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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein CHUVA DE MAIS E DE MENOS PARA O TRIGO

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    Primeiro, foi o excesso de chuva que impediu o avanço do plantio de trigo no Estado. Agora, é a pouca precipitação que atrapalha o desenvolvimento das lavouras. Apesar de a semeadura estar praticamente encerrada (faltam áreas dos Campos de Cima da Serra), ainda não há dados consolidados sobre a redução do espaço dedicado à cultura nesta safra de inverno. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou ontem balanço no qual manteve número do mês passado, que indica recuo de 10% em relação ao último ano, com 699,2 mil hectares.
    – No próximo levantamento, pode aparecer uma mudança. Mas estimo que o encolhimento da área deva ficar nesse percentual – diz Carlos Bestetti, superintendente regional da Conab.
    Na semana passada, a Emater apontava plantio de 80% da área, cuja diminuição ficou em torno de 5%, um pouco abaixo do inicialmente projetado (de 6,49%). Já o presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Hamilton Jardim, mantém a perspectiva de que o Rio Grande do Sul não deve ter mais do que 650 mil hectares cultivados com o cereal.
    Na região de Passo Fundo, onde o plantio foi concluído, a percepção é de que o recuo foi ainda maior do que o apontado no início do ciclo. Agora, a preocupação é com a baixa umidade.
    – Nas últimas três semanas, choveu pouco. O solo está seco, com rachaduras. As plantas não se desenvolvem corretamente e não dá para fazer os tratos culturais – explica Claudio Dóro, assistente técnico regional da Emater.
    Chuva na medida certa é necessária para desenvolvimento uniforme das plantas.
    – O cenário, infelizmente, não mostra regularidade de chuva daqui para frente, pelo menos até o próximo dia 25. Depois que a semente começa a germinar, se não tiver umidade suficiente acaba apodrecendo – explica Jardim.
    Se as dificuldades do mercado influenciaram negativamente a tomada de decisão pelo plantio do trigo, as adversidades climáticas poderão dar sua parcela de contribuição para uma colheita menos farta e produtividade inferior à do ciclo passado.

  • Chegou a R$ 22,7 bilhões o valor liberado pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) na safra 2016/2017, alta de 3,4% em relação ao ciclo anterior. Desse total emprestado, 54,9% foi para a região sul do país, que ultrapassou os R$ 12,5 bilhões.

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    O mercado não se faz dando beijinhos e dando abraços. Se conquista na cotovelada e na botina. É assim que tem que ser feito. Claro que dentro das regras.
    Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, no anúncio do Plano Safra do Banco do Brasil, ao afirmar que o país deve fortalecer as exportações

  • NO RADAR

    Integrantes do Sindicato dos Médicos Veterinários do RS, da Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado e do Sindicato dos Técnicos-Científicos estiveram na Assembleia. Foram pedir às lideranças dos partidos a retirada do regime de urgência do projeto de lei que trata da contratação de profissionais da iniciativa privada para a inspeção nas indústrias de produtos de origem animal.

  • ESTRATÉGIA DE LÍDER

    Responsável por 60% dos financiamentos agrícolas, o Banco do Brasil (BB) reservou R$ 103 bilhões para o Plano Safra 2017/2018 no país, sendo R$ 12,6 bilhões para o Rio Grande do Sul (incluindo Pronaf).
    – O BB não tem necessidade de buscar recursos no BNDES ou em outros bancos. Com isso, ganha-se em torno de 20 a 30 dias no processo – afirma João Paulo Comerlato, gerente de mercado agronegócios do banco no RS.
    Para ele, outras iniciativas simplificam a tomada de crédito, como agências especializadas no setor – a primeira foi instalada em Alegrete em abril e outra está prevista para abrir ainda neste ano –, custeio digital e esteira agro, plataforma que integra à instituição os sistemas das concessionárias de máquinas. Sobre a seletividade dos bancos, Comerlato avalia:
    – Exigências sempre foram as estabelecidas. Talvez, em determinado momento, tenha se trabalhado com garantias menos substanciais.

  • MARCAS DA CARNE FRACA

    O impacto da Operação Carne Fraca aparece nas exportações do primeiro semestre deste ano. Balanço da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) aponta queda no volume embarcado e alta nos preços (veja ao lado). Hoje, oito países mantêm embargo – representam 0,41% dos embarques de aves e 0,21% dos de suínos.
    – Foi um semestre desafiador. Não o pior, mas exemplar no sentido de dizer que quem é global não pode errar nada – avalia Francisco Turra, presidente da ABPA.
    US$ 3,58 bi
    é a receita das exportações de frango no primeiro semestre, alta de 5,9%. Em volume, houve queda de 6,4%.
    US$ 814,7 milhões
    foi o faturamento dos embarques de carne suína de janeiro a junho, alta de 28,5%. Em volume, houve recuo de 2,8%.

    Fonte : Zero Hora