CAMPO ABERTO – Gisele Loeblein

cotrijui poderá ter unidades arrendadas

O administrador judicial nomeado para assumir a Cotrijui apresentou a primeira auditoria da situação da cooperativa com sede em Ijuí e sugestões para a solução de questões emergenciais ao juiz que cuida do caso (leia entrevista ao lado).

A tendência é de que até o final da próxima semana, o titular da 1ª Vara Cível da Comarca de Ijuí, Guilherme Corrêa, decida sobre a proposta para arrendamento de unidades, que seria alternativa para o armazenamento de grãos da safra que está por ser colhida.

Outro ponto é a revisão do quadro de funcionários (hoje cerca de mil pessoas). Os administradores judiciais já trabalham na avaliação da atual estrutura, para ver o que é realmente necessário. Ontem, foi paga parte dos salários de janeiro que estavam atrasados. A soma da folha do primeiro mês do ano é de cerca de R$ 3 milhões.

Também foi solicitada à Justiça a suspensão das ações de execução de dívidas da Cotrijui. O pedido ainda não foi avaliado. Por enquanto, o juiz deu prazo para que a Chinatex, autora da ação de conversão da liquidação extrajudicial em judicial, e grupo de cooperados apresentem suas manifestações. Só depois disso, o juiz tomará a decisão sobre as sugestões.

No primeiro levantamento da administração judicial a confirmação de uma triste realidade.

– Vimos uma situação de grande penúria financeira, de imensa dificuldade de caixa, de capital de giro – relata o administrador judicial Rafael Brizola Marques.

Possíveis interessados no arrendamento de unidades já estão sendo chamados a apresentarem suas propostas – a convocação está no site da cooperativa.

O tamanho exato da dívida – estimada em R$ 1,8 bilhão – ainda está sendo calculado. Somente os débitos tributários somam R$ 821,89 milhões, conforme apuração anexada ao processo.

A Cotrijui chegou a ser a maior cooperativa agropecuária da América Latina. Em setembro de 2014, no entanto, entrou em liquidação voluntária, que é extrajudicial. No dia 26 de janeiro deste ano, o Ministério Público realizou uma operação, cumprindo 24 mandados de busca e apreensão. Paralelo a isso, a Justiça decidiu pela nomeação de um administrador judicial para assumir a cooperativa.

"O prazo do processo é imprevisível"

GUILHERME CORRÊA

Juiz da 1ª Vara Cível da Comarca de Ijuí

A avaliação do processo de liquidação judicial da Cotrijui está a cargo do juiz Guilherme Corrêa, da 1ª Vara Cível da Comarca de Ijuí. Ontem, ele conversou com a coluna sobre o caso. Veja trechos da entrevista.

O que foi apresentado até agora para o senhor?

A questão da cooperativa, seu estado precário é notório e vem de alguns anos, tanto que foi estabelecida liquidação extrajudicial. De lá para cá, segundo verificação preliminar, a situação se manteve ou piorou. Por isso, o ingresso da ação para transformar em liquidação judicial. Neste primeiro momento, foi nomeado o administrador. Algumas questões emergenciais foram apontadas. Por exemplo, o recebimento da safra que está por vir. Há no processo a possibilidade de arrendamento das unidades. Abri prazo para a autora da ação e para o grupo de cooperados se manifestarem sobre essa indicação inicial dos administradores nomeados. Agora estão neste prazo (termina na segunda-feira). Com a apresentação deles, será feita a avaliação. Imagino que até semana que vem tenha decisão sobre a sugestão de arrendamento.

Qual o próximo passo?

Quero aguardar manifestação da parte autora e do grupo para ver o que trarão de elementos. A partir daí, vou verificar da viabilidade ou não de acolher essas sugestões do grupo que administra judicialmente.

Por quanto tempo pode se arrastar o processo?

O prazo do processo é imprevisível, mas há fortes tendências de se alongar. Porque a cooperativa é muito grande, são muitas relações que estabeleceu: de crédito, de débito, de penhora. A própria cooperativa tem muitas ações judiciais. Um processo simples te garanto que não é. O objetivo do processo é a liquidação (encerramento das atividades), mas se será acolhido ou não é imprevisível também. Tem várias pessoas interessadas na continuidade das operações da cooperativa. A Cotrijui sempre foi muito importante para a comunidade.

Já se conhece o tamanho exato da dívida?

Ainda não, mas sabe-se que é um valor alto. É uma situação notória.

A RAR, do empresário Raul Anselmo Randon, ganhará pontos de venda próprios. Porto Alegre, Caxias do Sul e Passo Fundo foram escolhidas para receber franquias. A previsão é de ter 60 lojas em cinco anos. O Spaccio RAR terá produtos da marca e de parceiros.

safras diferentes

Com o início da colheita da soja, começam a despontar os primeiros resultados da atual safra do Estado. Conforme levantamento da Emater divulgado ontem, na região de Santa Rosa as produtividades registradas estão de acordo com as projeções iniciais – em torno de 50 sacas por hectare, com variações para mais e para menos.

Resultados que não deverão, no entanto, ser repetidos na Metade Sul, onde a seca impactará os rendimentos. Técnicos da Emater observam que a região "seguramente terá dificuldade em obter rendimentos aceitáveis". Esse contraste já foi verificado anteriormente, na safra de 2012. Mas de lá para cá a área dedicada ao grão avançou significativamente no Sul.

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Fonte : Zero Hora