CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • OUTRAS DEFINIÇÕES ANTES DA VOTAÇÃO

    A definição sobre a liquidação voluntária da Cotrijui sai só no sábado. Até lá, outras decisões poderão ter impacto na votação da assembleia-geral extraordinária. A Terceira Via, grupo de oposição à atual diretoria, está avaliando a indicação de um nome para a posição de liquidante.
    Na prática, é quem assume o controle do processo de liquidação. A lei indica que pode ser o atual presidente da cooperativa, Vanderlei Fragoso, ou outra pessoa. De um jeito ou de outro, precisará ser aprovado pelos associados presentes na assembleia.
    Um dos nomes cotados pela Terceira Via é o de Rui Polidoro, que tem longa atuação no setor de cooperativas. Durante 26 anos esteve à frente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS). E também já integrou a diretoria da Cotrijui no período de 1972 a 1989.
    Ontem à noite, o grupo tinha reunião marcada e trataria, entre outros assuntos sobre essa questão.
    À coluna, Polidoro disse que, se receber a indicação, irá avaliar.
    – O indicado para esse momento de situação delicada é unir forças – afirma Polidoro.
    No ano passado, foi cogitado para assumir a cooperativa quando a Terceria Via tentou realizar novas eleições.
    O consenso a respeito do próximo passo a ser dado pela cooperativa e sobre quem deve assumir o processo se fará necessário. É uma prerrogativa para que uma cooperativa do tamanho e da relevância da Cotrijui consiga de fato se reerguer. O desafio é grande, já que as dívidas acumuladas ultrapassariam a casa do bilhão.
    A opção pela liquidação faz parte, segundo Fragoso, do processo de reestruturação, iniciado no ano passado, quando assumiu a presidência.
    Há processos já em execução de cobrança, como mostrou ontem a coluna, que podem tomar patrimônio significativo da cooperativa. Dentro do espírito do que pressupõe o cooperativismo, a referência das ações deve ser sempre o melhor interesse do produtor. Nesse sistema, é ele o dono do negócio.

  • NOVA PASTA

    Já está em elaboração decreto para que a silvicultura passe a ser assunto do Ministério da Agricultura, hoje do Meio Ambiente. É uma das reivindicações para a atividade ter novo fôlego. No RS, a área cultivada se mantém estável em 700 mil hectares, 2,5% do território, diz João Borges, presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais.
    O licenciamento, apesar de avanços recentes, e a necessidade de marco legal são gargalos apontados. E temas que estarão na 5ª Feira da Floresta e no 12° Congresso Florestal Estadual, lançados ontem e que ocorrem em maio de 2015.

  • NO RADAR

    O pedido de recuperação judicial da Camera, que havia sido feito na Capital, deve ser remetido para Santa Rosa. A juíza que avaliou a solicitação entendeu que Porto Alegre não é o foro adequado para a questão, já que a sede da empresa é no município do Noroeste.

  • Foi definido ontem o cronograma de leilões de trigo (na modalidade Pepro). No Rio Grande do Sul, será no dia 28 de outubro, para 100 mil toneladas.

  • A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza amanhã os primeiros leilões de arroz com o objetivo de dar equilíbrio ao mercado, ofertando 30,2mil toneladas do estoque público do governo. Um outro leilão está marcado para 10 de outubro. Antes disso, será avaliado o impacto, já que o objetivo é equilibrar, sem derrubar, os preços pagos ao produtor.

  • Com 241 animais colocados em pista, o remate da São Xavier, realizado ontem em Santa Maria, terminou com pista limpa, somando R$1,039milhão, alta de 20% sobre o faturamento da edição passada do remate. O leiloeiro Fábio Crespo avaliou como “excelente resultado” e considerou um bom iníio para a temporada de primavera do Estado.

  • ROYALTIES NA BERLINDA

    Decisão que sai hoje dos tribunais gaúchos poderá fazer história, com impacto para produtores de soja de todo o país.
    É o desfecho de uma antiga queda de braço envolvendo agricultores do Estado e a multinacional Monsanto com relação à cobranças de royalties.
    Embora a ação coletiva movida por sindicatos rurais e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) seja de 2009 e envolva a primeira geração de soja transgênica da empresa, a RR1, um dos efeitos poderá ser aplicado para a Intacta RR2 Pro, afirma a advogada Jane Berwanger:
    – Um dos três pontos da ação declara a impossibilidade de cobrança na safra, por absoluta falta de previsão legal.
    Além disso, a ação reivindica a nulidade da patente, sob a alegação de que já expirou, e a possibilidade de agricultores familiares multiplicarem sementes.
    A decisão da 5ª câmara cível é em segunda instância. Na primeira decisão, a Fetag e os sindicatos rurais tiveram ganho de causa.
    – Se o tribunal mantiver a decisão, terá de ser imediatamente cumprida – argumenta Jane.
    Estimativa apontada no processo mostra que, repetida a safra de soja em 2015, a Monsanto arrecadaria R$ 900 milhões em royalties.
    A Monsanto só irá se manifestar sobre esse o assunto após a decisão, sobre a qual ainda caberá recurso.

Fonte: Zero Hora