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CAMPO ABERTO | Gisele Loeblein

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  • QUAIS SERÃO OS LIMITES DO TRIGO NO ESTADO

    Com o plantio ganhando ritmo mais intenso a partir da segunda quinzena do mês, o trigo começará a ter seu espaço definido de forma mais clara no Rio Grande do Sul no atual ciclo de inverno. Se há consenso quanto à diminuição da área cultivada, há diferença com relação aos percentuais. Ontem, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra do cereal apontou recuo de 10%, com 1,02 milhão de hectares.
    Esse dado ainda não reflete a situação a campo. É elaborado a partir de manifestações e estatísticas do setor produtivo. A partir do dia 20, técnicos da superintendência estadual e de Brasília irão verificar os dados nas diferentes regiões do Estado – trabalho que será refletido no próximo levantamento da Conab.
    Glauto Lisboa Melo Júnior, superintendente da Conab no RS, avalia que não deve haver grandes alterações no percentual:
    – Há uma demanda das indústrias que acaba contribuindo para na última hora o agricultor tomar a decisão de plantar.
    Na semana passada, o primeiro mapeamento feito pela Emater indicou redução de 19,88% na área, inferior a 1 milhão de hectares.
    – Esse dado mostra uma primeira intenção de plantio. O que se diz é que ainda é possível uma alteração. Acredito que não se afaste muito disso – explica Luiz Ataides Jacobsen, assistente técnico estadual da Emater.
    O Rio Grande do Sul é o segundo maior produtor nacional de trigo – por vezes, intercalando o primeiro lugar no ranking com o Paraná.
    É uma combinação de fatores que ajuda a explicar o freio no espaço dedicado à principal cultura de inverno no Estado, depois de dois anos seguidos de crescimento.
    Além de encolher de forma significativa – o volume foi 52% menor –, a produção gaúcha em 2014 também teve problemas de qualidade devido à ação de fungos.
    O valor do reajuste do preço mínimo, confirmado em 4,57% nesta semana, ficou bem aquém do esperado pelos produtores e também é visto como desestimulante.
    Alternativas para manter o produtor incentivado têm sido apontadas por entidades do setor. A segregação – separação no momento da armazenagem de acordo com a variedade colhida – é uma delas. Em um país que ainda precisa trazer de fora entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas de trigo, cultivar o cereal não deveria ser uma tarefa tão difícil.

  • NO RADAR

    O PRINCIPAL volume de negócios da Fenasul vem da Feira de Terneiros da Federação da Agricultura do Estado. Até agora, 700 animais já estão confirmados no remate, que será realizado no dia 28, às 19h.

  • DA GRANJAAO PIRATINI

    Nada melhor do que um exemplar da raça holandesa para mostrar do que é feita a 38ª Expoleite e 11ª Fenasul. Pois a novilha VB Lavone Lavanguard, da Granja VB, de Eldorado do Sul, foi especialmente levada ao Palácio Piratini para o lançamento das feiras, ontem, em Porto Alegre. Chamada de Leite Com Café, a cerimônia contou com a presença de autoridades e jornalistas.
    E esquentou com o tema das finanças – invariavelmente, os organizadores ficam à espera da confirmação dos patrocínios para fechar as contas. Em média, são necessários entre R$ 300 mil e R$ 320 mil para cobrir os gastos de cada edição.
    Neste ano, a necessidade das adaptações para a liberação do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) do Parque Assis Brasil, em Esteio, exigirá desembolso extra.
    – As dificuldades do setor e os estragos do vendaval tornaram especialmente difícil essa construção do evento – afirmou Marcos Tang, presidente da Gadolando, organizadora das feiras ao lado do governo do Estado.
    Diante desse cenário, Tang fez questão de agradecer os patrocinadores que já se apresentaram – Instituto Gaúcho do Leite, BRDE, Banrisul e Sindilat. E brincou com Alexandre Guerra presidente do sindicato das indústrias:
    – Estamos ainda negociando.
    O governador José Ivo Sartori falou da necessidade de fortalecer o setor e deu seu recado sobre a execução do evento:
    – Essa não pode ser uma exposição do governo. O governo não pode ser o único construtor. A nós cabe acompanhar, ajudar e não atrapalhar.
    A 38ª Expoleite e a 11ª Fenasul serão realizadas entre os dias 27 de 31 de maio e têm entrada gratuita. Além da exposição dos animais, haverá outras atrações, como um rodeio, que pela primeira vez entrará na programação.

