CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • PARA NÃO DEIXARPASSAR BATIDO

    Diante de temas complexos como a redução da emissão de gases causadores do efeito estufa ou o novo Código Florestal, entidades têm se organizado para manter o foco e não perder esses assuntos de vista. É o caso do Observatório do Código Florestal, que reúne sete instituições Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Centro de Vida, The Nature Conservancy, Conservação Internacional e Instituto Socioambiental com o objetivo de monitorar o cumprimento da legislação aprovada em 2012.
    Em parceria com a Bolsa de Valores Ambientais BVRio, a iniciativa acaba de criar um crônometro – batizado de adecômetro – que faz uma contagem regressiva do prazo para a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
    O preenchimento é uma das principais implicações da nova lei e precisa ser feito até 6 de maio do próximo ano – período que poderá ser estendido por mais um ano. A partir de 2017, quem não tiver o cadastro, ficará impedido de acessar financiamentos.
    Só no Rio Grande do Sul, são cerca de 450 mil propriedades a serem cadastradas. Pelo ritmo que se tem percebido, o prazo extra deverá ser necessário. Ainda restam muitas dúvidas sobre a ferramenta, sobretudo na área do Bioma Pampa.
    O Ministério do Meio Ambiente ainda não liberou as senhas de acesso ao sistema – que na prática permitirá a análise dos dados – para a Secretaria do Meio Ambiente, coordenadora do cadastro no Estado.
    – Estão fazendo uma minuta para regrar esse acesso. Não vejo problema, é para que o produtor possa ter confiança no sistema – avalia Marcia Correa, diretora do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Secretaria do Meio Ambiente.
    O cumprimento de outro compromisso, a meta assumida pelo Brasil para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa é o alvo do Observatório ABC, coordenado pelo Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas. Periodicamente, faz análise das ações implementadas, como o crédito liberado para a agricultura de baixo carbono.Mais do que conseguir mapear eventuais gargalos, a iniciativa tem conseguido sugerir ações que possam melhorar a execução do programa no país.

  • DE GRÃO EM GRÃO

    Mesmo com o encolhimento da área no Estado – em disputa cada vez mais acirrada com a soja –, o milho poderá ter bons resultados na safra 2014/2015, mantendo produção semelhante à do ciclo anterior, quando foram colhidas 5,71 milhões de toneladas. Pelo menos é o que projeta Cláudio de Jesus, presidente da Associação dos Produtores de Milho do Rio Grande do Sul (Apromilho).
    O tempo seco da última semana acelerou o plantio. No balanço da Emater, o percentual era de 20% da área total. O presidente da Apromilho acha que esse número é maior: 50%.
    – Eu entendo que, diante da atual conjuntura dos grãos, com queda maior de preços da soja e do trigo, o produtor está perdendo uma bela oportunidade de plantar milho – completa.
    O clima também poderá contribuir: com El Niño no horizonte, há perspectiva de chuva abundante em períodos importantes do ciclo do grão – cultivado entre final de julho e janeiro no Estado.
    Nas contas da próxima safra entra ainda a variação nos custos. Hoje, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) apresenta um levantamento completo para as lavouras de milho e de soja, além da revisão dos valores do trigo. Economista da entidade, Tarcísio Minetto afirma que a redução de preços dos grãos terá impacto para o produtor no ciclo de verão.

  • NO RADAR

    A exemplo do cenário internacional, os preços da soja no mercado interno também registram queda, apesar da entressafra. A perspectiva de produção recorde nos Estados Unidos fez o indicador Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa recuar 6,66% no acumulado do mês.
    Apesar da crise enfrentada pelo setor sucroalcooleiro, a fabricante AGCO mantém a aposta no segmento. Tanto que anunciou a conclusão da compra da Santal, empresa de Ribeirão Preto (SP), focada em máquinas para lavouras de cana-de-açúcar, sobre a qual tinha controle desde 2012.
    Um estudo com participação de um brasileiro comprova que as minhocas elevam em
    25%
    a produtividade de grãos. George Brown, pesquisador da Embrapa Florestas e um dos coautores do trabalho, afirma que foi possível dimensionar e mostrar como funciona o efeito das minhocas, “há centenas de anos consideradas aliadas do agricultor”.

  • CIDADE DO LEITE

    Passo Fundo se transformará, na próxima semana, em uma espécie de capital do leite no Estado. Dois eventos realizados no município têm como foco produção e qualidade do alimento.
    O Agrotecno Leite ocorre entre os dias 23 e 25, no Centro de Eventos e Campos de Pesquisa da Universidade de Passo Fundo (UPF). Tem entrada gratuita e traz uma série de atividades, de palestras a visitas a campo, passando ainda pela formação de novos consumidores do produto.
    Em tempos de fraudes no leite, a qualidade estará em discussão: haverá um painel sobre o assunto.
    – O objetivo da feira é levar conhecimento. Desde a primeira edição, nosso foco é produtividade e qualidade – afirma Ari Rosso, presidente da Agrotecno Leite.
    Em outro espaço, o Centro de Eventos Gran Palazzo, a Consultoria AgriPoint e o MilkPoint realizam o Interleite Sul, nos dias 23 e 24. Para participar, é preciso fazer inscrição, com pagamento de taxa (detalhes no site interleite.com.br/sul).

Fonte: Zero Hora