ampliar para os demais Estados a decisão – por enquanto restrita ao Rio Grande do Sul – de realizar rodízio de técnicos nas unidades sob inspeção federal.
    A determinação pela alternância é reflexo da Operação Pasteur, da Polícia Federal (PF), que, em 2014, desvendou esquema em que servidores do ministério recebiam propina de laticínios do Vale do Taquari.
    A ordem, revelada pela coluna dia 23 de fevereiro, era parte de uma decisão assinada pelo ministro Blairo Maggi de demitir três agentes e cassar a aposentadoria de um quarto, acusados de facilitar fraudes. A intenção da iniciativa é evitar casos semelhantes, em que a longa permanência poderia levar a relações inapropriadas.
    O caráter exclusivo para o Rio Grande do Sul gerou nota de repúdio emitida pela regional gaúcha da entidade, queixando-se de discriminação. Conforme a Anffa, Rangel avaliou que careceria de sentido não haver uma política nacional sobre o tema.

  • QUEDA NAS EXPORTAÇÕES

    A receita das exportações gaúchas caiu em fevereiro (veja número destaque), segundo dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) divulgados ontem. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o valor reduziu 6,4%. Nos preços médios, a queda foi de 21%. Já o volume exportado cresceu 18,5%. As maiores retrações foram em fumo e seus produtos (US$ 76,1 milhões, redução de 36,9%) e produtos florestais (US$ 37,2 milhões, queda de 34,9%), que estão em segundo e quinto lugares, respectivamente, entre os principais setores da pauta exportadora do Estado no mês.

    Fonte : Zero Hora