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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein AÇÃO E REAÇÃO NA TROCA DA SUPERINTENDÊNCIA

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    Para uma ação inesperada ainda que não improvável , haverá reação de igual proporção. A troca não esclarecida do superintendente do Ministério da Agricultura levará fiscais federais agropecuários a cruzarem os braços hoje no Estado. Pelo menos essa é a orientação da delegacia sindical do Rio Grande do Sul do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) para todas as atividades desempenhadas pela categoria.
    O desconforto em torno da troca vem de alguns fatores. O primeiro: depois de anos de indicação política, o Ministério da Agricultura havia atendido à reivindicação para nomear um funcionário de carreira. Roberto Schroeder é médico veterinário e está há 12 anos no quadro. Sua colocação foi importante em um momento delicado – o antigo superintendente, Francisco Signor, foi afastado em maio de 2015, em meio a investigações da Polícia Federal sobre irregularidades.
    Outro incômodo é que não há reclamação formal sobre o trabalho de Schroeder. O Ministério da Agricultura informou, por meio da assessoria, que ainda não tem posicionamento sobre o assunto.
    Por fim, a volta da indicação política também desapontou. O novo superintendente, Luciano Maronezi, tem o endosso da ala do PTB que apoia o governo Dilma. E ainda que tenha formação na área – é técnico agropecuário, com curso superior em Administração e em Gestão e Planejamento no Desenvolvimento Rural –, seu nome era, até então, desconhecido no setor. De Nova Alvorada, no norte do Estado, ele precisará vencer a desconfiança para desatar o nó criado com a mudança.

  • SEM EFEITO SANFONA

    Com a colheita farta e valorizada, o produtor de milho no Rio Grande do Sul tem como desafio encontrar equação que evite o efeito sanfona. A expressão refere-se aos altos e baixos dos preços, que ora incentivam, ora desanimam. A abertura oficial da colheita é hoje, na propriedade dos Costa Beber, em Condor, no Norte. O governador José Ivo Sartori estará presente.
    – É preciso que produtores, indústria e governo busquem mecanismos para o preço não ter o efeito sanfona. Precisa ser bom para todos – argumenta Claudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho-RS).
    A área plantada neste ano no Estado foi a menor da série histórica – o grão vem perdendo espaço, ano a ano, para a soja. Em compensação, quem apostou na cultura, colhe bons resultados. A Companhia Nacional de Abastecimento estimou uma produtividade recorde de 6,84 mil quilos por hectare.

  • NO RADAR

    Foi de 66,6% a contribuição do agronegócio nas exportações do Rio Grande do Sul em 2015, conforme dados divulgados ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). A receita dos embarques do setor foi de US$ 11,6 bilhões, queda de 6,1% em relação ao ano anterior. Em volume, houve alta de 27,6%.

  • SIMPATIA HÁ, FALTA CONVENCER A FAZENDA

    O Ministério da Agricultura se mostra solidário às dificuldades enfrentadas pelos produtores de arroz do Rio Grande do Sul. Resta saber se será possível transformá-la em ação concreta. O pedido para criar linha de crédito para auxiliar arrozeiros que tiveram áreas alagadas e perdidas devido às enchentes, reforçado ontem em reunião em Brasília, precisa encontrar respaldo financeiro. E não se sabe se chegará a tempo da abertura oficial da colheita, que ocorre na próxima semana.
    O prejuízo estimado pela Federação das Associações de Arrozeiros com a produção perdida é de R$ 500 milhões.
    Assuntos relacionados ao trigo também foram debatidos, em outra reunião no Ministério da Agricultura. Conforme o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP), a sugestão feita é de reajuste de 10% no preço mínimo.
    Outra proposta apresentada é a da Federação das Cooperativas Agropecuárias, para que parte da produção seja destinada à exportação. Segundo a entidade, o ministério deve mandar ao Estado técnicos e pesquisadores para um estudo de mercado. Também é aguardado para os próximos dias o anúncio dos recursos para a subvenção do seguro do trigo.

  • Fonte : Zero Hora