.........

CAMPO ABERTO – Gisele Loeblein

.........

Setor fala em risco de "argentinização" do brasil

Depois da aprovação de lei na Câmara dos Deputados que trata da renegociação da dívida do Funrural, o setor primário começa a se voltar para outro tema em tramitação no Congresso que traz grande preocupação. É o projeto de emenda constitucional 37, que revoga a Lei Kandir e foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Entidades do agronegócio emitiram notas nas quais repudiam a ideia de voltar a taxar as exportações do segmento.

A mais recente manifestação veio da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Em documento, a entidade mostra preocupação com o avanço da proposta.

A ideia é marcar desde já posição em relação ao tema, que está longe, no entanto, de ser prioridade para o Congresso.

Quando passou a vigorar, em 1997, a Lei Kandir desonerou as exportações do Brasil. De lá para cá, o saldo da balança comercial do agronegócio cresceu 484%, passando de US$ 12,2 bilhões para US$ 71,3 bilhões. Com o aumento, os Estados saíram ganhando em arrecadação, pondera a federação.

– Já nos botaram o Funrural goela abaixo. Revogar a Lei Kandir seria a argentinização do Brasil. As retenciones derrubaram o agro no país vizinho de tal forma que estão até agora tentando se recuperar – comenta Gedeão Pereira, vice-presidente da Farsul.

Os prejuízos causados pelas retenciones são apontados. No último ano de vigência da medida, a área de trigo foi a menor em 110 anos. As exportações da carne argentina também despencaram. Um ano antes do decreto, o volume foi 158% maior do que no último ano em que esteve em vigor.

A Sociedade Rural Brasileira também havia se manifestado. O presidente da entidade, Marcelo Vieira, afirmou que a PEC "pode trazer efeitos devastadores ao agronegócio, atualmente responsável por 48% das exportações do Brasil".

Pelo sim, pelo não, o setor entende que é hora de fazer barulho, para deixar clara sua preocupação com o assunto.

no radar

É AGUARDADA para hoje a publicação de medida provisória do Planalto para liberação de R$ 300 milhões em crédito específico para cerealistas investirem em armazenagem. O anúncio havia sido feito em junho, no Plano Safra, mas até agora o dinheiro para o financiamento, reivindicação antiga do setor, não saiu.

tamanho família

Foi com um novilho inteiro (foto) que criadores de devon participaram de evento em Gramado, na Serra. O Ô Churras BBQ Festival, na Caza Wilfrido, se estendeu do meio-dia às 20h de sábado e contou com 10 estações de carne – quatro de bovinos, quatro de aves e suínos e duas de ovinos.

A inspiração veio da Churrascada, que ocorre em São Paulo. O visitante paga um valor e tem à disposição comida, bebida e shows culturais.

Quanto à carne, o diferencial, explica Elizabeth Cirne Lima, presidente da Associação Brasileira de Devon, são as maneiras não tradicionais de preparo:

– O novilho ficou assando de um dia para o outro.

O exemplar da raça, com 530 quilos e abatido aos 16 meses de idade, foi fornecido pela Agropecuária Murialdo, de São Francisco de Paula. A cabanha pertence ao Instituto Leonardo Murialdo, que tem escola agrícola e universidade. Para poder preparar o animal inteiro foi colocada uma espécie de prensa próxima à brasa. A assinatura do churrasco ficou por conta da chef Paula Labaki.

Idealizado pelo restaurante Malbec, de Gramado, o evento contou com a participação de mais de mil pessoas e é, na avaliação de Elizabeth, uma prova de crescimento do mercado de carnes gourmet:

-Foi impressionante a adesão do público.

bicampeonato

As cabanhas Touro Passo e Estância do Sossego, ambas de Uruguaiana, repetiram a dose e conquistaram o bicampeonato do ranking nacional hereford e braford. Os destaques das raças foram conhecidos na noite de sexta-feira, em jantar da Associação Brasileira de Hereford e Braford que reuniu mais de 200 criadores, especialmente de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás, no Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Os vencedores obtiveram as maiores pontuações das exposições ranqueadas.

A necessidade de revisão do preço mínimo do quilo da uva – mantido em R$ 0,92 – foi um dos assuntos que pautaram audiência pública das frentes parlamentares estadual e federal de apoio à vitivinicultura. segundo a Comissão Interestadual da Uva, o valor está em descompasso com o custo de produção – que pode chegar a até R$ 1,30.

banri debate

No debate do vende ou não vende o Banrisul, o agronegócio entra com a sua avaliação. A Farsul se mostra contrária à negociação para honrar a folha.

– Esse é, sem dúvidas, o pior dos cenários: vender para manter o status quo. Após o dinheiro acabar, vamos manter as finanças vendendo o quê? – diz o vice-presidente Gedeão Pereira.

A participação no agronegócio é considerada discreta. Não há juro diferenciado ou recursos para quem não consegue acesso em outros bancos. A Farsul lembra ainda que, na seca de 2012, o Banrisul foi o último a renegociar as dívidas dos agricultores.

Com luz, sem energia no meio rural

As deficiências no fornecimento de energia no meio rural não são uma novidade. Relatos de queda na residência quando algum aparelho, como a ordenhadeira, é ligado fazem parte do cotidiano dos produtores. Da mesma forma, inúmeras propostas para tentar contornar o problema foram apresentadas, sem sucesso.

– Hoje, o homem do campo tem luz, mas não energia. A qualidade é muito baixa ou inviável. Isso bloqueia o crescimento – observa Claiton Gaieski Pires, presidente do conselho de consumidores da RGE.

O conselho está compilando dados. A ideia é ter um documento fechado, até março, que servirá de baliza para ações a serem adotadas. Por isso, explica Pires, sindicatos rurais e prefeituras são convidados a encaminharem problemas e propostas de solução (via e-mail, para conselhodeconsumidoresrge@cpfl.com.br). As sugestões não estão restritas à área de abrangência da concessionária. Cálculo feito pelo governo estadual apontou necessidade de investimento de cerca de R$ 1 bilhão para melhora da energia no meio rural.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

gauchazh.com/giseleloeblein

Colaborou Caio Cigana

Fonte : Zero Hora