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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • PARA MEXER COM AS ESTRUTURAS

    A investigação de Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União servirá como argumento para a retomada de um pedido antigo dos servidores da Superintendência do Ministério da Agricultura no Estado. Há tempos os fiscais federais agropecuários, que são concursados, pediam para o comando do órgão ficar a cargo de um técnico.
    Na mudança para o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa) chegou a encaminhar um documento à nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu, solicitando a indicação de um servidor de carreira para a chefia da superintendência.
    Alvo da apuração da PF, o superintendente Francisco Signor, agora exonerado depois de 12 anos na função, foi indicação política.
    – Estamos tentando a substituição por um fiscal federal agropecuário. O próprio Ministério Público Federal foi muito claro nesse sentido. É uma pessoa política gerenciando técnicos – diz Marcelo Mazzini, diretor administrativo da delegacia sindical da Anffa no Estado.
    Ocorre que, neste momento, o governo federal está em plena negociação de cargos do segundo escalão. A possibilidade de uma combinação entre um técnico com vocação política não é descartada – há inclusive nomes dentro do quadro do PT que chegaram a ser cogitados para a função.
    Sobre o impacto da operação na imagem da superintendência – e no dia a dia do trabalho realizado pelos fiscais –, há um entendimento de que essa era uma ação necessária, e que a médio e longo prazo o efeito seja positivo.
    – Esse tipo de operação só tende a melhorar nosso trabalho – avalia Mazzini.
    O promotor do Ministério Público Estadual Mauro Rockenbach, que comandou as oito etapas da Operação Leite Compen$ado, em que foram detectadas fraude no produto, concorda. Para ele, o processo de apuração ficará ainda melhor.
    – A sensação de trabalhar com inimigo na trincheira era muito ruim – afirma.

  • EM PERSPECTIVA

    Com a oitava etapa da Leite Compen$ado revelando que o produto continua sendo alvo de adulterações, o assunto fraude certamente não passará batido pela 38ª Expoleite e 11ª Fenasul, que ocorre entre os dias 27 e 31 de maio.
    A primeira operação do Ministério Público Estadual foi há dois anos, também poucos dias antes do evento.
    – No curto prazo, sempre atrapalha um pouco. Mas no longo, é bom, porque esse tipo de ação depura o setor – avalia José Japur, vice-presidente da Associação de Criadores de Gado Holandês (Gadolando), organizadora da feira.
    No mesmo tom, o diretor-executivo do Instituto Gaúcho do Leite (IGL), Ardêmio Heineck, diz que o setor produtivo precisa abordar o assunto de uma maneira realista, buscando soluções.
    Um censo está sendo realizado no Estado, mapeando produção, gargalos, problemas e infraestrutura. Os dados deverão ser divulgados na Expoleite, em audiência que será realizada no dia 29.
    Uma campanha publicitária também está sendo elaborada e tem veiculação prevista para o mês de julho.
    – Esse assunto tem de ser discutido no sentido de apoiar as ações do MP. Até porque, a gente pode dizer que não é regra do setor – completa Japur.

  • NO RADAR

    A APROVAÇÃO foi laçada. Projeto de lei do deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS) para regulamentar o rodeio como atividade cultural recebeu sinal verde da Comissão de Agricultura da Câmara. Precisa passar ainda pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Cultura e de Constituição, Justiça e Cidadania.

  • QUASE E DENTRO DOS CONFORMES

    A divulgação dos resultados da análise de resíduos de agrotóxicos em produtos vegetais trouxe boa notícia. Um grupo de culturas testadas teve 100% de conformidade, ou seja estava dentro dos limites previstos pela legislação. Entram na lista alho, amendoim, banana, batata, café, cebola, feijão, soja e trigo.
    Abacaxi, arroz, kiwi, maçã, mamão, manga, milho, tomate e uva tiveram percentual de conformidade entre 70 e 96,97%. Amendoim, amêndoa de cacau, castanha-do-brasil, feijão, milho e pimenta-do-reino, de 83,33% a 97,06%.
    Parte das problemas era atribuída à ausência de regulamentação de registro para defensivos das culturas menores. Normativa foi publicada em 2014.
    – As empresas vêm fazendo as adequações. A tendência é que o percentual de inconformidade detectado fique cada vez menor – entende Evandro Finkler, presidente da Associação dos Produtores da Ceasa.

  • CONSIDERADO A NOVA FRONTEIRA AGRÍCOLA DO PAÍS, O MATOPIBA (COMO É CONHECIDA A ÁREA FORMADA PELOS ESTADOS DO MARANHÃO, TOCANTINS, PIAUÍ E BAHIA) ACABA DE SER OFICIALMENTE CRIADO E TERÁ UM PLANO DE DESENVOLVIMENTO ESPECÍFICO. O PROGRAMA FOI LANÇADO ONTEM PELA MINISTRA DA AGRICULTURA, KÁTIA ABREU. A REGIÃO REPRESENTA ATUALMENTE 10% DA PRODUÇÃO DE GRÃOS NACIONAL.

Fonte: Zero Hora