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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein A SEMANA EM QUE O PARQUE PODE PARAR

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Manifestações fazem parte do roteiro da Expointer. Em 38 edições, sempre houve espaço para que categorias e setores dessem seu recado. Não raro, a cerimônia de inauguração, com o desfile dos campeões, foi palco de protestos e reivindicações políticas em momentos, por vezes, marcados por tensão, como nos protestos que colocaram ruralistas de um lado e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do outro em 2000. Mas até agora o parque Assis Brasil não havia sido palco de uma greve. Servidores estaduais, fiscais e técnicos agropecuários prometem ficar parados, de hoje até quinta-feira, dia 3, entre 12h e 18h. A decisão, tomada em assembleia realizada na feira, no último sábado, reflete a posição da maioria, assegura Antonio Augusto Medeiros, presidente da Associação dos Fiscais Agropecuários do Estado (Afagro):

– Sempre tem quem não adere à mobilização, mas garantimos que a maioria vai parar. Técnicos também, já que todos foram afetados pelo corte no contracheque.

A orientação da associação é para que, no horário determinado para a greve, a categoria se reúna no desembarcadouro, que é justamente a área por onde chegam os animais à feira. Com outros servidores estaduais, o grupo também organiza uma manifestação para o dia 4 de setembro, data em que os campeões devem desfilar na pista central do parque Assis Brasil.

Questionado sobre o tema, o governador José Ivo Sartori disse ontem que conta com a compreensão dos fiscais durante o período da feira. Da mesma forma, o secretário da Agricultura, Ernani Polo, afirma que tem conversado com os funcionários para evitar prejuízos aos expositores.

A entrada e a saída dos animais no parque dependem do trabalho dos fiscais, que têm como papel garantir a sanidade dentro da área. Conferem documentos e exames que atestam a saúde de cada exemplar. A maioria dos animais já chegou a Esteio. Mas, nesta semana, entram os rústicos e os de leilões. É por isso que a lentidão neste fluxo preocupa e pode marcar um novo capítulo da história da exposição.

AGROPECUÁRIA DE FUTURO
Ao olhar para o futuro do setor, especialistas ouvidos no Campo em Debate, evento promovido por ZH e Federasul na Expointer, fizeram uma constatação: é preciso melhorar a gestão das propriedades. E o caminho passa pela educação.

– A gestão ainda é feita de forma rudimentar – avaliou Fernando Picoral, sócio-diretor da Escala, agência de publicidade que atende o agronegócio, e produtor rural.

Em ano de custos em alta e economia turbulenta, o debate sobre a necessidade de investir na gestão cresce. Pesquisador e chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Clenio Pillon apontou tendências no curto prazo: automação, nichos de mercado e avanço da química verde, além do aproveitamento de resíduos da agricultura para a produção de energia.

– A mão de obra no campo será cada vez menor. Soluções online e sistemas inteligentes serão ainda mais demandados – ponderou Pillon.

Ao se discutir novas oportunidades, surge também a necessidade de mudar o foco das exportações.

– Precisamos agregar valor. Não podemos exportar nada in natura – afirmou Francisco Turra, ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.

COM A PALAVRA, OS VENCEDORES
 
Reconhecidos pelo trabalho de excelência que desenvolvem, os quatro vencedores da segunda edição do Gente do Campo, prêmio concedido por Zero Hora e Federação da Agricultura do Estado (Farsul), foram homenageados em cerimônia na Casa da Farsul, no sábado. O evento contou com a presença do governador, José Ivo Sartori.

– Esse reconhecimento visa a inspirar outros profissionais a seguir o mesmo exemplo – afirmou Marcelo Rech, diretor de Jornalismo do Grupo RBS.

Presidente da Farsul, Carlos Sperotto reforçou que o objetivo do prêmio é dar destaque a quem consegue desenvolver a atividade agropecuária.

Ao lado, os vencedores por categoria.

Os negócios da raça de cavalos crioulos começaram em alta na Expointer. Os leilões somavam R$5,21 milhões, até a tarde de ontem, quando ainda não estava incluído o resultado do remate da Reconquista, marcado para as 21h. A Santa Angélica somou R$ 1,76 milhão, a Estância Vendramin, R$ 2,53 milhões, e as cabanhas do Barulho e Gravatá, R$ 925,5 mil. No ano passado, os negócios com animais da raça chegaram a R$ 9,7 milhões.

Fonte : Zero Hora