CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CHUVA NA COLHEITA E LA NIÑA À VISTA?

 

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    Fator crucial para o desenvolvimento das lavouras, o tempo pesou sobre a safra 2015/2016 do Rio Grande do Sul. A chuva em excesso, o granizo e a geada deixaram sua marca em diferentes culturas. Milho e soja têm sido, por enquanto, a exceção. As condições climáticas vêm favorecendo o ciclo de ambos. Os prognósticos do retorno da chuva, no entanto, trazem um alerta para a colheita.
    Conforme o meteorologista e consultor climático Glauco Freitas, as previsões indicam perspectiva de bastante precipitação em abril, quando os trabalhos se intensificam no Estado. Março poderá ter tempo seco e chuva forte concentrados em curto espaço de tempo.
    – Entre os dias 17 e 20 de fevereiro, está prevista a passagem de uma onda de chuva, o que pode trazer algumas consequências – pondera Freitas.
    A colheita do milho chegou na última semana a 35% da área total semeada no Rio Grande do Sul – na sexta-feira, na abertura oficial, em Condor, a atmosfera era de otimismo com a combinação de bons resultados e preços valorizados.
    Segundo relatório mais recente da Emater, o potencial produtivo saiu melhor do que a encomenda, com produtividades médias maiores do que as estimativas iniciais. Nas lavouras de soja, a combinação de sol intercalado com chuva também se mostra, de maneira geral, benéfica, em momento decisivo do desenvolvimento.
    E se no atual ciclo houve forte influência do El Niño, projeções feitas por um instituto de meteorologia dos Estados Unidos apontam a possibilidade do fenômeno ser sucedido pelo La Niña, a partir do fim da primavera, início do verão no Hemisfério Norte.
    Ao contrário do El Niño, a La Niña é normalmente associada a períodos de pouca chuva. E seca é sempre um complicador na produção – ainda que estudo da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro) tenha revelado que duas das maiores quebras de safra do Estado, em 2004/2005 e em 1990/1991, ocorreram em anos de neutralidade.

  • SOB A LUZ DO LUAR

    Ainda rara no Estado – só duas vinícolas utilizam o recurso –, a colheita mecanizada de uvas está ganhando um componente novo. É a escolha do turno da noite para a execução da tarefa. Além de inusitada – e de render belas imagens –, a opção tem como objetivo preservar características da fruta.
    No início do mês, a Miolo realizou duas colheitas mecanizadas noturnas na vinícola integrante do grupo Seival State, em Candiota, na Campanha (foto acima). A área no local é de 200 hectares.
    – Nos dois dias, colhemos 25 mil quilos da uva sauvignon blanc. É uma variedade muito oxidativa – explica Miguel Ângelo Vicente Almeida, enólogo do grupo Miolo.
    Fazer o trabalho à noite traz benefícios, porque o calor pode acelerar o processo de oxidação. O grupo cogita realizar outra colheita noturna, com a variedade alvarinho.
    A Salton também tem uma máquina, utilizada em vinícola própria, com 150 hectares, em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste.
    – Naquela área, toda a colheita é mecanizada – explica Mauricio Copat, engenheiro agrônomo responsável pelos vinhedos da Salton.
    Em duas ocasiões, no ano passado e neste ano, os trabalhos com o equipamento foram na madrugada.
    No mundo, a colheita mecanizada é um “acontecimento banal”, conta Almeida. No Brasil, ainda é pouco comum. Uma das razões para isso é a dimensão dos vinhedos, menores no país. Outro grande desafio está nos anos de verão úmido.
    Entre as vantagens, está a possibilidade de colher nas 24 horas do dia. A redução de custos é outra. Permite, ainda, driblar a dificuldade de encontrar mão de obra especializada para a colheita.
    – Em cinco horas de trabalho, colhemos 20 mil quilos, com três pessoas envolvidas na operação. No modo manual, 30 pessoas trabalhando por oito horas conseguem colher 15 mil quilos. É uma diferença grande nos números – afirma o enólogo da Miolo.

  • NO RADAR

    A decisão da Rússia de suspender as importações de milho e de soja dos Estados Unidos poderá ter impacto no Brasil. É que os russos pretendem buscar na América Latina esses produtos. Em 2014, a Rússia importou um total de US$ 1,14 bilhão (2 milhões de toneladas) de soja em grãos – o Brasil foi, então, o segundo maior fornecedor, com US$ 312 milhões (516 mil toneladas).

  • NOVA UNIDADE PRONTA PARA USO

    A cooperativa Cotrijal está com tudo pronto para o lançamento da Expodireto, que ocorre hoje no Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Além disso, finaliza os últimos preparativos para a inauguração, no dia 23, da unidade de beneficiamento de sementes, localizada no limite entre Carazinho e Passo Fundo, no norte do Estado.
    O local (foto abaixo), tem área de mais de 20 mil metros quadrados e capacidade para receber um milhão de sacas de sementes de soja, trigo e cevada por ano. Na largada, receberá 600 mil sacas. A ideia é logo avançar para todo o potencial.
    – O aumento da produtividade começa pela escolha da semente, é o insumo mais importante. A unidade permitirá que o produtor se beneficie e também agregará valor para a cooperativa – avalia Nei César Mânica, presidente da Cotrijal.
    O investimento total foi de R$ 55 milhões – foram R$ 40 milhões só para a obra, financiados pelo BRDE – e deve gerar impacto positivo de 5% no faturamento da cooperativa, que no ano passado ficou em R$ 1,35 bilhão, 30,33% a mais do que em 2014.
    Para o início dos trabalhos, falta apenas a liberação do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI).

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    UM LUGAR DE OPORTUNIDADES. É ASSIM QUE O PRESIDENTE DA EXPODIRETO-COTRIJAL, NEI CÉSAR MÂNICA, DEFINE A FEIRA DESTE ANO. SOBRE A PERSPECTIVA DE NEGÓCIOS, ELE ENTENDE QUE A COMPRA SERÁ PELA NECESSIDADE E NÃO APENAS PARA INVESTIMENTO. OS RESULTADOS, QUAISQUER QUE SEJAM, SERÃO DIVULGADOS, GARANTE O DIRIGENTE.

  • TANTO BATE ATÉ QUE FURA?

    Os fiscais federais agropecuários do Rio Grande do Sul mantêm hoje mobilização contra a troca na superintendência regional do Ministério da Agricultura. Não haverá mais paralisação como na sexta-feira.
    – Vamos adotar outras ações – explica Consuelo Paixão Côrtes, delegada sindical no Estado da Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa).
    A categoria se reúne na superintendência, para nova reunião.
    O novo superintendente, Luciano Maronezi, foi recebido com apitaço na sexta-feira, quando esteve no órgão, onde se encontrou com o ex-titular da vaga. Na saída, conversou com os fiscais.
    O troca-troca causou desconforto porque o fiscal federal Roberto Schroeder, funcionário de carreira, foi exonerado da função sem qualquer esclarecimento por parte do Ministério da Agricultura. Embora tenha formação como técnico agropecuário, em Administração e em Gestão e Planejamento no Desenvolvimento Rural, Maronezi foi uma indicação política feita da ala do PTB que apoia o governo Dilma.
    Proprietário de consultoria que faz a captação de recursos federais, Maronezi diz que já solicitou a exclusão da sociedade em razão da nomeação. Como há um rito burocrático a ser cumprido até a sua posse, ele só deve assumir o comando da superintendência, na prática, na próxima semana.

  • Fonte : Zero Hora