CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

 

  • CONCORRÊNCIA QUE FAZ BEM AO BOLSO

    O reforço que muitos bancos estão fazendo no segmento do agronegócio tem efeito positivo para os produtores. Quando a concorrência cresce, quem sai ganhando é o cliente, que tem mais opções a sua disposição.
    Instituições financeiras sem tanta tradição na carteira rural vêm concentrado esforços para atender a esse segmento.
    Referência em crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal vem investindo em linhas de financiamentos para projetos do campo já há algum tempo.
    O banco privado Santander é outro exemplo. No primeiro semestre deste ano, o volume de recursos liberados para o produtor cresceu 12,3% em relação a igual período do ano passado.
    – O setor tem peso significativo. Existe toda uma cadeia em torno da agricultura – avalia Walmir Segatto, superintendente comercial de agronegócios do Santander.
    Para dar conta do recado, o banco montou uma estrutura que conta com o apoio de 120 escritórios técnicos – além de 20 agrônomos que promovem os negócios em feiras. O objetivo é dar suporte para elaboração dos projetos nas exigências que vão além da aprovação financeira, como nas linhas voltadas à armazenagem e à irrigação, por exemplo. Há ainda 14 núcleos descentralizados no Brasil, dois dos quais no Rio Grande do Sul – em Passo Fundo e Pelotas – atuando especificamente nas operações do setor.
    Para quem tem a liderança do crédito rural, essa concorrência é vista como movimento natural do mercado. No país, 65% do crédito rural é liberado via Banco do Brasil (BB). No Estado, é um pouco maior: 70%.
    – Quem ganha com isso é o produtor, que tem mais ofertas de acesso a crédito – entende João Paulo Comerlato, gerente de mercado agronegócios da superintendência regional do BB.

  • FRAUDE SERÁ COISA DE MUSEU

    Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná agora formam um bloco econômico, técnico e político, a Aliança Láctea Sul-Brasileira. O objetivo da associação é ampliar o tamanho e a relevância da produção de leite na Região Sul.
    A previsão é de que até 2020, os três Estados juntos façam saltar a produção diária dos atuais 10,7 bilhões de litros para 19 bilhões de litros por dia. Ontem, na Expointer, foi assinado o protocolo do termo de cooperação, que cria a aliança. Já em 2014, a região será a maior produtora de leite do país, concentrando 35% do total.
    O secretário de Agricultura de Santa Catarina, Airton Spies, afirmou que o leite tem grande potencial para ser uma das “estrelas do agronegócio”. Mas ainda há barreiras a serem superadas, reconheceu. Um desses pontos é a qualidade do leite, que precisa ser garantida:
    – As fraudes não podem fazer parte desse cenário. Para isso, a melhor estratégia é premiar o leite bom e punir quem transgredir as regras.
    Spies disse que, no futuro, as instruções normativas para garantir a qualidade do leite e os registros de fraudes serão “histórias de museu”.
    A Expointer tem tido um impacto positivo para a rede hoteleira, como antecipou a coluna. A Capital está com mais de 70%
    de lotação para o período da feira, segundo Carlos Henrique Schmidt, presidente do Sindicato da Hotelaria de Porto Alegre. Outro dado interessante: dos hotéis pesquisados, 54% receberam hóspedes para a Expointer antes mesmo da data de abertura.

  • BANHO DE ESTREANTES

    Depois de vencer na Fenasul, a propriedade Giliotto, de Serafina Corrêa, agora levará para casa também o título da Expointer. Dessa vez, com outro animal. Dalia Propriedade Giliotto 474, de cinco anos, foi a campeã adulta do concurso de leite da raça holandesa na feira. A vaca de cinco anos produziu 71,9 litros em três das cinco ordenhas realizadas no concurso.
    É a primeira vez que a família participa da Expointer. Guilherme Giliotto, 25 anos, diz que o resultado positivo é fruto de um trabalho de muitos anos. Um dos segredos do bem-estar dos animais é o uso de um colchão trazido da Suécia ao custo de R$ 1 mil cada. É sobre eles que as vacas descansam diariamente.
    – O foco sempre foi a produção de leite, e agora começamos a trabalhar com venda de genética. Decidimos participar da feira para mostrar mais esse novo trabalho – explicou Giliotto.
    Em média, as vacas da fazenda produzem 36 litros por dia. Dalia já se diferenciava, fazendo uma média de 60 litros. O bom desempenho do rebanho fez com que a propriedade Giliotto também levasse o segundo lugar da categoria jovem.
    Mas a grande vencedora dessa classificação, com 64,3 litros produzidos, veio da Serra. Também estreante em concurso leiteiro, a vaca dos expositores Inácio Thums e Marcos Sganderla, de Carlos Barbosa, assustou-se quando os baldes de leite banharam Giliotto e Thums na comemoração realizada ontem à tarde no pavilhão do Gado Leiteiro. Apesar da reação, o dono garante que o animal é manso.
    – Nunca tinha vencido, é gratificante pelo serviço que a gente faz todos os dias – disse Thums, feliz e encharcado.
    A propósito: para evitar desperdício, o tradicional banho de leite é uma mistura de leite descartado, água morna e amido de milho.
    O TRENSURB teve recorde histórico de passageiros em um único dia na Expointer. Recebeu 225,42 mil usuários na segunda-feira. Desde o início da feira, 481,23 mil pessoas se deslocaram usando o trem.

Fonte: Zero Hora