.........

CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

.........

 

  • LIMPOU A ÁREA

    Há bem mais do que uma simples assinatura no papel por trás do novo acordo fechado entre o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e a multinacional Basf. Com a iniciativa, mantém-se parceria considerada fundamental para a qualidade do grão produzido no Estado. O documento anterior, em 2003, que permitiu a utilização da tecnologia Clearfield – hoje presente em 65% das lavouras gaúchas – é considerado um marco.
    – O novo acordo é fundamental para manter a qualidade das sementes de arroz no Estado. Senão, seria um retrocesso grande – avalia Francisco Schardong, presidente da Comissão de Arroz da Farsul e da Câmara Setorial do Arroz.
    A tecnologia ajudou a eliminar problemas (em inglês, clearfield quer dizer campo limpo) – como o arroz vermelho – que prejudicavam as lavouras. Para o presidente do Irga, Claudio Pereira, o acordo dá segurança jurídica aos produtores.
    – É um contrato guarda-chuva que possibilitará investimentos em tecnologia – completa Clairton Lima Silva, diretor sul de vendas da Basf.
    Questões como a cobrança de royalties pelo uso da tecnologia ainda não estão expressas. Segundo Pereira, serão definidas por aditivos feitos ao contrato.

  • CAMINHO DE RECUPERAÇÃO PARA A GAÚCHA CAMERA

    Além da Cotrijui, que na próxima semana colocará em votação a possibilidade de liquidação voluntária, outro importante grupo do agronegócio estadual recorre a uma intervenção na tentativa de reverter uma crise. A gaúcha Camera, com sede em Santa Rosa, entrou nesta semana com pedido de recuperação judicial na vara de falências, concordatas e insolvências da Capital. A solicitação passará agora pela análise de um juiz.
    Atualmente com capacidade para armazenar 1 milhão de toneladas, a Camera começou como negócio familiar há mais de 40 anos. Depois de se consolidar como cerealista, iniciou um ciclo de investimentos, que foi finalizado em 2011, para diversificar a produção. Uma das apostas foi em uma usina para processamento de biodiesel.
    – Passamos a ser uma empresa mais industrial – observa Roberto Kist, diretor da Camera.
    O pedido feito à Justiça pela empresa revela outro viés do cenário que tanto beneficiou produtores nos últimos dois anos, de safras cheias combinadas a execelentes cotações dos grãos no mercado internacional.
    Depois de crescer, a marca deparou com os efeitos da seca, em 2012, que foi “uma tempestade”, como descreve Kist. A colheita reduzida na América do Sul e a posterior quebra de safra americana diminuíram o volume de soja disponível, valorizando as commodities a patamares recordes.
    Com preço atrativo, o caminho até o porto de Rio Grande se tornou mais vantajoso do que o processamento dentro de casa, o que dificultou a vida das indústrias locais.
    Em janeiro deste ano, por exemplo, a Bunge anunciou o fechamento da unidade de processameno de soja em Passo Fundo. Alegou, então, fatores econômicos que influenciam o ambiente de negócio e que favoreciam a venda do grão em detrimento da industrialização.
    A crise na Camera se consolidou em setembro do ano passado. Desde então, iniciou-se uma reestruturação da empresa, com enxugamento das atividades e do quadro de funcionários – que já foi de 1,7 mil e hoje é de 850 pessoas.
    – Já vínhamos operando com um volume menor. Entendemos que não haverá impacto para o produtor – diz o diretor, sobre a decisão de pedir a recuperação judicial.
    Da euforia de investimentos, a Camera se volta novamente às atividades originais de cerealista, com o argumento de não só colocar a casa em dia, mas também de preservar a relação de longa data com os produtores com os quais forma parceria – já foram mais de 28 mil.
    Exemplos gaúchos mostram que é possível virar o jogo. E, embora a conjuntura, tanto da Cotrijui quanto da Camera, traga inquietação, a torcida é para que ambas passem sem trauma pelo processo de recuperação. Pelo bem da economia gaúcha.

  • NO RADAR

    Para avançar, as regras para refúgio nas lavouras precisarão passar pela discussão de grupo de trabalho que será criado até o dia 24 pelo Ministério da Agricultura. Com a safra de verão já em andamento, fica cada vez mais difícil fechar a normativa a tempo do ciclo 2014/2015.

  • ACORDO COM FRIGORÍFICO

    A necessidade de políticas específicas para os cerca de 200 imigrantes que atuam na produção está entre os pontos do acordo entre Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério do Trabalho e o frigorífico Nova Araçá, de Nova Araçá.
    Foi a oitava ação neste ano da força-tarefa que fiscaliza o cumprimento de normas de segurança para os trabalhadores.
    Houve interdição parcial de máquinas e processos nas duas unidades inspecionadas. E foram assinados dois acordos.
    – Um é na área de gestão de riscos, que inclui essa questão dos imigrantes, e o outro, relacionado à ergonomia – explica o procurador Ricardo Garcia.
    Nas unidades trabalham 1,5 mil funcionários. O processamento é de 172 mil aves por dia.
    A partir da próxima semana, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) entrará na lista das entidades e empresas consultadas para a elaboração do boletim Focus, do Banco Central.
    Avança o plantio de milho no Estado. Dados da Emater indicam que a área plantada chega a
    36%

    Com percentuais perto de 70% em regiões como Missões, Noroeste Colonial e Fronteira Noroeste.

Fonte: Zero Hora