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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein Alteração de créditos no radar da indústria do RS

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    A preocupação de empresas do agronegócio do Rio Grande do Sul com a possibilidade da redução de créditos presumidos teve alívio de um lado, mas não de outro. Nesta semana, deputados estaduais aprovaram a retirada do regime de urgência do projeto de lei 214 (prevê a diminuição em até 30% do benefício fiscal). Ou seja, não tranca mais a pauta. Na prática, ganha-se tempo para voltar a apreciar o tema.
    Por outro lado, a proposta de lei complementar 343, que tramita na esfera federal, instituindo o regime de recuperação fiscal dos Estados e cobrando como contrapartida redução de 10% de créditos fiscais, segue tramitando no Congresso.
    – A retirada de urgência do PL 214 fica sem efeito perante o 343. Mas não existe espaço para a indústria de leite ter redução de crédito presumido. Até porque o Estado vem perdendo a capacidade competitiva – argumenta Alexandre Guerra, presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do RS (Sindilat-RS).
    O dirigente lembra que a participação gaúcha vem encolhendo no cenário nacional. O Estado deixou de ser o segundo maior produtor de leite, posição agora do Paraná.
    Os paranaenses também são apontados como um dos principais concorrentes na produção de suínos e de aves. Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips), lembra que eles têm “um tratamento diferenciado em tributos”.
    – Não entendemos o crédito presumido como um benefício. É uma equalização da carga tributária com outros Estados. É a recomposição, de forma precária, da isonomia de impostos – completa Kerber.
    Da mesma forma, as empresas de aves manifestam inquietação com o tema.
    – A redução dos benefícios aumenta a carga tributária. E tira a nossa competitividade. Os setores estão se movimentando para que isso não aconteça – afirma José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
    No radar
    No auge do recebimento de grãos, o porto de Rio Grande ficou sem movimentação de navios no dia de ontem. Dessa vez, o problema não foi a falta de dragagem de manutenção. O motivo foram as condições meteorológicas, com ventos fortes e ondas altas, que deixaram o local sem condições de navegabilidade.
    MAIS SALGADA
    Para quem gosta de saborear sardinha, o momento é de alerta para o bolso. A escassez do peixe promete deixar o produto final até 35% mais caro neste ano.
    A pouca quantidade tem relação com o aquecimento atípico das águas, reflexo do El Niño de 2015. A safra deste ano é estimada em 17 mil toneladas. Se confirmado, esse será o menor volume desde 2000, quando também houve interferência do fenômeno.
    Segundo o professor Paulo Schwingel, doutor em Ciências Naturais e um dos maiores estudiosos da sardinha no país, o El Niño faz a sardinha expandir seu habitat em busca de comida, o que dificulta a pesca.
    Como o produto falta no mar brasileiro, é necessário recorrer à importação, aumentando os custos e, consequentemente, o valor final. A Gomes da Costa, maior empresa do mercado de sardinha em conserva no Brasil, com compra anual de 65 mil toneladas do peixe, confirma reajuste de preço, mas não define quanto. Os sindicatos das indústrias de conserva de sardinha em Santa Catarina e no Rio, líderes no processamento do peixe no país, também não divulgam o índice de alta. Mas confirmam reajuste “para breve”.
    O Rio Grande do Sul não tem tradição na pesca da sardinha. Conforme o Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado, é uma espécie com pouca incidência no nosso litoral.
    R$ 287 milhões em receita após o tabaco
    Criado com a proposta de incentivar a diversificação de culturas, o programa milho, feijão e soja após o tabaco deverá gerar neste ano receita bruta de R$ 287 milhões no Rio Grande do Sul. Somados os três Estados do Sul, a quantia sobe para R$ 600 milhões, segundo levantamento feito pelo SindiTabaco (veja ao lado). A iniciativa inclui ainda as pastagens, mas o rendimento financeiro não foi incluído no cálculo, porque a maior parte costuma ser direcionada ao consumo dos animais da propriedade.
    A abertura oficial da colheita da safrinha foi realizada ontem, no interior de Rio Pardo. Na próxima semana, será a vez de catarinenses e paranaenses.
    – É um programa de diversificação que agrega renda ao produtor e mantém o solo protegido, favorecendo a propriedade como um todo – avalia Iro Schünke, presidente do SindiTabaco.
    Na mesa dos gringos
    O arroz produzido no Estado irá à mesa de consumidores fora do país. Por meio do projeto Brazilian Rice, parceria entre Apex e Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), um grupo de importadores de diferentes países virá ao Estado.
    Os gringos desembarcam para participar de visitas a quatro empresas, da Expoarroz, que ocorre em Pelotas de 9 a 11 de maio, e de rodadas de negócio. Conforme o gerente do Brazilian Rice, Gustavo Ludwig, a projeção é de que se chegue a US$ 10 milhões em exportações ao longo de um ano. Na lista dos importadores que visitarão o Rio Grande do Sul estão representantes de Gâmbia, Bélgica, Estados Unidos, México e Bolívia.
    – Há diversificação grande dos compradores, mas os volumes são concentrados em alguns destinos, como Peru, EUA, Bolívia e países da África – diz Ludwig.
    A Secretaria da Agricultura começa hoje rodada de interiorização. A primeira parada será no sindicato rural de Cruz Alta. Amanhã, será a vez de Ijuí.
    Impostos, aumento de custos, momento econômico e redução da renda das famílias são as razões apontadas para a redução de 20% na venda de vinhos brasileiros no primeiro trimestre, somando
    61,3 milhões
    de litros, ante 77 milhões de litros no ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Vinho (Ibravin). Nos vinhos finos, o recuo foi ainda maior: 30,5%.

    • Fonte : Zero Hora