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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • MATEMÁTICA DAS SACAS PARA ZERAR AS CONTAS

    Diante do cenário atual, com preços das commodities em queda e custos em alta, o produtor gaúcho começa a semear a próxima safra de verão sabendo que o volume de dinheiro na carteira vai encolher.
    Depois de duas safras cheias combinadas com preços excelentes, terá de encarar um ciclo com menor rendimento, mostra levantamento feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS). Não caracteriza uma crise, mas certamente terá impacto na postura dos agricultores.
    – É um cenário de ajustes. O produtor fez muitos investimentos e foi às compras. Temos preços menores das commodities, com tendência de que caiam mais, e insumos mais caros – avalia Paulo Pires, presidente da Fecoagro-RS.
    Usando como base de cálculo a primeira semana de setembro, o estudo mostra o encolhimento da rentabilidade na soja, no milho e também no trigo, cultivado no inverno (veja abaixo). No custo total das lavouras, pesou o chamado ajuste técnico que teve de ser feito.
    – Não são só insumos mais caros. É aumento de preço e da quantidade de tecnologia utilizada – pontua Tarcísio Minetto, economista da Fecoagro.
    Em outras palavras, o número médio de aplicações feitas cresceu: de uma para duas dessecações, de duas para três aplicações de inseticidas e de duas para quatro aplicações de fungicidas.
    – Produtividade elevada requer uso de mais tecnologia – diz Pires.
    O rendimento será fundamental na matemática do próximo ciclo. Pelos cálculos da Fecoagro, o produtor precisará colher 40 sacas de soja por hectare para poder pelo menos zerar as contas de receita e custo. A média da cultura no ano passado foi de 44 sacas. No milho, serão necessárias 104 sacas por hectare, a média era de 85 sacas em 2013. E no trigo, 73 sacas, ante média anterior de 47 sacas.
    Nessa equação, percebe-se que os produtores de milho e de trigo são os que terão maior dificuldade em fechar as contas.
    *Custos e rendimentos da próxima safra e comparação com ciclo anterior

  • MATEMÁTICA DAS SACAS PARA ZERAR AS CONTAS

    Custos e rendimentos da próxima safra e comparação com ciclo anterior

  • NO RADAR

    COM DÍVIDA estimada em R$ 500 milhões, a Cotrijui avaliará a liquidação voluntária da cooperativa. O tema está na pauta da assembleiageral marcada para a semana que vem em Chiapetta. Com sede em Ijuí, a cooperativa tem capacidade para armazenar 1 milhão de toneladas de grãos.

  • No dia 23, sindicatos rurais têm novo encontro com a Marfrig. Ontem, em Alegrete, 11 entidades apresentaram dados da pecuária de corte, que soma 3,3 milhões de exemplares na região e envia 400 mil cabeças para abate por ano. A empresa apresentará demandas aos produtores.

  • A Justiça gaúcha irá julgar no próximo dia 24 o mérito da ação movida pela Fetag-RS contra a multinacional Monsanto em questão referente ao pagamentos de royalties pelo uso da tecnologia Intacta RR2 PRO.

  • HORA DE EXPORTAR?

    Com o fim do ICMS reduzido nas vendas interestaduais de trigo, estoque da safra passada e uma nova produção por colher, agricultores gaúchos começam a olhar para o mercado externo como opção. A medida é polêmica, uma vez que o Brasil precisa importar anualmente entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas do cereal para atender a demanda interna.
    – Também é contraditório o governo zerar a tarifa externa comum no momento em que a safra gaúcha está entrando no mercado, como fez no ano passado – rebate Tarcísio Minetto, economista da Fecoagro.
    Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que em 2013 o Estado exportou 1,1 milhão de toneladas de trigo. Até agosto deste ano, os embarques somavam apenas 30,48 mil toneladas. A estratégia é levada em consideração mesmo que os valores não sejam compensadores – no porto de Rio Grande a tonelada é inferior a R$ 500, enquanto o preço mínimo é de R$ 557,50.
    A liberação de recursos já anunciada para ajudar a movimentar a safra ainda em desenvolvimento, R$ 200 milhões para aquisições do governo federal (AGF) e R$ 150 milhões para leilões de Pepro, ainda não teve efeito sobre os valores do trigo no mercado.
    Amanhã, a Fecoagro reúne 46 cooperativas em Cruz Alta para debater os mecanismos de apoio à venda do trigo. O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, é um dos convidados, mas não confirmou presença.
    Apropriado é discutir também o efeito desse cenário para o consumidor. Quando o trigo alcançou patamares recordes, no ano passado, a valorização foi apontada como grande vilã para a alta de produtos como o pão francês. Agora, que o valor caiu para o produtor, não se vê o efeito inverso.

 

Fonte: Zero Hora