  • FRAUDE FREE

    O presidente da Assembleia Legislativa, Edson Brum (PMDB), garantiu que haverá esforço para votação do projeto de lei que trata da regulamentação do transporte de leite no Rio Grande do Sul.
    – Vamos aprovar neste ano essa questão.
    O projeto de lei 101/2015 é de quatro deputados e limita o transporte de leite. Além de regrar quem pode e quem não pode exercer a atividade, determina a criação de cadastro. O objetivo é evitar brechas para fraudes no caminho entre propriedade e indústria. Ontem, o texto foi enviado para parecer da Comissão de Constituição e Justiça – a tarefa ficará com o deputado Jorge Pozzobom (PSDB).
    Ele estima que dentro 20 a 30 dias consiga estar com o parecer concluído, depois de ter ouvido entidades do setor sobre a proposta.

  • O ECO DOS CORTES

    Ao receber em mãos o documento com as reivindicações estaduais do 21º Grito da Terra, em cerimônia na Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), o governador José Ivo Sartori também foi cobrado por cortes realizados em programas voltados a produtores familiares. É o caso da distribuição de doses gratuitas de vacina contra a febre aftosa. O benefício era concedido a famílias com até cem cabeças de gado, mas neste ano foi reduzido para quem tem até 30 animais.
    Com relação à pauta do Grito da Terra, dois temas de grande relevância: o pedido de prioridade à infraestrutura e de agilidade na elaboração do decreto que regulamenta as regras do Bioma Pampa, para preenchimento do Cadastro Ambiental Rural.
    OS NÚMEROS DO MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO PARA A EXPORTAÇÃO DE ARROZ DO RIO GRANDE DO SUL EM ABRIL FICARAM ABAIXO DO ESPERADO PELO SETOR. FORAM 50 MIL TONELADAS. O INDICATIVO DO MERCADO, SEGUNDO O PRESIDENTE DA FEDERARROZ, HENRIQUE DORNELLES, ERA DE MAIS DE 70 MIL TONELADAS.

  • VINHO CABRA DA PESTE

    Nordestino toma vinho? Sim, e o calor não é problema. Consultor de vinhos da rede Pão de Açúcar, Carlos Cabral disse ontem em Porto Alegre que o Ceará é o terceiro maior mercado para vinho do grupo no país, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. Ele foi o palestrante no evento de lançamento da cartilha Conhecendo os Vinhos do Brasil, projeto nacional iniciado pelo Estado que visa treinar atendentes e supermercadistas para fortalecer a produção e o consumo no país. A iniciativa é uma parceria de Ibravin, Abras, Abba e Abrabe.
    Segundo Cabral, o Pão de Açúcar tem 18 atendentes só em Fortaleza. Engravatados e especialistas em vinho, são responsáveis por orientar e dar dicas na hora da compra:
    – No Brasil, o consumidor tem dúvidas e, muitas vezes, escolhe pelo rótulo ou pelo preço. A orientação é crucial. É preciso oferecer serviço para garantir mais negócios.
    Sobre o calor nordestino, que contrasta com a tradicional preferência no Sul por beber vinho no inverno, Cabral frisou que o produto deve ser adaptado conforme a preferência do consumidor:
    – No Ceará, o mais vendido é o tinto, e eles o bebem gelado. Gelar não é problema. Tudo é uma questão de paladar. Não há regra para tomar vinho.

Fonte: Zero Hora